Enem e matérias Exatas: não precisa ser tão difícil

Dirceu Fedalto*
O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) costuma reservar algumas interessantes conclusões. São os resultados das edições anteriores que podem ajudar nossos alunos que irão fazer as provas nos dias 5 e 6 de novembro a ter um desempenho melhor. Disciplinas como Química, Física e Matemática concentram os menores acertos no ENEM. O levantamento realizado pela plataforma AppProva, com base nos microdados do exame de 2014, mostram situações que precisam ser revertidas na área de Exatas. A taxa de acertos em Química ficou em 27%. Já Matemática e Química registraram 25% de questões corretas. Por quê?
Muitos alunos ainda têm muita dificuldade em Matemática, Física e Química. Essas disciplinas, via de regra, são consideradas as mais difíceis. Dentro da escola, os dados apenas confirmam isso, com uma quantidade maior de alunos que ficam em recuperação nessas matérias. Reverter esse quadro exige um esforço grande por parte de toda a comunidade escolar.  
As disciplinas mencionadas necessitam de algumas habilidades e conhecimentos que vão além da interpretação e compreensão do texto. Para resolver uma questão contextualizada de Matemática não basta saber aplicar esta ou aquela fórmula. É preciso compreender o que deve ser calculado e interpretar o resultado obtido. Essa habilidade o aluno adquire e aprimora ao longo de toda a Educação Básica. Será que essas disciplinas, por envolverem cálculos tidos como complicados, não as colocaria naturalmente no patamar dos menores acertos? Considero que essa visão é produto de um fator cultural, embora não seja irrelevante.
A família e os amigos podem criar falsas expectativas relativas às dificuldades que essas disciplinas têm. É comum você ouvir de colegas sobre as dificuldades que encontraram num determinado ano ou série e, com base nisso, cria-se a cultura desse ou daquele ano, desse ou daquele conteúdo específico (por mais que às vezes eles realmente existam).
A forma como os estudantes são cobrados é que faz toda a diferença: a prova deve refletir e abordar o que e como o assunto foi ensinado. E aí teremos a principal dificuldade: se um professor tem dificuldade de fazer isso para sua turma, imaginem uma prova que vai ser aplicada para todos os alunos que concluíram o Ensino Médio. O que se pode fazer é tentar preparar os alunos para os mais variados tipos de prova. Não é uma tarefa fácil. Nas redes particulares de ensino, isso é realizado de uma forma mais intensa do que na rede pública. De um certo modo, essa postura se reflete nos resultados apresentados pelo Enem.
Ostentar conhecimento de uma disciplina difícil, que os alunos têm dificuldade, que reprovam, ainda é visto por muitos professores como algo positivo. Essas mudanças começam na formação dos professores e passam por modificações dentro da estrutura da escola. Os primeiros passos começam na Educação Infantil e depois seguem para o Ensino Fundamental I, em que nem sempre o professor “domina” a Matemática como seria necessário ou, pelo menos, razoável. Depois vem o Ensino Fundamento II, no qual o aluno verá as bases do que será ensinado no Ensino Médio –  é nesse período que surgem os maiores problemas relativos à Matemática. Em função disso devemos concentrar mais esforços. Se a base do aluno foi bem construída, então muitas dificuldades serão minimizadas. Chega a ser piegas de tanto que é falado e repetido. Mas é a pura verdade.
*Dirceu Fedalto, assessor de Matemática e professor do Colégio Positivo.

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