Suporte ideal para a leitura: papel ou tela?

Mara Campos*

Para a expressão humana, oral ou escrita, é essencial haver conhecimento prévio. Sem esse processo de input, que representa o que consumimos por meio da visão e da audição, o produto de nossas manifestações tem seu refinamento prejudicado. Assim como precisamos ingerir alimentos para termos o corpo sadio, precisamos nos alimentar de informações para podermos exteriorizar tanto nossos conhecimentos quanto nossos sentimentos e pensamentos. Consequentemente, precisamos de fontes que supram nossas carências e, no caso, da comunicação humana, esses recursos podem  vir de forma física, virtual, por meio de texto estático ou em movimento; o que prevalece, de fato, é o teor a ser recebido, processado e filtrado.

Em razão disso, a forma como acessamos nossas fontes fica em segundo plano e, como é de senso comum, o livro, seja em formato digital ou físico, permanece como um dos mais ricos fornecedores. Tem-se, no entanto, que analisar qual tipo de “alimento” é mais saudável e produtivo para nós. Para muitos, as representações em movimento, com aplicativos que oferecem uma diversidade de ferramentas para ampliação do conhecimento simultaneamente à leitura, são mais eficientes e prazerosas. A comunidade científica e tecnológica, porém, tem nos alertado com frequência que o excesso de exposição a telas é prejudicial à saúde e ao desenvolvimento cognitivo. Portanto, se esse for o suporte favorito, deve-se levar em conta o tempo de utilização, pois tudo em excesso é prejudicial à nossa saúde física e mental. Contudo, se usado com moderação, o recurso digital pode ser extremamente frutífero. Além disso, temos que reconhecer que essa tecnologia veio para ficar; assim, temos que nos adaptar a ela de forma consciente e benéfica.

Apesar dessas considerações, o livro físico é, com certeza, o portador de mais benefícios ao desenvolvimento das habilidades humanas, a começar pelo estímulo aos nossos sentidos. É importante, por exemplo, pegar o livro, fazer o movimento de dedos, virar páginas para frente e para trás, posicioná-lo em diferentes sentidos para exercitarmos a capacidade motora ao mesmo tempo que movimentamos nosso corpo. Além disso, ao passarmos de um capítulo para outro, sem distrações chamativas e alheias, com o intuito de estabelecermos conexões entre personagens e ações, entre causas e consequências, promovemos nosso potencial cognitivo, essencial para o funcionamento neurológico e linguístico. A compreensão só se faz efetiva a partir do entendimento das relações entre as palavras e as mensagens pretendidas por seus interlocutores e “passear” livremente pelas páginas de um livro ainda nos é um instrumento robusto para a manutenção de pequenas, mas eficazes, aptidões humanas, como o manuseio dos dedos e das mãos, para atingirmos habilidades mais complexas como a compreensão da linguagem em seus diferentes níveis e suportes. 

Dentro do contexto em que vivemos, o livro físico ainda é o formato que melhor estimula nossa criatividade, nos acalma, desligando-nos do agitado mundo externo, desenvolve nossas habilidades de forma saudável e nos faz olhar além da superfície, afinal, como diria Antoine de Saint Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos”.

*Mara Campos, licenciatura em Letras, é especialista em Metodologia de Ensino, Direito e Educação e assessora pedagógica de Língua Portuguesa do Colégio Positivo.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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