Iniciativas de desospitalização garantem mais qualidade de vida para processo de reabilitação de pacientes do SUS

Prática permite que pacientes recebam alta para continuar tratamento e recuperação em casa, com foco na humanização

Muitos pacientes que passam por um hospital percorrem um caminho quase obrigatório: exames médicos, cirurgia e internamento para tratamento com medicamentos. Mas experiências sugerem que, com segurança assistencial e olhar focado no paciente, pode existir um atalho até a alta hospitalar. A substituição do leito pelo cuidado domiciliar tem sido uma alternativa implantada por um hospital SUS de Curitiba (PR) para garantir um processo de reabilitação mais humanizado. Retirar o paciente do ambiente hospitalar diminui os riscos de infecção e promove mais qualidade de vida, além de ser uma alternativa de redução dos elevados custos da internação para o Sistema Único de Saúde. Por isso, a desospitalização e a continuidade do tratamento diretamente de casa são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Quanto menos tempo de internamento, melhor. Essa é a regra que norteia o trabalho de profissionais da saúde do Hospital Universitário Cajuru, ao desospitalizar pacientes que já estão em condições de alta, mas permanecem internados para a administração de antibióticos. A recomendação não decorre apenas da vontade do paciente, mas, sim, de uma indicação médica, principalmente ao se tratar de doentes crônicos. “Quando o paciente vai mais cedo para casa, tem menos risco de complicações, consegue estar mais próximo da família e, ainda, libera leitos para outras pessoas que estão numa fila de espera”, explica o médico infectologista Felipe Tuon, responsável pela prática no hospital filantrópico e 100% via SUS.

Todos saem ganhando

De acordo com o Relatório Anual de Gestão do Ministério da Saúde, o gasto total do SUS com internações hospitalares passou de R$ 33,8 bilhões ao longo de 2020. Nesse cenário, a desospitalização é considerada uma alternativa efetiva e segura para aliviar os gastos elevados com saúde pública e levar mais humanização para os pacientes. Difundir a utilização de antibióticos intravenosos para pacientes em casa ou fora do hospital – OPAT, na sigla em inglês – traz benefícios tanto para os pacientes quanto para os hospitais. “No Hospital Universitário Cajuru, a iniciativa permitiu economizarmos entre 300 e 800 diárias por mês. Isso é resultado de um trabalho construído por muitas mãos, com o esforço de vários profissionais”, detalha Tuon.

Ao permitir um processo mais saudável de reabilitação, a redução do tempo de internação é especialmente importante para pacientes idosos. Isso porque o avanço da idade traz uma série de alterações para o organismo, deixando-o mais frágil e vulnerável a infecções. “Ficar menos tempo internado tende a oferecer um processo mais saudável de reabilitação para pessoas idosas, que são pacientes mais debilitados, não só fisicamente, como emocionalmente também, sendo assim, precisam de um espaço familiar e acolhedor, a fim de proporcionar uma recuperação mais assertiva”, afirma a farmacêutica clínica do hospital, Dayana Oliveira.

“O apoio do farmacêutico é um ponto fundamental para que a desospitalização seja uma realidade, porque é esse profissional que será responsável pela orientação de familiares e pacientes sobre a continuidade do tratamento de antibióticos direto de casa, seja com antimicrobianos de uso intravenoso ou oral”, pontua a farmacêutica. “Para consolidar essa prática, é preciso estimular as equipes médicas, de enfermagem e da administração hospitalar sobre a importância da desospitalização, para garantir a disponibilidade do farmacêutico clínico no gerenciamento de antimicrobianos na alta de pacientes”, finaliza o médico infectologista.

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