Por Letícia Ferreira
Sim.
Em tempos de digitalização massiva o impresso tornou-se uma estrela. Um dos meios mais antigos de comunicação tem se mantido presente em meio a tanta inovação tecnológica, se reinventando das maneiras mais criativas. Em vez de ser deixado de lado, o impresso está cada vez mais se associando às tecnologias de impressão que a cada ano dão um salto em qualidade, exclusividade e durabilidade. Grandes marcas têm apostado em materiais de comunicação impressos com alto nível de acabamento técnico, e investindo na experiência de leitura. Isso mesmo que você leu, em tempo de IA não basta produzir um impresso só para ser lido, mas ele precisa gerar uma experiência junto a leitura, isso permite a fixação de conteúdo, ou seja, você pode esquecer um texto que leu, mas uma experiência é difícil esquecer.
E foi com esse objetivo de gerar uma experiência de leitura que o primeiro release multi sensorial foi projetado. Um dos projetos gráficos mais desafiadores que já passou pelo meu Indesign, transformar o texto de um release em uma verdadeira visita na Mata do Uru. Foi preciso estudar a mata, os sentidos humanos e aliar com os recursos de acabamentos gráficos da maior gráfica da América Latina, a Posigraf.
Escrever, projetar, diagramar e imprimir um release multissensorial exigiu um movimento em conjunto como o de uma orquestra, todos os participantes do projeto precisavam saber exatamente o seu momento de atuação, e fazê-lo com perfeição. Eu como designer gráfica me tornei o maestro dessa orquestra que ensaiou muito, antes de entrar em cena. Foram muitos testes, muitas reuniões técnicas para chegar ao ápice do material pronto. Nossa orquestra entregou uma verdadeira sinfonia gráfica. Uma imersão na mata que contempla os sentidos humanos: visão, audição, tato, paladar e olfato. A visão foi amplamente explorada por fotos da mata e QR Codes para materiais especiais. O tato foi aguçado com aplicação de impressão de pelos sintéticos em fotos de animais, verniz especial com textura fosca, e aplicação de braille. A audição foi explorada de maneira não só expositiva, mas inclusiva, além de o leitor ter vários momentos para ouvir o sons da mata, o material todo foi narrado com descritivos para pessoas com deficiência visual terem acesso ao conteúdo. O olfato foi instigado com aplicação de sniff (etiqueta com cheiro), com a fragrância da mata (um projeto desenvolvido pela Posigraf). O paladar foi o sentido mais desafiador para projetar, aplicamos um sachê de chá de mate, colocar um alimento em um material impresso envolveu uma logística muito grande no processo de colagem e segurança sanitária.
E assim com todos esses recursos gráficos, conseguimos gerar uma experiência de leitura e levar nossos leitores para a Mata do Uru. Essa experiência eles jamais irão esquecer, o som do uru, a textura do pelo da jaguatirica, o cheiro da mata e gosto mate. Isso é inovação no impresso.