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Exportação recorde: rastreabilidade vira passaporte para frutas brasileiras conquistarem espaço no mercado internacional

Com avanço das exportações e aumento das exigências dos importadores, produtores investem em tecnologia para ampliar controle operacional, garantir conformidade e fortalecer competitividade global

As exportações brasileiras de frutas seguem em trajetória de crescimento. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o setor embarcou 330,6 milhões de quilos e movimentou US$ 351,1 milhões, avanço de 13% em volume e de 25% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). Manga, melão e limão estão entre os produtos que mais contribuíram para esse resultado.

O desempenho reforça uma tendência que vem transformando os bastidores da fruticultura nacional: para conquistar e manter espaço nos mercados internacionais, não basta produzir com qualidade. Cada vez mais, importadores exigem transparência, controle de processos e capacidade de comprovar a origem dos produtos ao longo de toda a cadeia produtiva.

A rastreabilidade tornou-se um requisito central nesse cenário. Além de atender a exigências regulatórias e sanitárias, ela permite documentar etapas de beneficiamento, armazenagem, transporte e expedição, oferecendo mais segurança aos compradores e maior previsibilidade aos exportadores.

O movimento acompanha a evolução do setor. Em 2025, as exportações brasileiras de frutas alcançaram US$ 1,45 bilhão, estabelecendo o terceiro recorde anual consecutivo, também segundo a Abrafrutas. O resultado consolidou o Brasil entre os principais fornecedores globais de frutas frescas evidenciou a crescente importância da gestão de informações nas operações de exportação.

Nesse contexto, a digitalização das etapas de pós-colheita tem ganhado protagonismo. Atividades antes controladas por planilhas ou processos manuais, como recebimento, classificação, beneficiamento, embalagem, armazenagem e expedição, passaram a exigir integração de dados e monitoramento em tempo real para atender aos padrões do comércio exterior.

“O mercado internacional busca previsibilidade, padronização e segurança. A rastreabilidade passou a ser uma condição de acesso aos mercados mais exigentes, pois permite demonstrar a conformidade de toda a cadeia produtiva e responder rapidamente às demandas dos compradores”, afirma Gustavo Almeida, Head de Agronegócio da Senior. 

A adoção de tecnologias voltadas à gestão das operações tem acompanhado essa demanda. Soluções especializadas para Packing House, por exemplo, permitem integrar processos, ampliar a rastreabilidade e aumentar a visibilidade sobre toda a operação pós-colheita.

Dados levantados pela Senior mostram a relevância desse controle em algumas das principais culturas exportadas pelo país. Entre as empresas que utilizam tecnologias da companhia estão operações responsáveis por aproximadamente 39% das exportações brasileiras de manga, 28% das de banana, 11% das de melancia, 9% das de melão e 8% das de uva fresca, considerando os volumes registrados em 2025.

Os números evidenciam o papel cada vez mais relevante  da digitalização em cadeias produtivas altamente dependentes de padronização, controle de qualidade e eficiência logística.

Além de cumprir requisitos regulatórios, a rastreabilidade tem sido utilizada como ferramenta estratégica de gestão. O acompanhamento detalhado das operações contribui para reduzir perdas, identificar gargalos, otimizar o aproveitamento dos lotes e aumentar a previsibilidade das entregas, fatores que impactam diretamente a competitividade dos exportadores.

Outra pesquisa da empresa aponta a presença dessas tecnologias em segmentos com forte expansão internacional. No primeiro trimestre de 2026, as empresas atendidas pela Senior responderam por 58% do volume de abacates exportado pelo Brasil. No mesmo período, a participação alcançou 14% das exportações de melão e 15% das de melancia.

Para Gustavo, a busca por transparência e segurança tende a se intensificar nos próximos anos. “A transformação digital das operações pós-colheita acompanha uma demanda cada vez maior dos mercados globais por rastreabilidade e confiabilidade das informações. Hoje, não se trata apenas de garantir conformidade regulatória, mas de gerar valor para toda a cadeia e fortalecer a posição da fruticultura brasileira no comércio internacional. A capacidade de comprovar a origem e a trajetória de cada lote tornou-se um diferencial competitivo para quem deseja crescer de forma sustentável no mercado externo”, conclui.

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