Por Maddu Annies
Imagine a cena: uma criança, por volta dos seis anos, sentada dentro de seu quarto pintando e recortando ingressos de papel para sua família, o título? O GRANDE SHOW. Ela esperava sentar a família na sala, recolher os ingressos que ela mesma fez e apresentar um pequeno espetáculo, que ela ensaiou a tarde inteira, com direito a figurino, coreografia e trilha de acompanhamento.
Oscar Wilde dizia: “Se você sabe o que deseja se tornar, inevitavelmente, se tornará isso; essa é sua punição. Se você nunca souber o que quer ser, se a cada dia você não souber quem é e o que sabe, você nunca se tornará nada, e essa é sua recompensa”. Com todo respeito e admiração ao notório escritor, gostaria de discordar. Desde muito nova, a certeza do que eu seria quando crescesse era clara, e eu não poderia chamar essa constante descoberta maravilhosa de punição. Não importava a idade, sempre que me perguntavam o que eu gostaria de ser, a resposta era sempre a mesma: Artista.
Mas isso me traz um questionamento: quando comecei a me considerar artista? Foi quando eu montava espetáculos inteiros para minha família; quando eu ia ao trabalho da minha mãe e ocupava meu tempo escrevendo crônicas e histórias que me faziam flutuar; quando eu comecei a estudar teatro; quando eu escrevi um livro; quando eu comecei a produzir peças de arte artesanais que referenciavam conteúdos da cultura pop que sempre me fizeram me sentir pertencente a seus universos; quando comecei a costurar minhas fantasias e figurinos; quando dirigi e produzi minha primeira peça ou quando eu finalmente obtive a comprovação que aos olhos do Estado, eu era uma atriz certificada? Veja, algumas dessas coisas aconteceram quando eu tinha apenas cinco anos, eu já era artista? Eu acredito que sim.
A arte é algo que sempre me perseguiu, e penso que não só a mim, mas à humanidade como um todo. Desde o primeiro momento em que criamos meios visuais para nos comunicar, como pinturas, ou quando descobrimos que certos elementos poderiam gerar sons, criando a música. O ser humano sempre precisou da arte para se comunicar e se expressar, é uma necessidade tão exasperada que soa como um longo grito, como se dissesse “eu estou aqui, eu existo e me importo”.
A primeira vez que tive a certeza absoluta do que eu gostaria de fazer, foi quando assisti ao meu filme favorito pela primeira vez: Sociedade dos Poetas Mortos. Eu sei, pode parecer um tanto clichê, mas esse filme me fez sentir tantas coisas ao mesmo tempo. Me fez sentir tudo. Naquele momento, eu soube que queria poder levar essas emoções às pessoas. Não importava o que, mas queria que por apenas um momento, as pessoas pudessem sentir alguma coisa. Citando o próprio filme: “Nós não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho, nós lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana, e a raça humana está cheia de paixão. E medicina, direito, engenharia e administração são profissões nobres e necessárias à vida. Mas a poesia, a beleza, o romance e o amor, são por estas coisas que permanecemos vivos”.
Pessoas que escolhem a arte como caminho de vida, se tornam eternos serventes de suas emoções à sociedade, não importa há quanto tempo, a arte, os sentimentos e a razão ficaram para sempre marcados na humanidade e se comunicando com milhares de almas através do tempo, atravessando os holofotes ao silêncio por trás da cortina.