Liderança na pandemia: os gestores também precisam de direcionamentos

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*Ozires Oliveira

O grau de incerteza que estamos vivenciando atualmente pode ser considerado o principal desafio dos gestores no ambiente corporativo. Naturalmente, os nossos colaboradores buscam, em essência, fazer parte de uma equipe colaborativa e que, sobretudo, seja conduzida pelos princípios da liderança ética e inspiradora.

Porém, é importante evidenciar que mesmo as lideranças enfrentam sérias dificuldades do ponto de vista prático, pois, muitas vezes, não são capacitados para a gestão remota. A responsabilidade pelas entregas, o esforço para manter a comunicação, o autogerenciamento, os dilemas pessoais e a preocupação com os membros da equipe podem, em alguns casos, representar obstáculos que o impedem de avaliar o cenário empresarial de maneira adequada.

Neste sentido, torna-se cada vez mais evidente que não priorizar a gestão de pessoas pode de alguma forma aprofundar a crise de liderança que algumas corporações enfrentam. Tendo em conta que a construção de modelos de avaliação e feedback ocorrem ao longo do tempo, em situações de crise podemos colher bons frutos e encontrar mais rapidamente um ponto de equilíbrio no desempenho do grupo.

Na contramão deste mesmo raciocínio, aqueles que não tiveram foco no estabelecimento de uma relação de confiança e troca mútua certamente terão maiores dificuldades de se adaptar e responder corretamente aos anseios da equipe e da alta direção. É fato que os desafios são imperativos e que as incertezas permeiam todos os âmbitos da nossa vida, no entanto, é extremamente relevante exercitar habilidades como a paciência, resiliência, flexibilidade e capacidade de rápida adaptação.

Empresas têm objetivos organizacionais distintos, desta forma não podemos cair no engano de supor que as mesmas ações e condutas são de eficácia universal. Muitas vezes, encontramos diferentes realidades em setores de uma mesma empresa, o que reforça a necessidade de avaliação caso a caso.

Um dos grandes medidores de desempenho e também termômetro de uma empresa é o feedback, processo em que gestores e colaboradores se reúnem para, juntos, entenderem o cenário da instituição e buscarem soluções para questões individuais e coletivas. Porém, muitos gestores têm enfrentado dificuldades para estabelecer o processo de feedback durante o distanciamento social. Para isso, algumas dicas úteis na estruturação e condução do diálogo são:

1)  Estabeleça uma agenda de feedback com base em prioridades;

2)  Procure avaliar bem o melhor horário para estabelecer conexão com o colaborador. O trabalho remoto impôs desafios que muitas vezes alteram a rotina das pessoas. Seja generoso e flexível no agendamento;

3) Considere a possibilidade de falhas técnicas, encare isso de maneira natural. Caso não tenha um plano B, sempre é possível reagendar;

4) A dica de ouro é, antes de mais nada, procurar descontrair e entender como o seu colaborador está se sentindo, como está a sua motivação;

5) A preocupação genuína com a saúde do colaborador e da empresa certamente é marca dos líderes inovadores, portanto, seja você mesmo. Mobilize os seus conhecimentos, pratique a escuta ativa e estabeleça conexão com o seu interlocutor;

6) O principal objetivo do feedback é contribuir para a melhoria do desempenho e crescimento pessoal e corporativo. Dissemine esta cultura e aos poucos o “dar e receber feedback” se tornará um processo prazeroso, ainda que seja na telinha do computador.

*Ozires Pereira de Oliveira é gerente de Serviços no Instituto das Cidades Inteligentes

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
ARTIGO: Mentalidade AI First: cinco skills fundamentais para os gestores de RH desenvolverem ainda este ano

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