Sugestão de entrevista – 8 de junho: Dia Mundial dos Oceanos

‘Amazônia Azul’ é a expressão utilizada para designar a zona costeira e marinha do Brasil, incluindo a Zona Econômica Exclusiva e a extensão da Plataforma Continental. No total, são 8.500 quilômetros de costa e 4,5 milhões de quilômetros quadrados, quando somada a área de plataforma continental. Recentemente, o Brasil elevou o índice de áreas protegidas de 1,5% para 25%, com a criação de novas Unidades de Conservação Marinhas nas áreas dos arquipélagos São Pedro e São Paulo (PE) e Trindade e Martim Vaz (ES).
As novas UCs fizeram com que o País ultrapassasse numericamente o número proposto pelas Metas de Aichi, durante a Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica, e pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que trazem um plano de ação para um mundo melhor com metas a serem alcançadas por todos os países até 2030. Ambos propõem a proteção de no mínimo 10% das zonas costeiras e marinhas conforme a legislação nacional e internacional.
No entanto, há muito o que fazer ainda nos ecossistemas marinhos e costeiros brasileiros, de acordo com especialistas. “A criação destas novas UCs é um passo muito importante para a conservação dos oceanos brasileiros, mas não podemos esquecer das áreas costeiras, como ambientes recifais e estuarinos, que concentram grande parte da biodiversidade marinha e sofrem com a ação da pesca, da poluição e da destruição de habitats”, ressalta Ariel Scheffer, Superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu Binacional e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.
Além disso, apenas a implementação de novas áreas de conservação não é suficiente. “É preciso também valorizar os benefícios que os ambientes marinhos preservados trazem para a economia e a sociedade brasileira e garantir  um bom planejamento, a gestão e a fiscalização desse espaço, para que possamos ultrapassar a meta proposta, muito além dos números”, conclui Ariel.
Espécies ameaçadas 
Muito além da sua extensão, que ocupa 17 estados, abrigando 13 das 27 capitais do País e milhões de pessoas, a zona costeira e marinha brasileira abriga uma rica biodiversidade. O número de espécies de peixes catalogadas no bioma passa de 1.200, quando consideradas as espécies presentes nos estuários, além de 57 mamíferos marinhos e 53 cetáceos (baleias e golfinhos). Foram registradas também mais de 100 espécies de aves, entre residentes e migrantes, e das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo, cinco habitam os oceanos brasileiros, além das diversas espécies de corais recifais e de toda a biodiversidade encontrada nos manguezais.
O território costeiro também concentra uma grande parte da população, com intensas atividades de comércio e de transporte, que culmina num nível alto de intervenção humana e exploração dos recursos naturais, como a retirada de petróleo ou a atividade pesqueira. Tais ações levaram diversas espécies presentes no ecossistema marinho ao status de ameaçadas de extinção, como a baleia franca, que sofre com o número intenso de caçadas e a toninha, muitas vezes capturada acidentalmente nas redes de pesca.
Sugestão de fontes:
Ariel Scheffer – superintendente de Meio Ambiente da Itaipu Binacional, diretor de Relações Institucionais do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza
Espécies Ameaçadas

Eduardo Secchi – professor associado do Instituto de Oceanografia na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza

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