Com investimento milionário, Rede Decisão mira escolas de Campinas

Fazendo a “lição de casa” ao enfrentar o desafio histórico de melhorar a qualidade da educação no Brasil e ao se tornar cada vez mais atrativa para fundos alinhados ao ESG, a Rede Decisão fecha 2024 com um aporte de R$ 20 milhões. O investimento veio da Rise Ventures, uma gestora de private equity focada em negócios de impacto, que combina retorno financeiro atrativo com transformações socioambientais positivas e mensuráveis. Esse novo aporte reafirma o compromisso da Rede Decisão, que opera 21 escolas no Sudeste, com a entrega de uma Educação Básica de excelência, aliando resultados consistentes a práticas que promovem impacto social.

O CEO da Rede Decisão, Gabriel Alves, relembra as origens da rede para contextualizar este novo marco na história da instituição. Fundada em 1984 por sua mãe, Regina Alves, uma jovem professora de 20 anos apaixonada pela educação, a rede teve início com uma pequena escola de Educação Infantil no Jardim Prudência, em São Paulo. “Nosso objetivo é gerar impacto positivo nas comunidades onde atuamos. Permitimos que nossos alunos sonhem com a possibilidade de ingressar nas melhores universidades públicas e fazemos isso em escala, o que atrai investidores dessa relevância”, justifica.

Com o posicionamento de ser a melhor escola do bairro, a Rede Decisão construiu um diferencial competitivo ao localizar suas unidades a, no máximo, 15 minutos de deslocamento dos estudantes. Segundo o diretor de expansão e M&A da Rede Decisão, Rafael Camacho, essa premissa integra a estratégia de crescimento do grupo, iniciada em 2015, quando Gabriel Alves assumiu a  liderança do negócio.

Os resultados dos últimos anos proporcionaram ao grupo uma saúde financeira sólida, indo na contramão do setor e da economia brasileira nos últimos anos, o que reforça a atratividade para investidores. Nos últimos quatro anos, a receita líquida da Rede Decisão aumentou de R$ 70 milhões, em 2021, para R$ 146 milhões, em 2024. Atualmente, o grupo atende 11,4 mil alunos e conta com mais de mil professores distribuídos em 21 unidades localizadas nos estados de São Paulo e Minas Gerais. 


Expansão para CampinasCom ou sem aporte, o plano de expansão da Rede Decisão para os próximos cinco anos já era ambicioso: alcançar mais de 50 escolas, apostando na escalabilidade da solução desenvolvida para a Educação Básica no Brasil. “O aporte permitirá investir ainda mais em novas tecnologias, inovação pedagógica e na formação de professores, que sempre priorizamos”, afirma o CEO, que foi aluno da primeira escola da rede. Segundo Gabriel Alves, o grupo deve crescer para a região de Campinas já no início de 2025, adicionando quase 1.500 alunos à Rede Decisão.
Relação custo-benefício

A percepção de valor pelos pais é um dos pilares do sucesso da expansão da Rede Decisão. Com mensalidades entre R$ 700 e R$ 1,8 mil, em regiões densamente povoadas, as escolas da rede se destacam como a melhor relação custo-benefício para quem não quer abrir mão da qualidade da educação dos filhos. “Onde estamos presentes, nossas escolas conquistam o reconhecimento de formar os melhores alunos, que garantem as vagas mais disputadas nas universidades ou apresentam os melhores desempenhos em concursos”, destaca o CEO. No último ano, todas as unidades da rede superaram a média nacional no Enem, e 12 das 21 escolas ficaram entre as três melhores de suas regiões.

Negociação envolveu quatro auditorias

De acordo com Camacho, a negociação com a Rise teve início em abril. “Foram oito meses de tratativas e quatro auditorias nas áreas pedagógica, financeira, jurídica e impacto/ESG, que comprovaram nossa capacidade de impactar a aprendizagem dos alunos em escala”, explica  Camacho. Segundo ele, fatores como baixa evasão escolar, elevado  investimento na formação docente e alto nível de satisfação dos pais foram os principais destaques que chamaram a atenção do investidor. A Rise investiu R$ 20 milhões em uma participação minoritária na Rede Decisão.

“A Rise estuda o setor de educação e especificamente de rede de escolas há alguns anos, já analisando mais de 200 empresas do setor no Brasil. Encontramos na Rede Decisão a melhor combinação entre educação de qualidade, preço acessível e escala”, afirma o co-fundador e CIO da Rise, Daniel Madureira. “O momento atual da companhia é excelente, com uma estrutura pronta para crescimento. Além disso, conduzimos uma diligência profunda no time e estrutura da Rede Decisão, e estamos entusiasmados com a qualidade dos empreendedores e time de liderança”, completa.

Queridinha dos investidores

A Rise não é a primeira a apostar na Rede Decisão. Quando Gabriel Alves assumiu a gestão, em 2015, a rede era apenas uma escola. Desde então, o grupo se destacou como um dos pioneiros no segmento de Educação Básica de qualidade com preço acessível, realizando 17 aquisições e construindo outras três escolas do zero. As aquisições foram financiadas por meio de dívidas, amortizadas com a geração de caixa dos próprios ativos. A Rede Decisão tem sido um exemplo de sucesso em M&A: as escolas adquiridas apresentam um aumento médio de 12% no faturamento, enquanto os custos operacionais foram reduzidos 8%, em média, e o desempenho dos alunos no Enem evolui ano a ano.

Em 2017, Marcelo Martins, atual CEO da Cosan e responsável por liderar as estratégias de M&A da companhia nas últimas duas décadas, tornou-se acionista da Rede Decisão, junto a outros dois investidores, com 14% das ações. Martins ocupa atualmente a presidência do Conselho da Rede Decisão.

Em 2021, a Rede Decisão recebeu um aporte de R$ 60 milhões da Blue Like an Orange Sustainable Capital (BlaO), gestora europeia especializada em investimentos de impacto em mercados emergentes. Fundada por Bertrand Badré, managing director e CFO do Banco Mundial, figura-chave no lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU em 2015, a BlaO adotou uma estratégia de financiamento mezanino, que combina características de dívida e participação acionária.

No início de 2023, a Rede Decisão firmou uma parceria com o Grupo Atmo Educação, sediado em Campinas (SP), que tem Daniel Castanho (fundador da Ânima Educação) como um de seus sócios. O acordo envolveu a transferência de cinco escolas do Grupo Atmo para a Rede Decisão, em troca de uma participação acionária na empresa. Com essa negociação, a Rede Decisão ampliou sua área de atuação, alcançando o interior de São Paulo a partir de Campinas.

História contada em livro

A trajetória da Rede Decisão está registrada no livro Decisões Que Realizam Sonhos: Uma Vida Dedicada à Educação, de Regina Alves (2024, Ed. Escreva). A biografia da fundadora do grupo educacional foi lançada em novembro, na Livraria da Vila, em São Paulo.

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*por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em transformação, e as habilidades necessárias para atuar em um mundo permeado por IA ainda estão sendo construídas — muitas delas nem sequer possuem nome ou classificação formal em códigos ocupacionais. Apesar da velocidade de adoção, existe uma contradição: o volume de investimento em IA nas empresas é desproporcional aos resultados efetivamente colhidos. Parte do problema está em tentar aplicar IA a processos que já não fazem mais sentido, em vez de repensar os fluxos de trabalho antes de automatizá-los. 88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas apenas 39% reportam qualquer impacto no EBIT — e a McKinsey estima que ~75% dos cargos precisam de reformulação fundamental. A adoção aconteceu; o redesenho do trabalho, não. (dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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