Imagem por: williamlucas19 no Freepik

As marcas estão preparadas para as “Crises Virais”?

As redes sociais amplificam crises e informações rapidamente, tornando essencial para marcas uma gestão eficaz; essas plataformas podem ser tanto uma salvação quanto uma ruína

 

As redes sociais revolucionaram a maneira como nos comunicamos, consumimos informações e interagimos com o mundo ao nosso redor. Por isso mesmo, muitas pessoas as consideram um novo poder, somando-se aos três poderes clássicos estabelecidos por ​​Montesquieu (Executivo, Legislativo e Judiciário) e à imprensa frequentemente chamada de o 4º poder.

As plataformas tornaram-se fundamentais na disseminação de notícias, especialmente em momentos de crises reputacionais que podem surgir de acidentes, falhas, fraudes ou denúncias sejam elas verdadeiras ou não. O poder das redes sociais na proliferação de informações é inegável, e, quando se trata de crises envolvendo marcas brasileiras, essa força pode ser tanto uma bênção quanto uma maldição. 

Eu diria que vivemos na “Era das Crises Virais”. Elas começam com sintomas leves (muitas vezes ignorados…), evoluem para incômodos no sistema, vão gerando instabilidade e, em determinado momento, jogam a marca na UTI. Em casos raros, a crise se transforma em uma doença crônica. Assim como acontece com outros males, a cura só vem com um tratamento contínuo e efetivo.

Essa analogia que fiz com a saúde humana tem uma razão. As empresas são como seres vivos! Têm cabeça, corpo e membros. Coração, sentimentos… Pelo menos, é isso que o mercado exige hoje: marcas humanizadas e autênticas, que contem histórias reais. Assim como acontece com a gente, nem sempre essas histórias são boas.

Nos últimos anos, vimos um aumento significativo no uso de redes sociais como X (Twitter), Instagram e Facebook para disseminar informações rapidamente. Durante as crises, essas plataformas atuam como verdadeiros catalisadores, acelerando a propagação de notícias e opiniões. A velocidade com que uma informação pode se espalhar pelas redes sociais é assustadora e, muitas vezes, incontrolável. Em questão de minutos, um post ou um tweet pode alcançar milhões de pessoas, transformando uma crise local em um problema de proporções nacionais ou até globais.

Para as marcas brasileiras, essa realidade apresenta desafios únicos. Um incidente que, no passado, poderia ser “contido”, agora tem o potencial de explodir e ganhar proporções imensas. Quando uma marca é envolvida em uma crise, seja por falhas de produtos, erros de comunicação, problemas operacionais ou comportamentos inadequados, as redes sociais se tornam o palco principal no qual a crise é discutida, analisada e, muitas vezes, amplificada. O público não apenas consome as informações, mas também participa ativamente da narrativa, compartilhando, comentando e até mesmo criando conteúdo em resposta à situação. E, claro, sem uma análise mais profunda ou imparcial que a maioria dos veículos de imprensa costuma realizar.

Um exemplo marcante foi a crise enfrentada pela marca de alimentos Seara em 2020, quando um vídeo sobre um suposto problema em um dos produtos viralizou nas redes sociais. A situação se agravou rapidamente, pois os consumidores utilizaram as redes sociais para expressar sua indignação e compartilhar suas próprias experiências negativas, amplificando ainda mais a repercussão do caso. A empresa precisou agir rapidamente, utilizando as mesmas redes sociais e a imprensa para corrigir a narrativa, esclarecer os fatos e reconquistar a confiança dos consumidores.

A transparência e a velocidade de resposta são cruciais em situações como essa. Por isso, recomenda-se criar um comitê e um guia de gestão de crises, pois elas devem ser administradas ANTES DE ACONTECEREM. Não adianta tentar estruturar o fluxo de trabalho em meio à crise, no chamado “olho do furacão”.

As redes sociais não apenas amplificam a crise, como também oferecem uma oportunidade para as marcas se redimirem (desde que o trabalho de comunicação seja bem executado). As empresas precisam estar preparadas para monitorar constantemente as redes, identificar rapidamente os sinais de uma possível crise e agir de forma proativa. Um pedido público de desculpas, a correção imediata dos erros e uma comunicação clara e transparente podem ajudar a mitigar os danos e até transformar uma crise em uma oportunidade de fortalecimento da marca.

Por outro lado, a má gestão de uma crise nas redes sociais pode ter consequências devastadoras. Ignorar ou subestimar o poder dessas plataformas pode levar a uma perda significativa de reputação, queda nas vendas e, em casos extremos, até falência. No mundo altamente conectado de hoje, as redes sociais são uma faca de dois gumes: podem ser a salvação ou a ruína de uma marca. Tudo isso depende do quão preparada ela está ou, mais precisamente, de como está sua saúde reputacional.

Em suma, as redes sociais desempenham um papel crucial na viralização de informações durante crises de reputação. Sua capacidade de espalhar informações rapidamente exige que as empresas estejam constantemente vigilantes e prontas para agir. A gestão eficaz de crises nas redes sociais pode ser a diferença entre a recuperação e o fracasso, tornando-se uma das habilidades mais valiosas para marcas que desejam sobreviver e prosperar no ambiente digital contemporâneo. 

No entanto, apenas os verdadeiros especialistas são capazes de prescrever o “antibiótico” correto para combater as “crises virais”.

 

Claudio Stringari é sócio da Central Press e presidente do Conselho Deliberativo da ADVB/PR.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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