Artigo: Tem novidade na educação?

Por Nelly Narcizo de Souza, doutora em Educação. É coordenadora da Pós-Graduação em Neuropsicologia Educacional e Desenvolvimento Infantil da Universidade Positivo e professora da Graduação em Pedagogia

Diante de reformas educacionais, decretos, greves e ocupações, surge a pergunta: há algo novo na educação? Em pleno 2017, o que há de novo na educação? Não se trata de reinventar a roda, mas de olhar para ela a partir de outras perspectivas.  A edição de 2016 do Horizon Report da NMC aponta as tendências na educação para os próximos anos: a transição dos alunos de consumidores para criadores, o reforço do uso de abordagens de aprendizagem colaborativas, a mudança para abordagens de aprendizagem mais profundas, a remodelação dos espaços de aprendizagem, o repensar do funcionamento das escolas.

Quando falamos de alunos consumidores para criadores é necessário refletir sobre como realizar isso. Certamente não faremos isso com uma educação baseada em aulas meramente expositivas, monótonas e destituídas de significado. Aliás, na área educacional muito se ouve falar sobre a necessidade de uma “aprendizagem que seja significativa”.  Em primeiro lugar, creio que temos que pensar que o “significativo” deve estar mais atrelado ao aluno, seu contexto de vida do que ao professor. Afinal, ele (o aluno) é o nosso foco e sua aprendizagem nosso maior objetivo. E o que é significativo para o aluno do terceiro milênio? Informação rápida, tempo de assimilação rápida, uso de recursos tecnológicos que propiciam acesso ao mundo de forma rápida… ou seja, velocidade e acesso ao mundo da  informação. Pois é, nossos alunos têm acesso a uma gama imensa de informações, o que nem sempre implica em aprendizagem de fato.
Aprendizagem significativa implica em se atentar para o que é significante para o aluno. O protagonismo é dele, o significado é dele, por consequência a aprendizagem é dele. Metodologias ativas nos conduzem para o movimento em sala de aula, para a construção de problematizações baseadas na relação entre conteúdo e prática.  E a colaboração nos lembra, constantemente, que é interessante estarmos uns com os outros, que na vida real as relações humanas nos fortalecem, nos enriquecem e nos provocam ao crescimento pessoal e profissional.
O Relatório Delors, construído há duas décadas e no qual se discutia os rumos da educação para o século XXI propunha que deveríamos nos basear em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Ou seja, pilares de uma educação integral e integradora de diferentes dimensões do universo da aprendizagem. Uma educação integral deveria promover situações nas quais o aluno pudesse aprender como buscar seu próprio conhecimento, aplicando esse conhecimento em seu cotidiano.
Voltemos à aprendizagem significativa. O mundo mais tecnológico, a imensa porta aberta para informações de diferentes áreas do conhecimento humano e a velocidade envolvida são elementos que, atualmente devem ser considerados pelos professores a partir de uma perspectiva de ensino com maior significado. Desse modo, o perfil do professor tradicional que fica parado em frente a carteiras enfileiradas já não faz muito sentido.
Assim, vejo como muito importante conhecer as mídias, as redes sociais, as chamadas metodologias ativas, as mágicas aulas invertidas, o ensino híbrido, ambientes virtuais… Mas acima de tudo, é preciso reconstruir crenças docentes e, por consequência, reformular, atualizar a prática docente. Os recursos estão disponíveis, metodologias diferenciadas também, e, atualmente, são muitas. A educação deve promover desenvolvimento, humanidade. O aluno não pode sair da sala de aula com a sensação de que nada se modificou. Informação na sala de aula do terceiro milênio deve virar transformação.
 

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Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. 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