Quem não gosta de agosto?

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*Por Daniel Medeiros

Agosto já nasceu meio gauche: Otávio Augusto quis um mês com seu nome, meio invejoso com Júlio César, que já tinha o seu. Resolveu chamar o mês sextilis de seu e deu-lhe o nome de agosto. E ainda acrescentou um dia a mais, para não ficar menor que o julho do Júlio. Daí esses serem os dois únicos meses consecutivos com 31 dias. Mas em julho tem as férias escolares. Já agosto, que desgosto.
Como sabemos, agosto não tem feriado. Tá certo que dia primeiro é o dia do selo e que o dia 5 é o dia do Santo Osvaldo de Nortúmbria. Aliás, dia 6 é o dia de São Salvador do Mundo. Outro importante destaque é o dia 13, que é o dia do canhoto. E quando dia 13 cai na sexta feira, é um dos dias mais azarados do ano. Mas, por alguma razão obscura, nenhuma dessas datas permite ao cidadão exausto um descanso extra.
Em agosto já caiu muito avião. O último foi em 2014, quando morreu o candidato a presidente Eduardo Campos. O maior foi em 1985, quando um Boeing bateu no Monte Takamagahara, perto de Tóquio, matando 520 pessoas. Em agosto também ocorreram acidentes automobilísticos trágicos. Num dia 31, em 1997, morreu a princesa Diana. Em um dia 22, em 1976, morreu o ex-presidente Juscelino Kubitschek.
Em agosto ocorreram fatos históricos pra ninguém botar defeito. Em 1968, no dia 21, os soviéticos invadiram a Tchecoslováquia, episódio conhecido como o fim da “primavera de Praga”. No dia 13, em 1961, os comunistas alemães começaram a construir o muro de Berlim, maior símbolo da Guerra Fria. Em 1974, em um dia 8, o presidente americano Richard Nixon renunciou, na esteira do escândalo de Watergate. No dia 24, em 1954, Getúlio deu um tiro no peito. No dia 25, em 1961, Jânio renunciou à presidência, apenas 7 meses após ser empossado.
Elvis Presley morreu em agosto. Marilyn Monroe também. Trotsky, um dos líderes da Revolução Russa, levou uma picaretada na cabeça quando estava exilado no México e morreu, também em agosto. Em 1900, o filósofo Nietzsche também foi dessa para melhor, em agosto. Até o lutador de boxe Rocky Marciano, que nunca perdeu uma luta na carreira, perdeu para agosto. Morreu em 1969.
Em agosto, as cachorras ficam ainda mais férteis e os cachorros brigam mais, largando mordidas para todos os lados. O governo costuma fazer campanha pela vacinação contra a raiva canina nessa época. É o “mês do cachorro louco”. Que gosto é esse de prestar atenção pra tudo o que acontece de ruim em agosto? Na verdade, trata-se apenas de superstição, uma brincadeira que acabou virando mania. Não há nenhuma razão para não gostar de agosto. Se o mês de agosto pudesse se defender, certamente citaria: “prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me estragam”. O autor da frase? Santo Agostinho.
*Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica pela UFPR e professor do Curso Positivo.

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*por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em transformação, e as habilidades necessárias para atuar em um mundo permeado por IA ainda estão sendo construídas — muitas delas nem sequer possuem nome ou classificação formal em códigos ocupacionais. Apesar da velocidade de adoção, existe uma contradição: o volume de investimento em IA nas empresas é desproporcional aos resultados efetivamente colhidos. Parte do problema está em tentar aplicar IA a processos que já não fazem mais sentido, em vez de repensar os fluxos de trabalho antes de automatizá-los. 88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas apenas 39% reportam qualquer impacto no EBIT — e a McKinsey estima que ~75% dos cargos precisam de reformulação fundamental. A adoção aconteceu; o redesenho do trabalho, não. (dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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