Oceanos brasileiros são foco de parceria nacional para proteção

[flgallery id=1422 /]

IX CBUC terá espaço para discussão sobre problemas, desafios e oportunidades na conservação de áreas marinhas, e as contribuições preliminares podem ser enviadas até 08 de abril

 

No momento em que a conservação de áreas marinhas no Brasil ganha destaque, o debate sobre o assunto se faz cada vez mais necessário. O fato que colocou o tema em evidência recentemente foi a criação pelo Governo Federal de dois conjuntos de unidades de conservação marinhas (UCs) – nos arquipélagos Trindade e Martim Vaz (ES) e São Pedro e São Paulo (PE), que são os pontos mais remotos do território nacional. Tal aprovação esquentou as discussões sobre o tema e torna ainda mais pertinente a proposta da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza de formar com diversos atores públicos e privados uma parceria nacional destinada à conservação dos oceanos, que tem como um dos marcos o Simpósio “Ações integradas pela conservação dos oceanos”, do IX Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC).
Em relação às novas UCs marinhas, ao todo são duas novas áreas em cada arquipélago: uma de maior extensão e de proteção menos restrita e outra menor com proteção integral da biodiversidade. Juntas, as quatro UCs somam 92 milhões de hectares (maior que a dos estados Goiás e Minas Gerais juntos) e aumentam o índice de área marinha brasileiras protegidas de 1,5% a 25%. No entanto, há muito o que fazer ainda nos ecossistemas marinhos e costeiros brasileiros, de acordo com especialistas. “A criação dessas unidades de conservação é positiva sim, mas o Brasil precisa evoluir na sua implementação e também reavaliar um aumento das áreas de proteção integral para garantir a conservação de ambientes sensíveis”, avalia Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário – instituição que apoiou financeiramente grande parte dos estudos que permitiram tornar conhecida a biodiversidade em Trindade e Martim Vaz.
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) trazem um plano de ação para um mundo melhor com metas a serem alcançadas por todos os países até 2030. Nesse sentido, o ODS nº 14 (Vida Subaquática) busca a conservação e o uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Uma série de metas é proposta para essa agenda, dentre elas, a 14.5 dita que, até 2020, pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas devem estar protegidas de acordo com a legislação nacional e internacional. A mesma percentagem de proteção é proposta no ponto número 11 das Metas de Aichi proposta pela Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica (CDB). “O Brasil se comprometeu a cumprir ambas as metas e, apesar de tê-las superado numericamente ao alcançar os 25% de proteção de sua área marinha total, ainda há muitos desafios; afinal, diversos tipos de ecossistemas costeiros e marinho carecem de cuidados e contam com menos de 10% de proteção, como os mangues”, ressalta Nunes.
Nesse cenário, a Fundação Grupo Boticário promove discussão sobre os principais desafios ao alcance do ODS 14.5 e da Meta de Aichi 11 no Brasil, durante um dos mais importantes encontros internacionais sobre áreas protegidas e conservação da natureza da América Latina: o IX Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC). Com o tema “Ações integradas pela conservação dos oceanos”, a Fundação Grupo Boticário – em parceria com o Painel Brasileiro para o Futuro do Oceano (PainelMar) e o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo – irá realizar um Simpósio para debater o assunto. “A proposta desse encontro é elevar a discussão sobre criação e implementação de unidades de conservação marinhas a um novo patamar. Haverá a participação de diferentes atores, entre eles instituições de pesquisa, Governo, Ministério Público e sociedade civil, que poderão  apontar oportunidades e desafios nesse tema”, comenta o coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Emerson Oliveira.
Mesa redonda
O Simpósio “Ações integradas pela conservação dos oceanos” tem como objetivo gerar resultados práticos para discussões em torno da criação de unidades de proteção integral nos ambientes marinhos e costeiros. Para isso, antes da realização do evento, a Fundação Grupo Boticário abriu uma consulta pública – por meio de um formulário online – para que pessoas físicas ou jurídicas ligadas à área ambiental possam contribuir identificando problemas, desafios e oportunidades. Até o dia 08 de abril os interessados podem enviar suas ideias que serão unificadas em um documento e debatidas durante o evento.
Segundo Oliveira, existe no Brasil um grande desafio na conservação marinha com diferentes frentes regulatórias. “No sentido de controle é tudo muito desconexo. São diversos atores envolvidos que não conversam entre si. Nossa intenção aqui é justamente facilitar esse encontro para que se consiga juntar todas as ideias e sugestões em um único documento que poderá facilitar o acompanhamento dessas ações no futuro”, conta.
Além do IX CBUC, outra ação da Fundação Grupo Boticário neste ano será focada nos oceanos. O edital de apoio financeiro a projetos de conservação da natureza do segundo semestre de 2018 será específico para área costeira e marinha – as inscrições iniciam em julho e encerram em 31 de agosto, e poderão ser realizadas no site www.fundacaogrupoboticario.org.br> editais.
 
