Doenças raras: pacientes vivem angústia até diagnóstico e lutam para reencontrar novo olhar sobre a vida

Mais de 13 milhões de brasileiros sofrem com doenças raras. 80% delas são decorrentes de fatores genéticos e o acesso ao diagnóstico e à terapia adequada ainda são as maiores dificuldades enfrentadas pelos pacientes.

A analista de treinamentos e logística Ana Paula Dzioba Santos, 36 anos, estava no auge profissional quando levantou para ir até o cafézinho e não conseguiu seguir em linha reta. Quem olhava de fora teve a impressão de que ela estava alcoolizada. Mas a cabeça dela já levou a medos mais sérios, de que fossem os primeiros sinais da ataxia – que são sintomas que afetam a coordenação dos movimentos – doença que o pai sofria. Alguns dias depois, acordou e quase não conseguiu andar. Pronto. Todos os alertas foram ligados e ela começou a busca por um especialista que pudesse ajudá-la.

O neurologista do Hospital Marcelino Champagnat, Gustavo Franklin, especialista em doenças que envolvem os movimentos, assumiu o desafio de encontrar o diagnóstico. As primeiras suspeitas de que a doença pudesse ser por deficiência de alguma vitamina ou hormônio no corpo foram descartadas já nos primeiros exames. Por isso, optou-se por fazer exame de genes, para descobrir mutações que estariam resultando naqueles sintomas. Precisou de mais um para chegar ao diagnóstico, uma doença rara que atinge uma a cada cem mil pessoas e com nome complicado: Síndrome de Gerstmann-Sträussler-Scheinkerdoença priônica que afeta moléculas proteicas.

“Por ser uma doença mais rara, é normal não estar entre nossas primeiras suspeitas. Mesmo com o diagnóstico, não tem uma cura. Por isso, indica-se fisioterapia, hidroterapia, terapias diferenciadas e terapia psicológica que amenizam os sintomas. Todas são importantes para que a paciente tenha melhor qualidade de vida”, ressalta o neurologista.

Qualidade de vida

Toda a descoberta da doença e diagnóstico aconteceram durante a pandemia da covid-19. Ana Paula precisou ser aposentada por invalidez e agora se dedica às terapias para ter mais qualidade de vida com a filha de nove anos e o marido.

Com todo o tratamento, ainda não precisa usar o andador a todo momento, apenas quando sai de casa. “Como são poucas pessoas com diagnóstico como o meu, muitos se afastaram, mas ganhei outros amigos. Agora, sem dúvidas, vejo a vida com outros olhos e quero desfrutar tudo o que ela me oferece enquanto eu posso”, frisa Ana.

Share:

Latest posts

Michelle Caroline Silva
NH Collection Curitiba inaugura Árvore de Natal artística com obra conceitual
CIGAM
Senior Sistemas adquire CIGAM Software Corporativo S.A.
Freepik
Black November 2025 movimenta mais de 5,3 milhões de pedidos em 23 dias

Sign up for our newsletter

Acompanhe nossas redes

related articles

Michelle Caroline Silva
NH Collection Curitiba inaugura Árvore de Natal artística com obra conceitual
O trabalho é um painel composto de diversas peças, idealizado para ser montado de diferentes formas,...
Saiba mais >
CIGAM
Senior Sistemas adquire CIGAM Software Corporativo S.A.
Transação reforça o movimento de M&A no mercado de tecnologia e amplia consolidação da multinacional...
Saiba mais >
Freepik
Black November 2025 movimenta mais de 5,3 milhões de pedidos em 23 dias
E-commerce cresce 6,9% frente a 2024, registra 206 milhões de itens vendidos e impulsiona antecipação...
Saiba mais >
Envato Imagens
Voluntariado avança no Brasil com iniciativas que levam saúde bucal a comunidades em situação de vulnerabilidade
Expedição Novos Sorrisos reúne mais de 600 voluntários e celebra o impacto social da odontologia no país O...
Saiba mais >