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Adaptação a mudanças: inédito caso de evolução rápida de um animal é reportado em Goiás

Postado no dia: 30 de agosto de 2017
Adaptação a mudanças: inédito caso de evolução rápida de um animal é reportado em Goiás

  1. Ilhas do Lago de Serra da Mesa são um laboratório natural para pesquisadores(Divulgação)
  2. Evolução rápida permitiu que a espécie sobrevivesse em um habitat modificado(Divulgação)
  3. Lagartixa foi objeto de estudo na região do Lago da Serra da Mesa(Divulgação)

Pesquisa que analisa possibilidades de extinção de espécies identificou lagartixa que se adaptou para sobreviver em região inundada por hidrelétrica

A Usina Hidrelétrica da Serra da Mesa, em Goiás, é palco de um dos primeiros casos do mundo de evolução rápida em função de ação humana. Pesquisadores descobriram que a lagartixa Gymnodactylus amarali se adaptou em apenas 15 anos, modificando suas características para conseguir sobreviver em um habitat que foi modificado. O réptil desenvolveu uma cabeça maior para poder comer alimentos maiores e assim garantir sua sobrevivência na região inundada. A pesquisa foi iniciada com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e foi publicada em agosto na PNAS, a revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos.

De acordo com o biólogo Reuber Brandão, membro da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza e professor da Universidade de Brasília, a lagartixa ilustra o impacto que o homem causa na natureza e como as espécies estão lidando com essas transformações. O lago criado pela usina hidrelétrica deu origem a diversas ilhas que isolaram as espécies nativas da região. “Nossa pesquisa apurou que muitas espécies foram extintas com a mudança no habitat, seja por isolamento de populações ou por falta de alimento disponíveis. A lagartixa que estudamos conseguiu sobreviver ampliando sua dieta pela ingestão de  cupins maiores, que antes eram alimentos de outras espécies”, explica. A mudança ocorreu de forma semelhante em diversas ilhas da região e não nos indivíduos que ficaram nas margens do lago.

A alteração na região da Serra da Mesa, além de gerar a evolução rápida na lagartixa Gymnodactylus amarali, resultou na extinção de várias espécies. Já se sabe que metade das espécies de sapos (19) foram extintas em apenas três anos e metade das espécies de lagartixas, cerca de 8, deixaram de existir em 15 anos na região.

Combate à extinção

A pesquisa que identificou o caso da lagartixa servirá também para entender a dinâmica de extinções em eventos de fragmentação de habitat, visando prevenir a extinção de outras espécies, de acordo com Reuber Brandão. “O lago da Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa está sendo um grande laboratório. O objetivo é criar um modelo que consiga ajudar no manejo de unidades de conservação e assim preservar a biodiversidade”, analisa. Reuber também explica que, com as informações do habitat e a história evolutiva das espécies, será possível conseguir prever quais são as mais suscetíveis a sofrer extinção e quais os cuidados preventivos que devem ser tomados.

 

Sobre a Rede de Especialistas em Conservação da Natureza

A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza é uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. 

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