Sobre o IX CBUC
O IX Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), realizado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, é um dos mais importantes fóruns da América Latina sobre áreas protegidas, seus desafios e sua importância para a sociedade.
Em sua nona edição, o encontro acontece em Florianópolis, entre 31 de julho a 2 de agosto de 2018, e terá como tema “Futuros Possíveis: Economia Natureza”. Paralelamente outros dois eventos são realizados de forma simultânea: o Simpósio Internacional de Conservação da Natureza e a Mostra de Conservação da Natureza. Assim, a programação será abrangente, incluindo conferências, palestras e simpósios, além de mostras que possibilitarão ao público presente ter contato com iniciativas e projetos inovadores.
Os valores da inscrição são de R$ 600 (inteira) e R$ 300 (meia-entrada) até 15 de maio; e entre 16 de maio e 19 de julho os valores passam para R$ 800 (inteira) e R$ 400 (meia-entrada). No dia do evento as inscrições serão R$ 1.000 (inteira) e R$ 500 (meia-entrada), mediante disponibilidade de vagas. As categorias válidas para meia-entrada são: estudantes, idosos, portadores de deficiência, jovens carentes de 15 a 29 anos, doadores de sangue; funcionários públicos de órgãos ambientais; profissionais de ONGs; e proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).
A programação do IX CBUC está disponível no site www.fundacaogrupoboticario.org.br/cbuc.
Sobre a Fundação Grupo Boticário
A Fundação Grupo Boticário é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. A Fundação Grupo Boticário apoia ações de conservação da natureza em todo o Brasil, totalizando mais de 1.500 iniciativas apoiadas financeiramente. Protege 11 mil hectares de Mata Atlântica e Cerrado, por meio da criação e manutenção de duas reservas naturais. Atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e nas políticas públicas, além de contribuir para que a natureza sirva de inspiração ou seja parte da solução para diversos problemas da sociedade. Também promove ações de mobilização, sensibilização e comunicação inovadoras, que aproximam a natureza do cotidiano das pessoas.

Share:

Latest posts

Ganhador-poupanca-cianorte - -Jhon-Marlon-Feltrin-Prodentes - -eletricista-industrial (1)
Sicredi já distribuiu mais de R$ 3 milhões em prêmios para estimular o hábito de poupar
LORD-KRONY
Hard Rock Cafe Curitiba recebe espetáculo em homenagem a Freddie Mercury e o Queen
Bem-estar (1)
Bem-estar emocional como foco no ambiente de trabalho: mudanças na NR-1 colocam a saúde mental como pilar essencial nas estratégias corporativas

Sign up for our newsletter

Acompanhe nossas redes

related articles

Ganhador-poupanca-cianorte - -Jhon-Marlon-Feltrin-Prodentes - -eletricista-industrial (1)
Sicredi já distribuiu mais de R$ 3 milhões em prêmios para estimular o hábito de poupar
Mais de 400 associados já foram contemplados em 2026 na campanha Poupança Premiada, que segue até dezembro...
Saiba mais >
LORD-KRONY
Hard Rock Cafe Curitiba recebe espetáculo em homenagem a Freddie Mercury e o Queen
Freddie-Verso, apresentado por Lord Krony, reúne clássicos da banda em noite dedicada ao legado do cantor O...
Saiba mais >
Bem-estar (1)
Bem-estar emocional como foco no ambiente de trabalho: mudanças na NR-1 colocam a saúde mental como pilar essencial nas estratégias corporativas
Modelo cooperativista se destaca pelo pioneirismo em ações voltadas ao bem-estar emocional dos colaboradores O...
Saiba mais >
*por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em transformação, e as habilidades necessárias para atuar em um mundo permeado por IA ainda estão sendo construídas — muitas delas nem sequer possuem nome ou classificação formal em códigos ocupacionais. Apesar da velocidade de adoção, existe uma contradição: o volume de investimento em IA nas empresas é desproporcional aos resultados efetivamente colhidos. Parte do problema está em tentar aplicar IA a processos que já não fazem mais sentido, em vez de repensar os fluxos de trabalho antes de automatizá-los. 88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas apenas 39% reportam qualquer impacto no EBIT — e a McKinsey estima que ~75% dos cargos precisam de reformulação fundamental. A adoção aconteceu; o redesenho do trabalho, não. (dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
ARTIGO: Mentalidade AI First: cinco skills fundamentais para os gestores de RH desenvolverem ainda este ano
*por Juliana Maria – head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em...
Saiba mais >