Artigo: Nada mais patriótico que salvar a economia

[flgallery id=901 /]

Por Jacir Venturi, coordenador da Universidade Positivo (UP), há 46 anos é professor e diretor de escolas privadas e públicas

 
Os nossos sacrossantos fundamentos econômicos e democráticos estão passando por uma prova de fogo. Mas cremos que o Brasil sairá desta crise mais fortalecido. São dores do ritual de passagem para a maioridade. Não é possível fazer política social sem antes prover o país de sustentabilidade financeira. E um primeiro passo foi dado com a aprovação da PEC que limita os gastos do governo, pois a dívida bruta dos municípios, estados e União, no fim de 2016, ficou em R$ 4,2 trilhões, o que equivale a 70% do PIB.
Há, todavia, uma multipolarização no país na defesa de direitos, interesses, privilégios ou ideologias – o que não deixa de ser preocupante e requer muito equilíbrio de nossos políticos e governantes. Em tramitação no Congresso, as reformas trabalhista e previdenciária são necessárias, em meio a uma hecatombe de números deletérios: 14,2 milhões de desempregados; Previdência Social com déficits crescentes – só em 2016, um rombo de R$ 150 bilhões; cerca de 3 milhões de ações trabalhistas por ano, contra 2,5 mil no Japão e 70 mil nos EUA; se há na Argentina 91 sindicatos e, nos EUA, 130, no Brasil esse número está entre 15 mil e 17 mil, que arrecadam aproximadamente R$ 4 bilhões por ano de imposto sindical.
Austeridade fiscal para manter a sanidade da moeda: eis a receita imprescindível, porém amarga, para o mandato de um governante. Este conforta-se com o dever cumprido e com o julgamento da posteridade. Sim, a história – essa “juíza imparcial” – repara injustiças, mas tem o péssimo hábito de andar tão devagar que raramente alcança em vida esses devotados estadistas.
Com prevalência na ortodoxia monetária – sem pajelanças ou aumento de impostos –, a equipe de Henrique Meirelles, com determinação e serenidade, vem conduzindo as metas fiscais por trilhas pedregosas para fazer frente aos graves resultados da ilógica política econômica até então reinante nos últimos anos. Fernando Henrique Cardoso, que ocupou a pasta antes da Presidência, se faz oportuno: “Políticos e empresários pensam que o Ministério da Fazenda é um pátio dos milagres. Enganam-se: é um vale de lágrimas. Eles entram chorando, mas eu choro mais que eles”. Mais hilária é a tirada do professor Gama e Silva: “No fim do dia, um ministro da Fazenda precisa de uma dose de um bom uísque e de um adulador contumaz ao lado”.
Pândegas à parte, na macroeconomia são indispensáveis resultados positivos quando se almeja justiça social e desenvolvimento sustentável de médio e longo prazo. Em contrapartida, não há como negar o sacrifício que está sendo imposto às empresas e às populações de média e baixa renda devido à elevada carga tributária e às indispensáveis medidas de austeridade.
O controle inflacionário, ameaçado no auge da crise, é uma condição necessária, embora não suficiente, para a promoção da cidadania e manutenção do poder de compra da população menos esclarecida e mais carente. Nos 25 anos que precederam o Plano Real, houve um verdadeiro massacre social consentido: inflação de quase 1 quatrilhão por cento. E os mais pobres, não tendo conta em banco, não podiam usufruir dos benefícios da correção monetária. A estes, desumana e iníqua foi a perda do poder aquisitivo dos salários.
O Brasil não é um país pobre, mas injusto. Fruto da incúria administrativa e do descontrole dos gastos públicos, merecemos uma taça, só que de chumbo: desigualdade social. Parafraseando Dante, os piores lugares do inferno deveriam ser reservados aos governantes populistas e gastadores, pois geram miséria e infelicitam uma nação. Aristóteles já advertia que “a demagogia é a perversão da democracia”.
 

Share:

Latest posts

Divulgação
Natter escolhe Senior e investe em automação da gestão para integrar operação agroindustrial
senior
Senior Sistemas está com mais de 100 vagas abertas em todo Brasil e reforça expansão do time em 2026
ESTAGIO
Senior Sistemas abre inscrições para programa de estágio em 2026

Sign up for our newsletter

Acompanhe nossas redes

related articles

Divulgação
Natter escolhe Senior e investe em automação da gestão para integrar operação agroindustrial
Com atuação em diferentes frentes do agronegócio, empresa sediada em Mato Grosso elegeu as soluções da...
Saiba mais >
senior
Senior Sistemas está com mais de 100 vagas abertas em todo Brasil e reforça expansão do time em 2026
Oportunidades abrangem diferentes áreas, níveis de carreira e modelos de trabalho, com vagas em cidades...
Saiba mais >
ESTAGIO
Senior Sistemas abre inscrições para programa de estágio em 2026
Programa oferece atuação prática em diversas áreas da empresa, acompanhamento da Universidade Corporativa...
Saiba mais >
Envato Imagens
Carnaval com atenção ao sorriso: alinhadores permitem manter tratamento ortodôntico com mais conforto, segurança e tranquilidade durante a folia
Removíveis e discretos, os alinhadores transparentes facilitam a higiene bucal em meio a festas e longas...
Saiba mais >