Mais de 40% dos profissionais consideram pedir demissão se obrigados a retornar ao escritório todos os dias

Especialista diz que flexibilidade é essencial para manter competitividade, atrair e reter talentos

Uma pesquisa realizada pela empresa Offerwise, a pedido do QuintoAndar e Imovelweb, revelou que 43% dos entrevistados afirmaram que deixariam os empregos atuais caso tivessem que ir à empresa todos os dias. O levantamento foi feito em todas as capitais do país e entrevistou pessoas com 18 anos ou mais.

Para o doutor em Administração e professor do mestrado e doutorado em Administração da Universidade Positivo (UP), Fábio Vizeu, o trabalho remoto é um caminho sem volta. “Apesar do desafio de se adaptar e ajustar a cultura organizacional após a pandemia, ficou claro que o trabalho remoto é uma maneira interessante de otimizar os recursos humanos das organizações”, afirma.

Ele enfatiza que, apesar de o trabalho remoto ser feito fora do ambiente tradicional, é preciso fazer algumas adaptações. “A principal mudança é encontrar um espaço adequado em casa, um cômodo que proporcione as condições ideais para o trabalho. Além disso, o colaborador precisa compreender a importância de manter em casa a mesma rotina e atitude que teria se estivesse nas dependências da empresa.”

Limites no trabalho remoto

Um dos desafios cruciais é estabelecer limites entre a vida profissional e pessoal. “Quando se trabalha em casa, é fácil ceder à tentação de trabalhar além do horário ou lidar com demandas domésticas durante as horas de trabalho. Isso pode levar a problemas de produtividade, estresse e até mesmo esgotamento profissional”, destaca o professor.

Para evitar tais problemas, é importante estabelecer limites claros com a família e colegas de trabalho. “Defina horários específicos para trabalhar e descansar, encontre um espaço dedicado ao trabalho em casa, comunique-se com a família e colegas sobre seus horários, e não hesite em dizer não quando solicitado a realizar tarefas durante os períodos de descanso. Ao estabelecer limites claros, você pode aproveitar os benefícios do trabalho remoto sem prejudicar a vida pessoal”, orienta o especialista. 

Flexibilidade no trabalho

O resultado da pesquisa que revela que os trabalhadores brasileiros preferem o trabalho remoto ao presencial já era esperado, segundo Vizeu, pois o trabalho remoto oferece uma série de benefícios, tanto para as empresas quanto para os funcionários. “Para as empresas, o trabalho remoto pode gerar economia de custos, aumento de produtividade e redução da rotatividade”, explica. “Já para os colaboradores, oferece flexibilidade, melhoria na qualidade de vida e redução de estresse”, enumera. “A liberdade para escolher os horários de trabalho, desde que as metas da empresa sejam cumpridas, assim como a liberdade para escolher o local de trabalho, contando que haja acesso à internet e a um computador, proporciona a liberdade de conciliar o trabalho com a vida pessoal. Essa autonomia pode resultar em maior satisfação profissional e mais qualidade de vida”, ressalta o especialista.

Trabalho híbrido como solução

O trabalho híbrido é uma modalidade que combina elementos do trabalho remoto e presencial. Essa abordagem visa atender às necessidades dos trabalhadores que buscam flexibilidade, mas também valorizam o contato pessoal. No modelo híbrido, os colaboradores dividem o tempo entre o remoto e o presencial, com a proporção variando de acordo com as demandas da empresa e as preferências individuais.

Empresas que adotam o trabalho híbrido podem colher benefícios como a redução de custos e o aumento da produtividade. Já para os trabalhadores, essa modalidade oferece vantagens como flexibilidade, melhoria na qualidade de vida e a oportunidade de manter o contato presencial. “O trabalho remoto é uma tendência que veio para ficar. As empresas que desejam permanecer competitivas precisam proporcionar flexibilidade aos funcionários”, enfatiza Vizeu.

Sobre a Universidade Positivo

A Universidade Positivo é referência em Ensino Superior entre as IES do Estado do Paraná e é uma marca de reconhecimento nacional. Com salas de aula modernas, laboratórios com tecnologia de ponta e mais de 400 mil metros quadrados de área verde no campus sede, a Universidade Positivo é reconhecida pela experiência educacional de mais de três décadas. A Instituição conta com três unidades em Curitiba (PR) e uma em Londrina (PR), e mais de 70 polos de EAD no Brasil. Atualmente, oferece mais de 60 cursos de graduação, centenas de programas de especialização e MBA, cinco programas de mestrado e doutorado, além de cursos de educação continuada, programas de extensão e parcerias internacionais para intercâmbios, cursos e visitas. Além disso, tem sete clínicas de atendimento gratuito à comunidade, que totalizam cerca de 3.500 metros quadrados. Em 2019, a Universidade Positivo foi classificada entre as 100 instituições mais bem colocadas no ranking mundial de sustentabilidade da UI GreenMetric. Desde março de 2020 integra o Grupo Cruzeiro do Sul Educacional. Mais informações em up.edu.br/

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*por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em transformação, e as habilidades necessárias para atuar em um mundo permeado por IA ainda estão sendo construídas — muitas delas nem sequer possuem nome ou classificação formal em códigos ocupacionais. Apesar da velocidade de adoção, existe uma contradição: o volume de investimento em IA nas empresas é desproporcional aos resultados efetivamente colhidos. Parte do problema está em tentar aplicar IA a processos que já não fazem mais sentido, em vez de repensar os fluxos de trabalho antes de automatizá-los. 88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas apenas 39% reportam qualquer impacto no EBIT — e a McKinsey estima que ~75% dos cargos precisam de reformulação fundamental. A adoção aconteceu; o redesenho do trabalho, não. (dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
ARTIGO: Mentalidade AI First: cinco skills fundamentais para os gestores de RH desenvolverem ainda este ano
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