Sociedade global à deriva

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Já faz quatro anos que 195 nações estão comprometidas a unir esforços para reduzir ou ao menos conter o avanço da temperatura média global. Passados 96 meses, na 25ª Conferência do Clima da ONU (COP25), em andamento em Madri, nos deparamos com uma realidade nada otimista. Todos os relatórios divulgados nas últimas semanas demonstram que não tivemos avanços em relação às metas do Acordo de Paris. Em muitos aspectos – senão todos – estamos ainda piores do que antes de o acordo começar a ser discutido.

Os impactos desta negligência mundial são visíveis nos quatro cantos do planeta em incêndios de difícil contenção, longos períodos de seca, enchentes, nevascas severas, furacões e processos de desertificação – um retrato negativo para os próximos anos, já que eventos climáticos extremos são cada vez mais frequentes. Enquanto isso, na maior conferência do mundo sobre a temática, quem ganha voz é a ativista ambiental sueca Greta Thunberg, de 16 anos, ocupando o espaço deixado pelos líderes das principais potências do mundo, que poderiam tomar decisões e atuar em mudanças de forma efetiva, mas parecem que ainda não entenderam a urgência do assunto.

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris representa um risco, principalmente pela influência sobre outras nações, como países árabes e a Polônia, que têm uma economia fortemente baseada na exploração de combustíveis fósseis. A turbulência político-econômica que afeta países da América do Sul, como Chile e Brasil, impossibilitou a vinda da COP para o continente. A carência de compromissos com o clima dificulta a adoção de medidas arrojadas que migrem para tecnologias ecológicas mais eficientes. Se não concentrarmos esforços agora, aumentamos a dificuldade para o futuro.

A tendência é de que o mercado global compreenda a necessidade e busque iniciativas que usem energia limpa. Enquanto isso, no Brasil e em diversos países do mundo, continuamos a carbonizar nossa matriz energética, não investimos fortemente no segmento e contamos com uma agricultura fortemente convencional.

Precisamos de ações efetivas – públicas e privadas – para conservar o patrimônio natural que nos resta. O bom funcionamento dos ecossistemas será nossa maior proteção contra os eventos climáticos extremos, assegurando condições para o desenvolvimento socioeconômico e para o bem-estar da população. É preciso defender a implantação de Soluções baseadas na Natureza como alternativa para a adaptação das cidades diante da crise climática.

É evidente também que necessitamos mais ambição para cumprir as metas do Acordo de Paris e impedir o caos climático. O ano de 2019 deve ficar entre os três anos mais quentes da história, enquanto a última década foi a mais quente já registrada. E a tendência é de que os ponteiros dos termômetros só aumentem. A ONU alerta para “perspectivas sombrias”. Mesmo que todos os países cumpram sua parte no Acordo de Paris, o planeta esquentaria cerca de 2 graus Celsius. Até o momento, já esquentou 1 grau e os eventos climáticos extremos estão causando sérios impactos. Na tendência atual, estamos rumando para um aumento de 3 a 5 graus, o que seria desastroso.

A janela de oportunidades para reverter este cenário está fechando. Temos apenas um ano para finalizar as regras do Acordo de Paris e ampliá-lo, já que as metas que estão na mesa são insuficientes. A responsabilidade pela segurança e pela qualidade de vida das pessoas nos próximos anos e das gerações futuras estão nas mãos dos diplomatas e tomadores de decisão presentes na COP25, que negociam em nome de seus países e de toda a humanidade. Sem um consenso entre as nações, qualquer tomada de decisão parece longe de acontecer. É a sociedade global à deriva.

*André Ferretti é gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza. Participa da COP pela 15ª vez.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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