Artigo: É hora de ter a operação logística na palma da mão

Por Carlos Valle, diretor do segmento de Logística da TOTVS

Administradores de operações logísticas têm à sua frente grandes desafios para manter a competitividade de seus negócios. Entre os principais, podemos citar a maximização dos recursos e a redução de falhas, além do atendimento completo às obrigações fiscais e legais inerentes ao segmento. Escolhi elencar esses três desafios porque, quando superados, impactam positivamente em indicadores de produtividade e financeiros e levam à almejada vantagem competitiva.
Para garantir a transparência, rastreabilidade e segurança das informações, a tecnologia é a maior aliada das operações na cadeia de armazenagem, movimentação, manipulação e distribuição – e vem avançando com o setor nos últimos anos. Graças aos softwares de gestão e outras ferramentas, como coletores de dados com rádio frequência, o mercado de logística já conta com soluções que possibilitam ao administrador do negócio acompanhar os processos de recebimento, expedição, inventário, consulta de estoque e muito mais, tudo isso por meio de um portal web.
Chegou o momento de dar um passo além e unir essas soluções à tecnologia móvel, levando informações, em tempo real, de rastreabilidade de todas as movimentações de estoque, inclusive o saldo em movimentação, para a palma da mão do operador logístico. E isso é possível para qualquer empresa que já tenha um software de gestão dentro de casa. O ERP, aliado a outras ferramentas, como plataformas de produtividade e geolocalização, permite não só o acompanhamento da mercadoria, mas também roteirizar entregas e visitas a clientes, fazer aprovações remotas e mais uma infinidade de atividades – que ficam paradas quando dependem do responsável estar dentro de um escritório, em frente ao seu computador.
A principal vantagem da tecnologia móvel é o ganho de produtividade. Muitos controles deixam de ser manuais e passam a ser automáticos, reduzindo tempo de reporte, otimizando os recursos envolvidos na operação e assegurando a qualidade do processo. Com isso, ganha-se o segundo maior benefício: a segurança de que as informações estão corretas. Só aqui, já resolvemos os dois primeiros desafios que citei lá no começo.
Como se o ganho de produtividade, segurança do processo e melhor uso dos recursos não fossem argumentos suficientes, ter todos esses controles na palma da mão resolve ainda o terceiro desafio citado: estar em dia com as normas fiscais e legais. Quando a empresa tem controles mais assertivos da sua operação, reportar suas atividades ao Fisco deixa de ser um bicho de sete cabeças e o risco de inconsistências é sensivelmente reduzido.
Com tudo isso está muito claro que, hoje, manter ou alcançar vantagem competitiva passa pela adoção de ferramentas móveis e pela aceitação de que esse é um movimento sem volta.

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*por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em transformação, e as habilidades necessárias para atuar em um mundo permeado por IA ainda estão sendo construídas — muitas delas nem sequer possuem nome ou classificação formal em códigos ocupacionais. Apesar da velocidade de adoção, existe uma contradição: o volume de investimento em IA nas empresas é desproporcional aos resultados efetivamente colhidos. Parte do problema está em tentar aplicar IA a processos que já não fazem mais sentido, em vez de repensar os fluxos de trabalho antes de automatizá-los. 88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas apenas 39% reportam qualquer impacto no EBIT — e a McKinsey estima que ~75% dos cargos precisam de reformulação fundamental. A adoção aconteceu; o redesenho do trabalho, não. (dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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