Múltiplos braços, toques individuais: por um SUS cada vez mais humanizado

Juliano Gasparetto*

O que constitui o SUS? Unidades de saúde, pronto-socorros, medicamentos, vacinas, curativos, macas e respiradores. No entanto, apesar dessa estrutura indispensável, a grandeza de um sistema como esse vai muito além. A verdadeira essência está nas pessoas que fazem o SUS acontecer e permitem que ele seja parte viva de uma nação inteira. Previsto na Constituição de 1988, regulamentado em lei dois anos depois e inspirado, especialmente, no modelo do National Health Service britânico, o Sistema Único de Saúde chega até os mais distantes rincões de um país com tamanho continental. Isso já é suficiente para entender sua importância, especialmente se considerarmos que dois terços dos 203 milhões de brasileiros dependem dele para, literalmente, viver. Como uma ponte entre nações, o SUS é um testemunho de que podemos aprender com o mundo, criar algo único para o nosso povo e, então, nos transformarmos em referência para outros países.

E quando falamos em único, a interpretação deve ir além de um sistema universal para todos os brasileiros. Antes de mais nada, devemos pensar que ele precisa ser único para cada indivíduo. Estar em todos os cantos do Brasil, muitas vezes como única opção de atendimento, confere a cada participante desse sistema o papel de um agente transformador na vida de cada brasileiro tocado. São pacientes que encontram mais do que tratamento, mas também descobrem um espaço de escuta e acolhimento. 

Mesmo que já houvesse razões de sobra para que todos os brasileiros se orgulhassem do Sistema Único de Saúde, a pandemia de covid-19 veio para provar a importância de contar com um sistema tão abrangente e capilarizado. Seguramente uma das maiores conquistas civilizatórias da sociedade brasileira, o SUS organizou a campanha nacional de vacinação com ampla adesão popular, garantindo índices de imunização contra a covid-19 muito maiores do que em vários países mais desenvolvidos. Em meio a tantos desafios impostos pela mais grave emergência sanitária desde a gripe espanhola, seus pontos essenciais só foram realçados em um país com desigualdades sociais e econômicas tão profundas como o Brasil. 

A rede de ações e serviços que compõem o SUS não caberia em um único texto. Entre os destaques, que não podem ser deixados de fora, está o programa público de transplantes de órgãos mais abrangente do planeta. Desde a organização da lista de espera por um órgão, passando pelos exames preparatórios até o fornecimento de medicamentos pós-transplante, todo o processo é gerenciado pelo Sistema Único de Saúde. Com cerca de 87% dos transplantes de órgãos feitos com recursos públicos, o Brasil é o segundo maior transplantador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. E o nosso protagonismo só é possível porque temos o SUS para tecer histórias de esperança e permitir que a vida tenha novos começos. 

Em 33 anos de uma árdua trajetória, o SUS continua em pé, firme e forte. O sistema é o único refúgio para sete em cada dez brasileiros que precisam de cuidados médicos, um número que tende a aumentar devido aos efeitos econômicos da pandemia. Trata-se do maior sistema de saúde universal e gratuito do mundo, assim reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em um cenário como esse, qualquer barreira geográfica, econômica e social deve ser quebrada em prol de um atendimento igualitário e humanizado. Nas entranhas de hospitais, aqueles que vestem jalecos brancos já sabem que o cuidado precisa ultrapassar os protocolos clínicos, estendendo-se ao toque suave de uma mão e às palavras que trazem conforto. 

Sem esquecer do chão que percorremos até aqui, devemos resgatar as razões iniciais para a existência do SUS e avaliar qual o melhor rumo a tomar. De fato, é hora de promover o cuidado integral, que resolva as raízes dos problemas e, ao mesmo tempo, promova o bem-estar como um todo. Detalhes que podem parecer pequenos, mas que fazem toda a diferença na adesão ao tratamento e no resultado clínico. Frente aos desafios inerentes da saúde pública, nossa maior vitória será transformá-los em oportunidades para construir um sistema mais resiliente, humanizado e acessível. 

A conquista de um sistema de saúde público e universal não pode se encerrar com a sua criação. Ao contrário, é preciso ações e políticas constantes de aperfeiçoamento e fortalecimento do SUS. Mesmo assim, os novos e velhos desafios não podem ofuscar a grandeza e relevância do Sistema Único de Saúde para a população brasileira. É tempo de reforçarmos nosso compromisso com o futuro, em que o cuidado humanizado é a regra, a compaixão é a força motriz e o SUS é o maior tesouro nacional. Mais do que as palavras bonitas no papel, as boas práticas precisam fazer parte do dia a dia de quem está na linha de frente e vivenciadas pelos pacientes que chegam para receber atendimento. É na implementação concreta e na experiência cotidiana que o verdadeiro valor da saúde pública se revela. 

Não podemos nos esquecer que os múltiplos braços desse sistema servem para alcançar os pontos mais distantes, mas também para tocar de maneira suave e individual aqueles que mais precisam.

* Juliano Gasparetto é diretor-geral do Hospital Universitário Cajuru

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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