E-commerce e condições de financiamento atrativas alavancam recuperação do mercado automotivo

Estudo realizado pela Tecnobank aponta setor em alta no primeiro quadrimestre, com perspectivas de crescimento ainda maiores ao longo de 2021

Apesar das enormes dificuldades enfrentadas desde o início da pandemia, o mercado automotivo vê sinais de recuperação com o registro de números em alta para o setor. Mesmo diante das incertezas em relação ao fim da pandemia e ao cenário econômico, o brasileiro voltou a comprar veículos, com o principal alvo sendo os carros usados. Segundo dados da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), as vendas de seminovos e usados em 2021 já ultrapassam em 2,4% a marca registrada nos dois primeiros meses do ano passado, quando ainda não havia se iniciado a pandemia no Brasil. Somente em fevereiro, foram 13% a mais de negócios fechados, em comparação com o mesmo período de 2020.

O mês de março também registrou números positivos. Mesmo com o agravamento da pandemia e do desabastecimento de peças que paralisaram grande parte das fábricas, dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) mostram que o emplacamento de veículos cresceu 15,78% em comparação a março do ano passado. Na comparação com fevereiro, o crescimento foi de 13,16%, com o emplacamento de 189.405 veículos. O cenário positivo é confirmado por um estudo realizado pela Tecnobank, que analisa o primeiro quadrimestre de 2021. A própria empresa, com atuação ligada diretamente à operação de compra e venda de veículos, registrou em março um aumento de 9,4% no número de operações, na comparação com fevereiro deste ano.

De acordo com o diretor comercial da Tecnobank, Cristiano Dantas, a reação do setor se explica também em função das boas condições de financiamento. “Em 2021, as instituições financeiras seguem apoiando o mercado automotivo por meio da oferta de crédito para esse setor. Os juros estão mais baixos e é possível financiar até 100% do veículo. Com isso, a concessão de crédito cresceu 13% nos primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado”, comemora Dantas. 

Segundo o estudo da Tecnobank, as vendas financiadas dos automóveis cresceram 8,2% em fevereiro de 2021, na comparação com 2020. No mês de março, este crescimento chegou a 20%, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Números da B3 apontam que em março de 2021 foram 302 mil unidades contra 252 mil em 2020. Esses dados englobam veículos novos e usados. Além dos carros, estão inclusos no total as motos e os caminhões financiados em todo o Brasil. O estudo indica que os veículos usados foram os responsáveis pela maior parte do total de financiamentos.

Para Dantas, a estimativa é que, com o avanço do plano de vacinação e a retomada das atividades em geral, o mercado consiga apresentar resultados 12% superiores aos alcançados em 2020, no que diz respeito aos financiamentos de veículos. “Devemos manter um ritmo de crescimento ao longo do ano, impulsionado principalmente pelos segmentos de veículos leves usados e de veículos pesados”, completa.

E-commerce em alta

Outro fator que pode contribuir para essa reação e crescimento é a tecnologia. O fechamento das concessionárias por longos períodos e os consumidores em isolamento social são alguns dos fatores que impactaram diretamente o segmento, que vem se adaptando e sobrevivendo também por meio da inovação. A transformação digital, que já era uma tendência, foi acelerada. Hoje, concessionárias e revendas já estão preparadas para realizar vendas a distância. “A pandemia fez o consumidor migrar para o e-commerce. Isso vale também para o mercado de compra e venda de veículos. Com as pessoas mais propensas a fechar negócios on-line, as concessionárias estão buscando novos meios de vender e comprar, incluindo o digital”, afirma Cesar Cantarella, CEO da DealerSites, startup que desenvolve plataformas digitais 100% voltadas ao setor automotivo.

Cantarella também apresenta números que indicam o apetite do consumidor. Em 2020, a DealerSites gerou mais de 167 mil leads para concessionárias. Apenas no primeiro trimestre de 2021 já foram mais de 300 mil. De acordo com o CEO, um levantamento realizado pela Autotrader, que ouviu apenas donos de concessionárias sobre os principais desafios para 2021, aponta que 69% responderam que será a transição para um modelo de negócio que também contemple o digital. A DealerSites atende atualmente mais de 700 concessionárias em todo o país, com perspectiva de chegar ao fim de 2021 com 1.200 clientes na carteira – o que também pode ser considerado um sinal de que a compra e venda de veículos deve permanecer em alta, com boas perspectivas de recuperação e crescimento.

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*por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em transformação, e as habilidades necessárias para atuar em um mundo permeado por IA ainda estão sendo construídas — muitas delas nem sequer possuem nome ou classificação formal em códigos ocupacionais. Apesar da velocidade de adoção, existe uma contradição: o volume de investimento em IA nas empresas é desproporcional aos resultados efetivamente colhidos. Parte do problema está em tentar aplicar IA a processos que já não fazem mais sentido, em vez de repensar os fluxos de trabalho antes de automatizá-los. 88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas apenas 39% reportam qualquer impacto no EBIT — e a McKinsey estima que ~75% dos cargos precisam de reformulação fundamental. A adoção aconteceu; o redesenho do trabalho, não. (dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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