Felicidade corporativa: gestão de bem-estar vira foco de empresas

Atuar considerando a saúde e o bem-estar dos colaboradores dentro das organizações passa a ser condição necessária para garantir equipes mais equilibradas e, consequentemente, produtivas

Encontrar significado e propósito nas atividades desenvolvidas no dia a dia, em um ambiente saudável e positivo, com satisfação e reconhecimento. A descrição pode parecer um sonho distante, mas é uma forma humanizada de encarar as rotinas muitas vezes estressantes do mundo empresarial. Ao longo dos últimos anos, a chamada felicidade corporativa vem se tornando objetivo de muitas organizações que valorizam a saúde mental de seus colaboradores. 

Na Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos, há muitos anos as aulas do professor israelense Tal Ben-Shahar se tornaram um fenômeno ao falar sobre um dos conceitos mais simples e, ao mesmo tempo, mais difíceis do mundo: a felicidade. Para o pesquisador, a felicidade é a combinação de bem-estar físico, emocional, intelectual, relacional e espiritual. Ela também é um bem que só pode ser conquistado por meio do exercício da auto responsabilidade, ou seja, cada um é responsável por buscar as condições necessárias para ser mais feliz. No entanto, as organizações podem contribuir com alguns aspectos que influenciam diretamente o bem-estar de seus colaboradores.

De acordo com Gustavo Arns, criador do Congresso Internacional de Felicidade e uma das referências mundiais sobre o assunto, é papel da empresa oferecer um ambiente psicologicamente seguro e condições adequadas de trabalho. “Algumas instituições internacionalmente muito relevantes, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas (ONU) falam sobre felicidade como um bem tangível. Diversos países também têm políticas públicas tratando do tema”, destaca. 

É possível medir a felicidade?

O especialista explica que, embora pareça abstrata, a felicidade pode, sim, ser medida, e que a ONU, por exemplo, faz isso no World Happiness Report. Na edição de 2023, Finlândia, Dinamarca e Islândia aparecem como os países mais felizes do mundo. O Brasil ocupa a 49ª posição. Muitas empresas também realizam essa medição por meio de metodologias distintas. Uma delas é a Felicidade Interna Bruta (FIB), que leva em conta cálculos de bem-estar, governança, meio ambiente, saúde, padrão de vida, vitalidade comunitária, relacionamentos, uso do tempo, educação e cultura.

Mas e a felicidade nas empresas? Segundo a professora da Business School da Universidade Positivo, Fernanda Albanaz, “o conceito de felicidade corporativa também está relacionado à busca do alinhamento do propósito dos colaboradores com os da empresa, promovendo assim um ambiente no qual os colaboradores se sentem satisfeitos, engajados e motivados em suas atividades profissionais”.

Não é à toa que uma das categorias do Prêmio Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores (PEMCC) 2023 foi, justamente, a de “Felicidade Corporativa”. Disputada pela Gol Linhas Aéreas Inteligentes, empresa de aviação, Tecnobank, especializada em tecnologia para registro de contratos de financiamento de veículos, e Vale, tradicional empresa de mineração, a categoria foi vencida pela Tecnobank. Para a diretora de Gente & Gestão (RH) da empresa, Michaela Vicare, conquistar o troféu, depois de estar lado a lado com duas gigantes de suas áreas de atuação é o reconhecimento de um trabalho desenvolvido entendendo a importância das pessoas. “Começamos, há muitos anos, a buscar mais que apenas oferecer benefícios e a acompanhar de perto o quanto nossas equipes estavam satisfeitas com o trabalho que desempenhavam. Essa mudança na cultura organizacional permitiu uma melhoria significativa até mesmo no relacionamento entre as equipes”, detalha.

A importância de olhar para o ser humano

Não são poucas as empresas que relatam um aumento na produtividade e na satisfação dos clientes depois de implementar melhorias buscando a felicidade corporativa. No entanto, Arns lembra que esse deve ser um efeito colateral das políticas adotadas, e não o objetivo final. “O foco precisa estar no ser humano, em melhorar as condições de trabalho. Um livro lançado recentemente fala em ‘capital psicológico’ das empresas. É claro que, no longo prazo, isso contribui para o sucesso das organizações, mas o objetivo precisa ser o desenvolvimento de um ambiente capaz de gerar bem-estar e não adoecimento”, ressalta.

Michaela conta que, no caso da Tecnobank, o cuidado já está enraizado no cotidiano. “Temos um acompanhamento individualizado feito por profissionais junto a cada membro do time. As pessoas têm autonomia para sugerir mudanças e iniciativas em todas as áreas, inclusive relacionadas à forma como cada uma das funções é desempenhada”, relata. É assim que, há alguns anos, a empresa também está entre os vencedores do Great Place to Work (GPTW), premiação que reconhece os melhores lugares para se trabalhar no país.

Indicadores como a qualidade das interações humanas, a cultura e o clima organizacional também precisam ser levados em conta ao medir a felicidade dentro de uma corporação. “Quando a percepção dos colaboradores em relação à empresa é negativa, consequentemente haverá impacto na felicidade corporativa. Por isso, é importante que a empresa promova uma comunicação aberta e transparente, de modo que os funcionários possam contribuir para a construção de um ambiente positivo e saudável para todos”, finaliza Fernanda Albanaz.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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