No Oscar, Leonardo DiCaprio chama atenção para mudanças climáticas

Assunto debatido por ambientalistas ganha os holofotes em Hollywood

A grande expectativa para a premiação de Leonardo DiCaprio na 88ª edição do Oscar, após anos de indicações e rejeições pela Academia, deu lugar à repercussão do discurso de premiação do ator, que chamou a atenção para uma causa que ele enfrentou na pele durante a gravação do premiado “O Regresso”: as mudanças climáticas. Para produzir o longa-metragem com luz natural, a equipe do filme percorreu os hemisférios norte e sul em busca de locações com neve para concluir as gravações, que começaram no Canadá, na América do Norte, e terminaram na Patagônia, extremo sul da América do Sul.
De acordo com Leonardo DiCaprio, a dificuldade enfrentada durante a produção foi causada, em grande parte, pelos impactos das mudanças no clima do planeta. “O Regresso fala sobre a relação do homem com a natureza, um mundo que teve em 2015 o ano mais quente já registrado. Nossa produção teve que se mudar para a parte mais ao sul do planeta só para achar neve. A mudança climática é real. Está acontecendo agora”, afirmou o ator, na noite do Oscar.
Na opinião de Rachel Biderman, diretora do World Resources Institute (WRI – Brasil) e membro da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza (RECN)*, não faltam provas da crise climática e sua ligação à ação humana. “As maiores evidências são o derretimento do gelo nos polos e topos de grandes cadeias montanhosas, a elevação do nível do mar pelo excesso de água do derretimento do gelo, o consequente desaparecimento de ilhas (e países ilha), o surgimento de ‘refugiados do clima’ a pedirem asilo, secas extremas, inundações e furacões descontrolados”, explica. Segundo ela, doenças tropicais em ascensão, como a dengue, também servem de exemplos reais do que antes só a ficção trazia.
Embora cientistas afirmem que o clima sofre mudanças em intervalos de aproximadamente 30 anos, os efeitos das mudanças climáticas ocorrem em intervalos menores e podem ser bem perceptíveis. Para Rafael Loyola* – diretor do Laboratório de Biogeografia da Conservação e professor da Universidade Federal de Goiás e membro da RECN* –, o exemplo mais claro são as mudanças e intensificação de extremos do tempo. “Sabe quando você ouve falar que choveu em duas horas o que era esperado para o mês inteiro? Ou que esse é o terceiro ano mais quente registrado desde 1950 na sua cidade? Isso são efeitos previstos pelos cientistas das mudanças climáticas”, analisa ele.
Chamar a atenção para a causa defendida por muitos é um dos caminhos para frear os danos causados ao ambiente. Outras iniciativas como a conservação das áreas naturais do planeta e a redução do desmatamento e degradação são opções eficazes e urgentes para combater as mudanças climáticas, pois a vegetação nativa contribui para a retirada do gás carbônico da atmosfera e estoca o carbono (grande vilão do aquecimento global) sob a forma de folhas, troncos e raízes. Loyola explica que a natureza oferece serviços que são muito caros, nos dois sentidos da palavra, ao ser humano: “para barrar o aumento do nível do mar seria preciso construir diques, que são caros e complexos; no entanto, os manguezais fazem isso de graça, desde que sejam preservados”.
Mas boas iniciativas e defensores da causa não faltam. “Que DiCaprio possa ter despertado os que ainda não acordaram para a necessidade de ação urgente. Bom seria que ele fosse finalmente ouvido pela sociedade como foi finalmente reconhecido por sua atuação pela Academia”, conclui Rachel Biderman.
*Rachel Biderman e Rafael Loyola são membros da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. 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