Um ano de Open Banking no Sicredi: aprendizados e expectativas 

No fim de abril completamos o primeiro ano da adesão do Sicredi ao Open Banking. Nossas Cooperativas decidiram que os benefícios na entrada nessa jornada de forma antecipada, mesmo não obrigatória para o compartilhamento dos dados, superariam os desafios que teríamos na mobilização do Sicredi para execução. Enfim, por se tratar de levar mais informações e possibilidades aos nossos associados, não tínhamos como ficar de fora.

Assim, como se trata de uma iniciativa que amplia a competitividade entre os players do Sistema Financeiro Nacional, ao fomentar a concorrência e facilitar a oferta de soluções mais personalizadas para os consumidores, buscamos desde o início participar da inovação promovida pelo Banco Central, pois entendemos que este movimento traz diversos benefícios aos nossos associados, prova disso é que, voluntariamente, aderimos ao movimento desde a sua primeira fase.

Resgatando o ponto de partida, o projeto coloca as pessoas como proprietárias dos seus dados. Dessa maneira, a partir da solicitação do consumidor, se realiza o compartilhamento de dados entre instituições financeiras num ambiente monitorado e seguro. Assim, traz mais transparência ao segmento, permite a portabilidade de relacionamento entre instituições, e facilita o acesso das pessoas físicas e jurídicas às propostas mais vantajosas em termos de serviços financeiros. Na prática, entre outras possibilidades que irão se abrir, possibilita, por exemplo, o acesso a um empréstimo com melhores condições de pagamento.  Isso sem falar nas inovações que virão pela frente, nos novos arranjos de iniciação de transações financeiras, seja em pagamentos, crédito, seguros. Enfim, um sistema financeiro aberto e conectado.

Em 2022, a iniciativa foi rebatizada para Open Finance, pois começou a ampliar o mesmo conceito de compartilhamento de dados para produtos e serviços financeiros de outras instituições, como corretoras e fundos de previdência. Em breve, os benefícios do compartilhamento entre essas empresas também estarão disponíveis, facilitando a pesquisa de quem quer contratar um seguro ou previdência complementar, por exemplo. 

Saldo positivo e perspectivas

O desafio da implementação tem sido grande, pois tudo precisou ser compreendido durante a jornada de construção e exigiu muita colaboração entre as equipes do projeto, áreas envolvidas, fornecedores, centrais e cooperativas. O balanço de um ano do Sicredi junto à iniciativa é extremamente positivo. Estamos aprendendo junto às grandes instituições financeiras, bancos digitais e fintechs, principalmente no que se refere à capacidade de orquestrar múltiplas iniciativas, desde as mais estruturantes em termos de tecnologia, modelos de oferta, desenvolvimento de capacidades analíticas, capacitação dos nossos colaboradores, canais de suporte e a comunicação com nossos associados. 

Passado este primeiro ano, compreendemos melhor o que os nossos associados esperam. Constatamos que não querem apenas o retorno específico sobre uma finalidade para a qual compartilharam seus dados. Os consumidores esperam melhores produtos e serviços, independente se são do escopo do sistema. Eles compartilham seus dados como sinal de expectativa de ter algo melhor e é isso que estamos buscando proporcionar.

Também confirmamos que ainda há uma jornada de aculturamento por parte da sociedade e, para as pessoas compartilharem seus dados, é preciso estimular e apresentar de forma transparente os benefícios que terão com essa ação. Outro fator chave será a evolução da experiência nos processos de compartilhamento, integrando o sistema às jornadas de associação, consulta de extrato, faturas do cartão e simulações de empréstimos, por exemplo. Dado esse cenário, nossa estratégia de posicionamento no Open Finance tem se pautado pela comunicação clara com os associados desde o início, contando com uma página exclusiva para orientá-los sobre o assunto. 

Outra constatação é que o novo sistema tem trazido a oportunidade de dar maior protagonismo ao cooperativismo de crédito por meio da agenda regulatória pró-competição, onde os sistemas cooperativos como o Sicredi estão se colocando na vanguarda do movimento, ajudando inclusive a construir a infraestrutura tecnológica, processos e operação dessa inovação no Brasil. Além disso, temos convicção de que a partir da adoção do sistema, os cidadãos poderão conhecer melhor as vantagens de se associarem a uma cooperativa de crédito e ter acesso há benefícios exclusivos deste modelo que conecta o melhor do digital com o relacionamento próximo e consultivo que nossas Cooperativas e agências prestam aos associados

Ainda há muito que ser feito para que o sistema se torne de fato uma ferramenta de competição. Estamos em um estágio de amadurecimento do ecossistema financeiro brasileiro, especialmente no que diz respeito à conclusão das jornadas de compartilhamento e a qualidade dos dados, o que está sendo resolvido pelos participantes com a prioridade necessária. Entretanto, já é perceptível que o modelo brasileiro está avançando mais rápido frente aos outros países. Para termos uma ideia, nos primeiros oito meses desde o início do compartilhamento dos dados, foram mais de 204 milhões de chamadas às APIs (interface de programação de aplicação, na sigla em inglês), o que representa mais de cinco vezes a quantidade apresentada no mesmo período no Reino Unido, que era a nossa referência mundial até então. Isso mostra uma forte tendência de adoção por parte do cidadão brasileiro em busca dos benefícios do Open Finance.

Apesar dos desafios à frente, já temos diversos casos práticos em funcionamento, nos quais conseguimos oferecer uma solução vantajosa para a necessidade apresentada por meio dos dados compartilhados. Essas propostas têm sido encaminhadas tanto pelos nossos gerentes como de forma automática pelos nossos aplicativos.

O aprendizado de um ano indica um futuro promissor. Com a evolução da iniciativa, será possível ter acesso às informações de outros mercados como investimentos, seguros, previdência, entre outros, expandindo mais a capacidade de entender a realidade financeira dos nossos associados.  Além disso, temos convicção de que a partir da adoção do Open Finance, os cidadãos poderão conhecer melhor as vantagens de se associarem a uma cooperativa de crédito e, além de resolver sua vida financeira, colaborarem para a construção de uma sociedade mais próspera.

 

*César Gioda Bochi, diretor-executivo de Administração do Sicredi;

*Valério Araújo, gerente de Open Finance e Inovação do Sicredi;

*Volmar Machado, diretor-executivo de Tecnologia da Informação do Sicredi.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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