Artigo: Sim à lei, não à multa

Por Glavio Leal Paura, coordenador dos cursos de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Positivo (UP)

Estamos sendo inundados de informações, por conta da polêmica lei 13.290/16, sobre a obrigatoriedade do farol baixo nas rodovias, mesmo durante o dia. Acho polêmica e, ao mesmo tempo, não, pois creio que temos dois caminhos distintos de análise que nos levarão ao mesmo ponto final de raciocínio: a segurança. Vou seguir primeiro o caminho que julgo ser o mais ameno para a análise. Muito já foi falado sobre ter ou não ter base científica para tal, porém agora eu pergunto a você: quantas vezes, de dia, um carro chamou muita sua atenção por passar por você de farol aceso? Não importa se ele veio de trás ou no sentido contrário, não me resta dúvidas que te chamou atenção mais do que o normal e, possivelmente, te levou naquele momento a pensar o porquê ele estava de farol ligado. Não é mesmo? Ou mesmo quantas vezes, ultimamente, você, caro leitor, passou por um carro que tenha luz diurna, cada vez mais normal nas ruas, e este te chamou à atenção?
Bingo! Esse é o ponto, carros com luminosidade durante o dia tendem a chamar mais atenção de quem dirige do que o normal. Portanto, essa lei tem fundamento empírico, sim. A intenção é a redução de acidentes, fazendo com que você tenha mais atenção em veículos que transitam durante o dia. Nesse ponto, acho a proposta muito válida, pois qualquer coisa em prol da segurança é boa. E outra: qual o incômodo que se tem em girar um botão ao entrar em uma via? Por que estamos tão transtornados em ligar um farol, um ato que não requer esforço e quase nenhum movimento do motorista, em prol da segurança?
Muito se discute pelo fato de países nórdicos com baixa incidência de luz terem obrigado, em décadas passadas, o uso do farol baixo, mesmo durante o dia. Vale lembrar aos que se baseiam nesses argumentos que países como Dinamarca, Noruega, Finlândia, entre outros, quando estão entre primavera e verão, o sol chega a nascer as 5h da manhã e se pôr depois das 22h – isso sem contar as cidades que durante meses estão sob a luz do dia quase que permanentemente, impensável no Brasil, mas que nos faz refletir que a obrigatoriedade em questão tem uma lógica clara que é chamar a atenção do condutor de um outro veículo próximo, mesmo com a incidência da luz natural.
Vendo por esse ângulo, temos algo completamente plausível e necessário para compensar a nossa falta de estrutura das estradas. E aí pegarei o gancho para a segunda linha de raciocínio que podemos ter – e possivelmente a mais polêmica. Será, realmente, que necessitamos sermos punidos financeiramente de cara por algo que deveria ser educativo? A exemplo de vários outros países, infrações leves muitas vezes são tratadas em um primeiro momento como advertência, enquanto no Brasil, mesmo que nossa lei preveja a advertência, é algo raríssimo de se ver. Porém sempre tem um “senhor” do poder público dizendo: Só educamos quando mexemos onde mais dói: no bolso. Isso, para mim, é uma justificativa para a famosa “indústria da multa”.
Resumindo, sou contra a forma que conduzimos questões que são educativas, porém completamente a favor da obrigatoriedade do uso do farol em rodovias, mesmo em caso de incidência de luz natural. Quando o poder público desenvolve uma nova legislação, não é baseada no achismo. Ou você acredita que a Lei Seca é algo desnecessário? Então defenda a não necessidade da tolerância zero a uma família com uma vítima de um motorista alcoolizado. Você acha que reduzir a velocidade em alguns pontos da cidade é algo non sense? Então explique porque nessas áreas não houve nenhuma vítima fatal desde essa implantação. Algumas leis podem realmente não ter base, mas definitivamente não é o caso desta.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. 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