Artigo: Estudos e trabalho: missão impossível?

Por João Pedro Mateos, professor de Química, com mais de 30 anos de experiência na área, e leciona no Curso Positivo há 13 anos

Entre os muitos alunos que decidem se inscrever no Curso Pré-vestibular, existem realidades com sonhos e metas diferentes. Há aqueles que podem se dedicar exclusivamente à tarefa, grande desafio dos que estão deixando os bancos do colégio para buscar um lugar na universidade. E há quem tenha que se desdobrar para fazer as horas renderem mais, muitas vezes dividindo seu tempo entre trabalho em tempo integral e as aulas e exercícios de disciplinas no terceiro turno.
Aí você se pergunta, é possível? Minha resposta é: sim, senhor. A diferença entre quem tenta e quem consegue é uma só: atitude. Você provavelmente já ouviu isso antes, mas aqui nos bancos do Curso nós vemos isso na prática, todos os dias. A missão de trabalhar e estudar para o vestibular é uma missão difícil sim, mas não impossível.
Para cumprir essa missão, é necessário que duas coisas aconteçam: o conhecimento estratégico de onde se quer chegar e planejamento para que saia do papel. Principalmente para quem tem que conciliar o estudo e o trabalho.
Uma dessas estratégias é direcionar o estudo. É quase impossível cumprir com todas as atividades propostas de um cursinho, mesmo para quem só estuda. Então, aqueles que também trabalham precisam ainda mais dessa atenção e direcionamento.  Por exemplo, não aprofundar o estudo de matérias que são cobradas de maneira mais leve nos vestibulares garante a economia do tempo que muitas vezes é escasso. Conversar com os professores sobre esse tipo de informação sempre ajuda – a experiência de anos de exames faz com que os analisemos de maneira mais abrangente. Essa estratégia se aplica à leitura de jornais, inclusive. Não é possível ler todos os jornais, nem lê-los inteiros, mas com o auxílio dos professores, a leitura é direcionada para aqueles tópicos que têm mais chances de aparecer nas provas de redação.
A harmonização entre trabalho e estudo depende muito da dosagem das tarefas. Sim, é preciso dispor muito tempo aos estudos, mas não pode deixar de lado outros fatores da vida de qualquer pessoa. Relacionamentos, lazer, sono, descanso precisam continuar sendo bem cuidados. O sono, principalmente, precisa ser regular. O cansaço acumulado às vezes dá sinais ao corpo de que algo não está bem: a leitura fica embaralhada, a memória fica enfraquecida e o corpo esgotado. O problema é que a prova não é semana que vem, e sim no final do ano. E o débito de descanso, cada vez maior, pode cobrar do aluno na hora errada. O ano de um vestibulando pode ser comparado com a corrida de um maratonista profissional. Para conseguir completar a prova com sucesso, o corredor tem que dosar corretamente o momento em que corre muito, e o momento em que corre menos para que, na reta final, ele não esteja exausto e consiga finalizar o que se propôs no começo.
É importante lembrar também que o conhecimento é algo que acontece vagarosamente. Se o aluno, no fim do ano, fizer uma comparação de quando começou, vai notar que está muito melhor. Está lendo melhor, escrevendo melhor, sabendo e dominando mais conteúdos, pois a absorção de informações acontece lenta e gradativamente.
Esse processo não é fácil. É dolorido, é solitário. Mas com a confluência de quatro ingredientes – vontade, garra e atitude – o “eu quero fazer” se torna o “eu fiz”. E a missão aparentemente impossível se torna uma missão mais que possível.

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