Ano novo, vida nova: pressão por novas metas pode agravar quadros de ansiedade

Alimentação, exercícios físicos e apoio profissional são aliados para diminuir estresse e trazer mudanças gradativas

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil apresenta a maior proporção de pessoas ansiosas, atingindo 9,3% da população. Em um contexto em que cada vez mais brasileiros enfrentam questões relacionadas à saúde mental, a transição do período festivo para o início de um novo ano não se resume apenas à alegria, trazendo também desafios emocionais. A vontade de compensar as perdas do ano que passou e cumprir novas metas muitas vezes ultrapassa a animação, resultando no aumento dos níveis de estresse e ansiedade. 

“As pessoas enfrentam desafios ao longo do ano e quando o ciclo se encerra sem que essas questões se resolvam, elas se veem imersas em um período de autocobrança. Esse momento de reflexão pode ser intenso, e é importante lembrar que a jornada emocional é tão válida quanto às conquistas tangíveis”, diz a psicóloga do Hospital São Marcelino Champagnat, Ana Campos.

Corpo e mente em equilíbrio

Com o fim das festas, muitas pessoas tendem a adotar hábitos “detox”, principalmente no que diz respeito à alimentação. A busca pelo corpo ideal e o alívio do exagero gastronômico de fim de ano incentivam a adoção de práticas para resultados imediatos, que são ineficientes para a promoção de uma vida saudável. Manter uma alimentação equilibrada não deve ser apenas uma solução no início do ano, mas, sim, uma série de hábitos contínuos durante todos os 365 dias. “O objetivo deve ser a criação de hábitos alimentares saudáveis a longo prazo. Implementar mudanças extremas pode resultar em frustração e dificultar a adesão adequada à dieta. O ideal é adotar uma abordagem gradual e sustentável para conseguir resultados duradouros e promover um estilo de vida saudável“, explica a nutricionista Marcella Oliveira, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru. 

Outro ponto importante para quem busca um novo ciclo com mais saúde é a sinergia entre uma dieta balanceada e a prática regular de exercícios físicos. Essa prática desencadeia a produção dos chamados “hormônios da felicidade”, além de regular o estresse, ajudar na qualidade do sono e impulsionar a energia ao longo do dia. Além das endorfinas, responsáveis pela sensação imediata de felicidade após a prática de exercícios, a adrenalina, a noradrenalina, a dopamina e o cortisol são liberados durante a atividade física, promovendo também adaptações positivas a médio e longo prazo. O papel dessas substâncias vai muito além do humor; elas também causam impacto na cognição e contribuem para um estado mental mais equilibrado. 

Para Pedro Murara, médico do esporte do Hospital São Marcelino Champagnat, a prática contínua de atividade física tende a ser benéfica ao gerar satisfação, especialmente à medida em que os resultados são percebidos. “A melhoria da autoestima é outra conquista valiosa proporcionada pelos exercícios físicos. Ao perceber a evolução nas capacidades físicas e na aparência, as pessoas encontram motivação e confiança, o que pode ser particularmente benéfico para pacientes com quadros depressivos, ansiosos ou com insatisfação corporal”, reforça. 

Adoção de cuidados

Além das atividades físicas e da alimentação equilibrada, a combinação de diferentes cuidados pode criar uma base sólida para o equilíbrio emocional. Práticas como garantir um sono adequado, gerenciar o estresse, cultivar relacionamentos saudáveis, dedicar tempo ao lazer e procurar ajuda profissional são essenciais ao longo de todo o ano quando o objetivo é manter a saúde mental. 

“Hábitos simples como priorizar um sono regular e de qualidade, estabelecer momentos para relaxamento e lazer, nutrir vínculos saudáveis, sejam eles amorosos, familiares ou de amizade, além da busca de ajuda profissional, que não deve ser encarada como sinal de fraqueza, mas como um passo corajoso em direção ao autocuidado, são atitudes que fortalecem a resiliência emocional e ajudam a lidar com os desafios durante todo o ano”, conclui a psicóloga Ana Campos.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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