Ensino bilíngue tem fila de espera no Paraná

Escolas internacionais e bilíngues da região não suprem a demanda. Falta de professores qualificados é a maior barreira

Existem mais de 6 mil escolas internacionais em todo o mundo. De acordo com estatísticas do International Consultancy Group, a expectativa é que, em 2020, esse número chegue a 11 mil estabelecimentos. No Brasil, não há números oficiais sobre a quantidade desse tipo de instituição, mas, segundo a Organização das Escolas Bilíngues de São Paulo (OEBI), até o final de 2012 existiam 96 escolas no país – 56 delas só em São Paulo. De acordo com o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe-PR), Jacir Venturi, em 2013, cerca de dez mil alunos eram educados pela metodologia, no país. Na capital paranaense, são seis estabelecimentos que ofertam quase 2,4 mil vagas, segundo a entidade. Na região, a demanda por esse tipo de ensino já é maior do que a capacidade de vagas existentes. “As instituições que ofertam esta metodologia recebem procura maior do que a oferta”, relata Venturi.
O diretor-geral do Colégio Positivo, Celso Hartmann, confirma a estimativa. Desde 2013, quando inaugurou, o Colégio Positivo Internacional já ampliou mais de 100% das vagas, com investimento em corpo docente e infraestrutura. “Mas ainda temos uma fila de espera com o dobro do número de alunos que atendemos atualmente”, revela. O ensino bilíngue do Colégio Positivo – Jardim Ambiental foi lançado em 2015 e também conta com fila de espera. “Em todo o país, com o crescimento do ensino integral, cria-se a possibilidade de se planejar a aprendizagem do inglês não só nas aulas tradicionais. Isso é uma previsão de futuro para todo o país”, avalia.
A coordenadora do curso de Pós-Graduação em Educação Bilíngue da Universidade Positivo (UP), Camile Gonçalves Hesketh Cardoso, afirma que, mesmo com falta de vagas, houve crescimento de 24% na criação de novas escolas no Brasil deste formato, em 2013. Porém, uma das barreiras para disseminar o ensino bilíngue no país está na dificuldade para encontrar profissionais especializados. Atualmente, as formações isoladas em Letras ou Pedagogia não suprem a demanda das instituições de ensino com essa metodologia. “A educação continuada tornou-se o caminho natural para os educadores investirem em seu desenvolvimento, mas ainda há poucas opções no país focadas na educação bilingue”, explica Camile.
 
Benefícios
Segundo estudo das psicólogas Ellen Bialystok e Michelle Martin-Rhee, realizado com crianças monolíngues e bilíngues, houve comprovação de que o segundo grupo é mais ágil para desenvolver exercícios que exijam raciocínio lógico. O resultado da pesquisa foi tema da matéria “Por que os Bilíngues são mais espertos”, do The New York Times. Outra pesquisa conduzida pela International School for Advanced Studies in Trieste, na Itália, mostrou que bebês de 7 meses expostos a duas linguagens são mais velozes no entendimento de exercícios. As crianças foram expostas a um áudio gravado e, na sequência, aparecia a imagem de um brinquedo no topo de uma tela. Todos os pequenos aprenderam a olhar para o local no qual o fantoche deveria estar antes de efetivamente aparecer. Contudo, ao mudar o local onde aparecia, as crianças bilíngues entenderam com mais facilidade a mudança no exercício.
 
Sobre o Colégio Positivo
O Colégio Positivo compreende quatro unidades na cidade de Curitiba, nas quais nasceu e se desenvolveu o modelo de ensino levado a todo o país e ao exterior. O Colégio Positivo Júnior, o Colégio Positivo – Jardim Ambiental e o Colégio Positivo – Ângelo Sampaio atendem alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, sempre combinando tecnologia aplicada à educação, material didático atualizado e professores qualificados, com o compromisso de formar cidadãos conscientes e solidários. Os alunos têm à sua disposição atividades complementares esportivas e culturais, assim como aulas de Língua Inglesa diferenciadas. Em 2013, foi lançado o Colégio Positivo Internacional, que atende alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, com uma proposta de aprendizado internacional. A nova unidade está localizada no Ecoville.
Sobre a Universidade Positivo
 A Universidade Positivo (UP) concentra, na Educação Superior, a experiência educacional de mais de quatro décadas do Grupo Positivo. A instituição teve origem em 1988 com as Faculdades Positivo, que, dez anos depois, foram transformadas no Centro Universitário Positivo (UnicenP). Em 2008, foi autorizada pelo Ministério da Educação a ser transformada em Universidade. Atualmente, oferece 54 cursos de Graduação (30 cursos de Bacharelado e Licenciatura e 24 Cursos Superiores de Tecnologia), três programas de Doutorado, quatro programas de Mestrado, centenas de programas de Especialização e MBA e dezenas de programas de Extensão. Em Curitiba, a UP conta com três campus: Ecoville, que ocupa uma área de 424,8 mil metros quadrados, Praça Osório, no centro da cidade, e Mercês – Catarina Labouré, este último dedicado ao curso de Enfermagem. Lançou, em 2013, seu programa de Educação à Distância, com dezenas de polos em todo o país. Segundo as avaliações do Ministério da Educação, é considerada uma das dez melhores universidades privadas do Brasil.

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*por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em transformação, e as habilidades necessárias para atuar em um mundo permeado por IA ainda estão sendo construídas — muitas delas nem sequer possuem nome ou classificação formal em códigos ocupacionais. Apesar da velocidade de adoção, existe uma contradição: o volume de investimento em IA nas empresas é desproporcional aos resultados efetivamente colhidos. Parte do problema está em tentar aplicar IA a processos que já não fazem mais sentido, em vez de repensar os fluxos de trabalho antes de automatizá-los. 88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas apenas 39% reportam qualquer impacto no EBIT — e a McKinsey estima que ~75% dos cargos precisam de reformulação fundamental. A adoção aconteceu; o redesenho do trabalho, não. (dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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