Artigo: Há caminho para as cidades serem mais inteligentes?

[flgallery id=979 /]

Por Fernando Matesco*

Entende-se por uma cidade inteligente a cidade que utiliza meios para melhorar a qualidade de vida, a eficiência nas operações e os serviços urbanos, tendo como foco principal o cidadão. O cidadão deve estar no centro dos programas de inovação e modernização das cidades, a cidade deve ser atrativa com relação aos aspectos sociais, econômicos e ambientais. O maior motivo das cidades existirem é o cidadão.

Para a construção de uma cidade inteligente, a governança participativa é fundamental, o gestor público precisa disponibilizar canais efetivos de comunicação como incentivo para que o cidadão apoie a evolução das cidades. Por outro lado, se faz necessário um maior envolvimento dos cidadãos na governança da cidade.

Diante deste cenário, o uso da tecnologia para apoiar as iniciativas é fundamental. As soluções são cada vez mais criativas e inovadoras, favorecem um ambiente mais colaborativo e participativo, em que as pessoas estão on-line todo o tempo, com novos serviços à disposição do cidadão. Tudo isso modifica o atual ecossistema. A aplicação de tecnologias potencializa o uso dos recursos e serviços para tornar os centros urbanos mais eficientes. As soluções inovadoras permitem ao poder público atuar de forma preventiva, utilizando sistemas de gerenciamento e monitoramento.

Muito se fala referente à construção das cidades inteligentes e qual o melhor caminho a ser percorrido. Porém, o mais importante é considerar quais os benefícios esperados, tendo como foco o cidadão. Ao longo do caminho, é imprescindível ter em mente alguns passos importantes.

O primeiro é definir uma equipe multidisciplinar, formada por especialistas em gestão pública, mobilidade, planejamento urbano, engenharia, tecnologia da informação e comunicação, meio ambiente e outras áreas, dependendo de cada projeto. A partir daí, é preciso traçar uma estratégia de acordo com a principal parte interessada – o cidadão – e realizar um diagnóstico mapeando os principais problemas, desafios, limitações e complexidade dos projetos a serem desenvolvidos na cidade.

Com um diagnóstico bem elaborado se torna mais fácil mapear as soluções tecnológicas viáveis para a cidade. Nesse momento, é preciso definir um plano de ações (com prioridades, cronograma, custos, indicadores) e projetos pilotos que testem, na prática, as soluções mapeadas. A avaliação dos resultados pode ser feita por meio de um PDCA (Plan – Do – Check – Act) em todos os passos do processo.

É importante ter em mente que a construção de uma cidade inteligente é um processo gradativo, composto por diversas etapas. Passa por ações para ampliar a governança eletrônica ou os serviços digitais chegando até a evolução para soluções inteligentes, elevando de fato o patamar das cidades. Os resultados positivos em cada etapa serão, com certeza, as motivações para as futuras ações rumo ao objetivo principal de transformar o modelo tradicional dos municípios em cidades realmente inteligentes.

As ações devem contribuir com o desenvolvimento sustentável, proporcionando maior transparência e democratização das informações nos mais diversos setores da cidade. O objetivo principal é criar condições de sustentabilidade, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a governança e a gestão das cidades, garantindo o atendimento das necessidades das gerações atuais e futuras.

Segurança, iluminação, mobilidade urbana, saúde, educação, abastecimento de água, coleta e tratamento de lixo e esgoto são alguns exemplos de serviços públicos que podem ser adaptados e melhorados com soluções inteligentes. Mas não precisamos necessariamente desenvolver um novo produto. Buscar mecanismos para otimizar o uso dos recursos e melhorar a aplicação do orçamento em áreas prioritárias permite que as carências de cada cidade sejam supridas.

Uma cidade inteligente está apta a antecipar as necessidades futuras. Consegue agir prontamente ou até mesmo prever crises. Além disso, as ações passam a ser coordenadas e integradas, com melhor aproveitamento dos recursos e investimentos. E assim a qualidade dos serviços oferecidos à população melhora e a cidade passa a ser mais eficiente.

*Fernando Matesco é diretor técnico do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI). Possui MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV, certificado PMP pelo PMI, certificado ITIL, certificado ISO-27002. Há mais de 20 anos na área de Tecnologia da Informação e Comunicação, com sólida experiência em gestão de serviços de TIC, atua no ICI desde 2001.

Share:

Latest posts

Divulgação
Programa de Estágio da Valmet registra maior participação da história na América Latina
Envato Imagens
Levantamento com quase 1 milhão de trabalhadores revela que auge salarial no Brasil ocorre entre 46 e 55 anos
Premio-Quejo-Brasil-2026
Com 53 medalhas, Paraná é destaque no Prêmio Queijo Brasil

Sign up for our newsletter

Acompanhe nossas redes

related articles

Divulgação
Programa de Estágio da Valmet registra maior participação da história na América Latina
Com 67 estudantes selecionados em 2026, empresa alcança número recorde de estagiários e reforça estratégia...
Saiba mais >
Envato Imagens
Levantamento com quase 1 milhão de trabalhadores revela que auge salarial no Brasil ocorre entre 46 e 55 anos
Com exigências crescentes por equidade salarial e retenção de talentos, empresas recorrem a dados e inteligência...
Saiba mais >
Premio-Quejo-Brasil-2026
Com 53 medalhas, Paraná é destaque no Prêmio Queijo Brasil
Resultado evidencia o impacto da pesquisa e da transferência de tecnologia na qualificação da produção...
Saiba mais >
IMG-3707
Projeto do Sicredi de combate às mudanças climáticas é reconhecido no maior evento de cooperativismo de crédito do mundo em 2026
Durante a Conferência Mundial das Cooperativas de Crédito, a Fundação WOCCU firmou acordo para apoiar...
Saiba mais >