Artigo: Os mitos na fase final da vida

Por Cicero Urban, médico oncologista e mastologista e vice-presidente do Instituto Ciência e Fé, em Curitiba, é professor de Bioética e de Metodologia Científica na Universidade Positivo

A morte há muito tempo deixou de ser um fenômeno predominantemente biológico e passou a ser um fenômeno predominantemente moral. Discute-se muito mais hoje sobre quais seriam os direitos do paciente terminal, sobre o que seria uma boa morte, sobre a interrupção de tratamentos inúteis, ou mesmo sobre ortotanásia, distanásia e eutanásia do que sobre o fenômeno morte e suas consequências biológicas.
Esse interesse mudou exatamente porque ela passou a acontecer com mais frequência dentro dos hospitais, longe do ambiente familiar e com uma instrumentalização muito maior que a que estava presente no início do século passado. Se naquele tempo o temor era de uma morte precoce, por doenças infecciosas, hoje o que preocupa é ter de passar por um período prolongado de sofrimento até o desfecho final.
O professor Umberto Veronesi afirma, em sua obra sobre o direito de morrer, que “o sofrimento sempre foi considerado por muitos séculos como uma força purificadora, mas o mal induz o doente a se esquecer da necessidade da busca da divindade. E a dor o afasta de Deus”. A dor e o sofrimento não são, portanto, um caminho de salvação, mas sim de superação e crescimento humanos.
Contudo, diversos fatores afetam o relacionamento médico-paciente na fase final da vida. Infelizmente alguns mitos podem tornar a morte ainda mais difícil e nem sempre passível de superação. Não é raro, por exemplo, que se diga que as pessoas não querem falar sobre a morte ou sobre o tempo que elas têm de vida. Na realidade é justamente o contrário. A maioria delas quer, sim, e esta “conspiração do silêncio” tira do paciente terminal a oportunidade de resolver muitos dos seus problemas ainda em vida. Isso gera ainda mais angústia. Assim, é preciso perguntar aos pacientes o que eles realmente desejam saber sobre sua doença.
Outro mito é de que, se os pacientes souberem da doença, podem ficar deprimidos. Contudo, a depressão é duas a três vezes mais frequente em quem não consegue discutir seus problemas com seus familiares e, dessa forma, também não consegue planejar seu futuro. Claro que é necessário individualizar caso a caso, pois existem pacientes que já têm depressão antes do diagnóstico e precisam de atenção especial.
Duas outras situações também são frequentes. Uma delas é achar que, se o paciente vai para os cuidados paliativos, ele vai morrer mais cedo. É justamente o contrário – os pacientes sob cuidados paliativos vivem mais e melhor. O outro mito é de que nós, médicos, realmente não conseguimos fazer previsões realísticas sobre o prognóstico. Pode-se, sim, prever a gravidade de uma doença, ou mesmo saber se o paciente está em fase terminal com razoável precisão. Por outro lado, quando os médicos superestimam o prognóstico do paciente, é mais frequente que eles acabem fazendo quimioterapia ou sigam para unidades de terapia intensiva nas últimas semanas de vida. Ambos são inadequados. Na fase final, o foco do tratamento deixa de ser a cura da doença e passa a ser a qualidade da vida no tempo que resta ao paciente.
Todas essas mudanças culturais não são fáceis de implementar. Elas requerem um amadurecimento e um preparo maior dos médicos e da sociedade como um todo em aceitar os limites da medicina. E mais ainda: aceitar que a morte nem sempre significa uma derrota.

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Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. 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