Representatividade feminina, equidade salarial e diversidade nas lideranças marcam encontro no mês da mulher

Evento organizado por lideranças femininas destaca o panorama das mulheres no mercado de trabalho e aposta em mudanças estruturais para um futuro mais diverso e inclusivo

Segundo o IBGE, apenas 37,4% das posições de liderança no mercado de trabalho brasileiro são ocupadas por mulheres, dado que reflete uma disparidade global. Nesse cenário, fomentar posições de liderança femininas é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas), que mobiliza empresas em todo mundo a se comprometer com iniciativas socialmente responsáveis, entre elas, a presença de 30% de mulheres em cargos de liderança até 2030 – ou 50% até 2050. A Tecnobank, especializada em tecnologia para registro de contratos de financiamento de veículos, atingiu essa meta em 2024, com mulheres ocupando 50% de todo o quadro de colaboradores, bem como a metade dos cargos de gestão.

Para promover esse debate, o evento Tecnobank 8M, realizado em 8 de março, em São Paulo, incentivou discussões sobre um futuro mais diverso e o papel dos homens como aliados nessa causa. Liderado pela jornalista e especialista em Diversidade e Inclusão, Maíra Donnici, o encontro surpreendeu pela expressiva adesão – não só das colaboradoras, mas dos colaboradores, que se reuniram presencial e remotamente, pela transmissão ao vivo no LinkedIn e YouTube.

Durante a abertura, Maíra apresentou um breve panorama sobre diversidade e equidade salarial no mercado de trabalho e elencou estereótipos sociais que oprimem mulheres de diferentes classes e idades, além das falácias sobre rendimento feminino e maternidade. Com diversos homens sentados na primeira fileira, a palestrante exaltou a relevância de tê-los como aliados nessa luta. “A maior parte dos problemas do mundo poderia ser evitada se nos colocássemos no lugar do outro. Por isso, a escuta ativa masculina é fundamental”, colocou.

O poder da representatividade

Adriana Saluceste, diretora de Tecnologia e Operações da Tecnobank, compartilhou sua experiência nesses segmentos, conhecidos por serem majoritariamente masculinos. “Durante boa parte da minha vida estudantil e profissional, eu fui ‘a única mulher da sala’. Para ser respeitada, sentia que precisava demonstrar mais conhecimento do que os meus colegas e parceiros de trabalho. Hoje, percebo como é essencial a presença de vozes femininas e diversas – e como é bom ter a minha voz respeitada”, conta.

Mãe há pouco mais de dois anos e responsável pelas diretorias de Relações Institucionais e de Comunicação da Tecnobank, Renata Herani salientou a importância de mulheres ocuparem posições estratégicas, para servirem de inspiração. “Se as lideranças têm um respeito genuíno às diferenças, esse valor ressoa em toda a equipe”, considera.

A representatividade também funciona como um recado para quem chega, já que mulheres no início de carreira se sentem motivadas quando veem outras ocupando espaços. Foi assim que Iasmim Mackoul, analista de Infraestrutura, ingressou na Tecnobank, há pouco mais de um ano. “Os exemplos de mulheres na alta liderança foram citados na entrevista de recrutamento e, entre outros, foi um motivo para eu querer fazer parte da equipe”, declara.

Aposta na gestão de competências

Mesmo sem cotas ou vagas afirmativas, a Tecnobank acredita que, para dar chance à diversidade, os processos seletivos precisam evitar vieses que possam comprometer a elegibilidade dos candidatos. Com essa finalidade, recrutadores e lideranças são orientados a não abordar temas considerados invasivos, especialmente para mulheres. “Não é incomum ouvir perguntas socialmente desenvolvidas para nós, como ‘é casada?’, ‘tem filhos?’, ‘como vai administrar trabalho e maternidade?’. Nos processos seletivos da Tecnobank, evitamos esse tipo de questionamento”, aponta a especialista em Desenvolvimento Humano Organizacional, Andréia Malaquias.

Paralelamente, a empresa compromete-se a um modelo de gestão de competências que garanta acessibilidade e condições igualitárias para todas as pessoas. “Quando se produz um cenário meritocrático, que prioriza a competência, conseguimos reduzir vieses que levem à escolha de um em detrimento de outro”, finaliza.

Por fim, a Tecnobank anunciou, no encerramento do evento 8M, um projeto para dar continuidade à discussão sobre gênero: um videocast de cinco episódios com grandes nomes femininos de diferentes setores da Economia, para contar histórias cativantes e trazer discussões sobre evoluções, complexidades e perspectivas em cada campo. 

O evento Tecnobank 8M pode ser assistido na íntegra no YouTube da Tecnobank.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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