Curitiba é referência em reconstrução óssea no Brasil

O dia 29 de abril foi um divisor de águas para a família do estudante Isaac Soares, 17 anos, morador de Boa Vista (RR). Após sofrer um acidente de moto, ele ficou com uma fratura exposta na perna esquerda. Foram mais de dois meses de internação, antes da notícia de que a cirurgia que o garoto precisava – enxerto e alongamento ósseo – só poderia ser feita em outro estado. A família entrou na Justiça para garantir o procedimento, que foi realizado no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), um dos centros de referência em reconstrução óssea no Brasil.

“Nosso maior medo era que o Isaac precisasse amputar a perna por falta de atendimento. Conversamos com vários médicos que confirmaram: osso exposto por muito tempo poderia agravar ainda mais o caso. Por isso entramos na Justiça para conseguir um local com condições de realizar essa cirurgia”, conta o pai do menino, Adauto Soares, que precisou deixar o trabalho como motorista de táxi para ajudar nos cuidados com o filho. A cirurgia foi realizada na primeira semana de março, após a Justiça liberar o custeio.

Seis meses de tratamento pela frente

O ortopedista Antonio Tomazini conta que o tempo de espera para a cirurgia acabou sendo um complicador no caso do Isaac, porque fez com que houvesse grande comprometimento da pele, músculos e osso que foram necrosados. “Serão necessárias três cirurgias e pelo menos seis meses de tratamento para que ele melhore. Esta primeira foi a mais complexa – durou pouco mais de quatro horas – porque retiramos a parte com necrose e ressecamos o osso exposto – 12 centímetros – com pinos conectados por barras”, explica.

“Nessa primeira fase, ele mesmo irá girar uma espécie de parafuso contido no fixador circular externo a cada seis horas, com o objetivo de tracionar o osso, enquanto os segmentos ósseos da falha são mantidos estáveis para que o osso cresça um milímetro por dia. Nessa técnica de tração osteogênica, conseguimos fazer esse transporte ósseo. A previsão é que, no mês de julho, a gente realize a próxima cirurgia para fazer o acoplamento ósseo e, assim, ele consiga pisar no chão”, complementa o ortopedista Leonardo Gubert, que também participou do procedimento. A expectativa é que leve pelo menos mais um ano até que Isaac consiga se locomover sem muletas ou outro tipo de apoio.

A família de Isaac deve ficar em Curitiba até o fim do tratamento. “Sabemos que ainda tem um longo caminho pela frente, mas a nossa sensação é de alívio. Isaac recebeu alta no dia seguinte à cirurgia e agora vamos continuar cuidando dele aqui, até que ele possa voltar para casa com a perna recuperada”, desabafa o pai.

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