Capacitar para incluir: treinamentos sobre neurodiversidade são aliados na conscientização de colaboradores

Estudo mostra que 40% dos trabalhadores consideram programa de sensibilização e treinamento melhor estratégia para promover inclusão no local de trabalho

A pesquisa “Neurodiversidade no Mercado de Trabalho”, realizada pela Consultoria Maya, em parceria com a Universidade Corporativa Korú, identificou que quase 50% dos participantes  nunca haviam trabalhado com pessoas neurodivergentes. Ainda de acordo com o estudo, 86,4% dos entrevistados nunca participaram de treinamentos ou programas sobre neurodiversidade no ambiente corporativo. São números que enfatizam a necessidade da adoção de condutas que criem ambientes mais inclusivos no mercado de trabalho.

Implementar políticas de contratação inclusiva, adaptar espaços e aderir a programas de capacitação podem ser a chave para combater estigmas e preconceitos, capacitando colaboradores para lidarem de maneira assertiva com a neurodiversidade no ambiente corporativo. Além disso, especialistas destacam que mentorias e parcerias precisam fazer parte da rotina de empresas. “A capacitação de colaboradores é um passo inicial importante para reforçar a inclusão em diversos ambientes”, afirma a psicóloga analista de comportamento e diretora da Luna Aba, Natalie Brito Araripe.

Ações que conscientizam

Empresas dos mais diversos segmentos estão mudando a maneira de lidar com a diversidade neurocognitiva por meio de ações pensadas para criar ambientes de trabalho mais acessíveis para pessoas com diferentes perfis neurológicos. No Paraná, o Shopping Curitiba, em parceria com a Luna ABA, clínica especializada na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), promoveu um treinamento para os colaboradores sobre neurodiversidade. “Queremos contribuir para transformar a sociedade da melhor maneira possível. Encontros como os que tivemos com os profissionais da Luna ABA são essenciais para promover a reflexão de um tema tão importante que é a neurodiversidade”, comenta a gerente de Marketing do Shopping Curitiba, Bruna Habinoski.

Com mais de dez anos de experiência na área, a diretora da Luna ABA explica que esses treinamentos permitem trocas de experiências, ao mesmo tempo que ensinam a importância do suporte emocional e desenvolvem um ambiente mais acolhedor para essas pessoas. “Empresas que implementam os treinamentos tendem a observar uma melhoria na produtividade e no bem-estar dos funcionários. Além disso, gera um maior preparo das equipes no tratamento ao público externo. A tendência é de que um cliente neurodivergente possa se sentir bem em um ambiente em que saberão priorizar as necessidades dele”, enfatiza.

A adoção de políticas que garantem igualdade de oportunidades, aliadas a um processo de educação e sensibilização, é essencial para construir um espaço de trabalho realmente inclusivo. Assim, além de cumprir um papel social relevante, as empresas podem se beneficiar da criatividade e das diferentes perspectivas que um ambiente pautado na diversidade traz. “A neurodiversidade não é apenas uma questão de inclusão, mas também uma fonte de inovação e criatividade. Promover um ambiente que valorize diferentes formas de pensar e processar informações, não apenas enriquece a cultura empresarial, como também contribui para um mundo mais justo e equitativo”, finaliza Natalie.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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