Presidente Bolsonaro, não junte meio ambiente e agropecuária num único ministério

*Braulio Ferreira de Souza Dias

Agropecuária e meio ambiente são duas agendas prioritárias e estratégicas para o Brasil. O Brasil é reconhecido nacional e internacionalmente pela pujança de sua natureza e recursos naturais e pela excelência da sua agropecuária. Somos reconhecidos como campeões mundiais de conservação da natureza e da biodiversidade e da produção de alimentos. O mundo inteiro olha para o Brasil como solução para a segurança alimentar da crescente população mundial, para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas (com captura de carbono em reflorestamentos e restauração de ecossistemas degradados e com uso de recursos genéticos para o desenvolvimento de novas cultivares e raças domesticadas adaptadas) e para a manutenção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos associados. As duas agendas oferecem enormes oportunidades para o Brasil.
O Brasil se diferencia dos demais países por ser o campeão mundial em biodiversidade (número 1 entre os países megadiversos), campeão mundial em água doce junto com o Canadá, detentor da maior floresta tropical do mundo (a floresta Amazônica), detentor da maior área de solos agricultáveis nos trópicos etc. Os cuidados com o meio ambiente no Brasil não podem, portanto, nivelar-se por baixo com aqueles de outros países que não possuem estas riquezas. Estas riquezas representam tanto responsabilidades como oportunidades.
O Brasil possui boa legislação e políticas ambientais e agrícolas e tanto o seu meio ambiente como sua agropecuária se beneficiam de sólida base científica (o Brasil é responsável por cerca de 10% da pesquisa científica mundial sobre agricultura tropical e por cerca de 10% da pesquisa científica mundial sobre biodiversidade e conservação, apesar de em média só contribuir com 2% da pesquisa científica mundial em todas as áreas da ciência). Aliás, biodiversidade, agropecuária e biotecnologia juntos têm alto potencial de agregação de valor à pauta de exportação brasileira e gerar empregos e renda!
Apesar de parecer para os leigos que as políticas de agropecuária e de meio ambiente no Brasil estejam frequentemente em conflito, isso não procede – na sua maior parte essas políticas apoiam-se e beneficiam-se mutuamente. Destaque-se que as políticas e ações de conservação concentram seus esforços na região Amazônica enquanto que as políticas e ações da produção agropecuária concentram-se nos demais biomas brasileiros. Mas não se pode fazer nada no setor agropecuário sem água, solos férteis, recursos genéticos, polinizadores, agentes de controle biológico de pragas e doenças, agentes biológicos responsáveis pela ciclagem de nutrientes nos solos, redução dos efeitos de eventos climáticos extremos (como secas e enchentes) promovidos pelas florestas e áreas úmidas. Por outro lado, não alcançaremos a conservação da biodiversidade e redução do aquecimento global sem a contribuição da agropecuária.
Faz sentido, portanto, que meio ambiente e agricultura trabalhem cada vez mais de forma sinérgica. Mas existem poucos exemplos de países que tratam destas duas agendas em um mesmo ministério – o Reino Unido sendo o principal exemplo. Mas comparar a complexidade e dimensão destas agendas no Brasil com a situação no Reino Unido, que me desculpem meus amigos britânicos, é totalmente inapropriado.
Considero que seria um grande erro fundir os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura e Pecuária no novo governo especialmente porque a agenda ambiental é muito mais ampla que suas relações com a agropecuária. O Ministério do Meio Ambiente e seus cinco institutos vinculados (IBAMA, ICMBio, SFB, JBRJ e ANA) atuam na interface com muitos setores além da agropecuária, incluindo saúde, energia, mineração, petróleo e gás, indústria, infraestrutura, transporte, saneamento e oceanos. A inclusão da agenda ambiental dentro de um mesmo ministério para tratar da agenda agropecuária seria um grande dreno das energias e atenções que deveriam ser dedicadas à promoção da produção agropecuária e de igual modo a necessidade de atenção à agenda agropecuária limitaria grandemente a atenção que deveria ser dada à agenda ambiental.
Não consigo imaginar um ministro responsável pela política agropecuária no Brasil tendo que dedicar grande parte de seu tempo para cuidar de questões, emergências e desastres ambientais nos setores de saúde, energia, mineração, petróleo e gás, indústria, infraestrutura, transporte, saneamento e oceanos. Mesmo se for um super-herói, dificilmente este ministro será lembrado no futuro como um bom ministro, seja de Meio Ambiente seja de Agricultura!
Certamente, ambas as agendas têm de ser aperfeiçoadas continuamente, mas o melhor caminho para promover tais aperfeiçoamentos certamente não seria a fusão das duas pastas e sim a promoção de políticas públicas melhores coordenadas e a priorização dos instrumentos de políticas públicas que necessitam revisão. A fusão das duas pastas num único ministério representaria um grave risco de retrocesso para duas agendas estratégicas nas quais o Brasil é reconhecido amplamente como campeão! Por que correr estes riscos? O custo certamente será maior que eventuais economias e benefícios.
 
*Braulio Ferreira de Souza Dias é professor adjunto de ecologia da Universidade de Brasília, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, ex-Secretário Executivo da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica, ex-Secretário Nacional de Biodiversidade e Florestas no Ministério do Meio Ambiente, vice-presidente do conselho da Bioversity International.

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Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. 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