Artigo: O setor aéreo e os investimentos estrangeiros

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Por Fábio Augusto Jacob, oficial-aviador aposentado da Força Aérea Brasileira,  coordenador e professor da Academia de Ciências Aeronáuticas Positivo (Acap) do Centro Tecnológico Positivo (CT)

Recentemente, esteve em discussão em Brasília a medida provisória que permitiria o aumento de 20% para 49% da participação estrangeira nas companhias aéreas brasileiras. Após a passagem pela Câmara dos Deputados, esse porcentual foi elevado, por intervenção do governo, para 100%. A reação da comunidade aeronáutica, ecoada no Senado, levou o presidente interino, Michel Temer, a vetar esse aumento. O resultado é que, no fim, tudo ficou como antes: a participação estrangeira segue restrita a 20%. Mas será que já não está na hora de permitirmos que o capital estrangeiro entre mais fortemente no nosso mercado aéreo e assim, especialmente nesses tempos de dificuldades, suporte a necessária expansão das nossas empresas?

Antes de responder a essa questão, temos de verificar algumas características desse setor que, devido às modernas aeronaves e ao nível de segurança exigido, demanda investimentos em larga escala. Não por outra razão, o governo sempre esteve fortemente presente, não apenas como regulador, mas como financiador, tanto das empresas aéreas quanto da indústria aeronáutica. Por essa razão, ele é tratado como um setor estratégico para o país, pois é um dos componentes da nossa matriz de transporte de carga e passageiros. Esse tratamento diferenciado não é exclusividade do Brasil – todos os principais países do mundo tratam com muito cuidado seu setor aéreo, de modo que ele acompanhe e até ajude a alavancar o progresso do país.
Mas não se pode deixar de observar outra característica do setor aéreo brasileiro, que tem a ver com as próprias dimensões do país. Os meios de transporte, e em especial o aéreo, sempre encontraram dificuldades na interiorização, razão pela qual vimos as cidades próximas ao litoral se desenvolverem e crescerem em ritmo mais acelerado que as do interior, gerando uma assimetria no progresso das regiões. Desde o início de operação da Varig, em 1927, os sucessivos governos, atentos a essa dificuldade geográfica, incentivaram, sempre que possível, por meio de redução de tarifas e financiamento, que as empresas aéreas locais olhassem em direção ao interior.
Apesar da boa vontade das empresas nacionais, o interior do país sempre foi carente de linhas regulares de aviões. Ainda hoje, diversas localidades do Norte do Brasil são atendidas pelos aviões da Força Aérea Brasileira, pois a distância e a falta de recursos torna impeditiva a exploração comercial. Por melhor que seja a intenção, as empresas aéreas precisam ser superavitárias, ou não sobrevivem. Pergunta-se, então: será que o governo conseguirá incentivar empresas aéreas estrangeiras a manter linhas para importantes cidades do interior, mas que não são muito atrativas economicamente em termos de transporte aéreo? Mesmo importantes cidades poderiam ficar desprovidas de serviços regulares, caso apenas a viabilidade econômica seja considerada.
Quem sabe o mais prudente seja permitir o aumento da participação externa, inicialmente, para algo como 49%. Feito isso, e caso os resultados se mostrem positivos, poderemos novamente discutir um maior aumento, mas sem perder de vista o progresso do país como um todo.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. 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