Advogado passa 200 dias internado na luta contra Covid-19

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Em março, em alguns hospitais, mais de 38% dos pacientes com a doença precisaram de UTI; período de internação chega a quatro vezes maior que o normal e impacta na demanda por leitos

O advogado Guilherme Kovalski Lima comemorou o aniversário de 36 anos no mesmo dia em que completou 200 dias de internação no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR). Diabético e hipertenso, ele foi internado às pressas devido a uma trombose pulmonar, uma das complicações mais comuns – e graves – provocadas pelo novo coronavírus. Isso foi no dia 27 de julho. No dia 4 de novembro, após 101 dias, recebeu alta da UTI para um leito clínico, com direito à homenagem surpresa de família e amigos na frente do hospital. Chegou a sair da internação por um breve período, mas retornou no dia 8 de dezembro. 

A alta definitiva aconteceu apenas no dia 21 de fevereiro, pouco antes de a pandemia completar um ano no Brasil. Desses 12 meses, Guilherme conviveu, dentro do hospital, com a doença ou suas complicações por sete meses. “A Covid é uma doença muito traiçoeira. Ela afasta de quem a gente ama, deixa sequelas e marcas difíceis de serem superadas”, conta Guilherme. 

O maior tempo de internação dos pacientes infectados pelo novo coronavírus é uma das características da doença e que contribui para a escassez de leitos. A média de internação na UTI do Hospital Marcelino Champagnat em 2020 foi de quatro dias. Já nos leitos de unidade de terapia intensiva destinados a pacientes com Covid-19, a média é quatro vezes maior, chegando a 17 dias. “Menos de 20% dos pacientes críticos não-Covid ficam internados por longos períodos na UTI. Mas as pessoas infectadas pelo coronavírus e em estado crítico precisam de mais tempo de recuperação. Muitos precisam de traqueostomia, ficam muito mais tempo hospitalizados, necessitando de cuidado contínuo”, explica o médico intensivista e coordenador da UTI, Jarbas da Silva Motta Junior. 

Pacientes mais jovens e mais críticos

Em 2021, o perfil das vítimas do coronavírus é diferente do que se notava no início da pandemia. Antes, os quadros mais graves eram em pessoas com mais de 60 anos, agora o que se nota nos hospitais são pessoas mais jovens e em estado mais crítico. Embora ainda não existam dados consolidados, as novas variantes com maior potencial de transmissão têm contribuído para essa realidade. 

“O que percebemos é que os pacientes que chegam agora são mais jovens e com quadro clínico mais grave, muitas vezes por demorarem mais para procurarem o serviço de saúde. Quando dão entrada no hospital, já precisamos realizar intervenções maiores ”, comenta o intensivista. No início da pandemia, em média 25% dos pacientes internados em leitos clínicos no hospital evoluíam para a UTI. Mas o número vem aumentando e, só no mês de março, 38% dos pacientes internados foram para a unidade de terapia intensiva. 

Complicações

Os infectados pela Covid precisam de cuidados de uma equipe multidisciplinar, que além dos médicos, enfermeiros e técnicos, inclui fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos. Os agravamentos mais recorrentes, além dos respiratórios, estão relacionados às inflamações sistêmicas, que prejudicam também os rins e até mesmo a circulação do sangue. 

Um mês em casa, após a alta hospitalar, o advogado volta aos poucos ao trabalho e retoma a convivência com as filhas, de 1 e 8 anos, de quem ficou afastado por tanto tempo. Mas ainda não consegue andar, devido à fraqueza muscular causada pelo longo tempo acamado, além de uma lesão no ombro, resultante das pronagens (quando o paciente é colocado de bruços para aliviar a pressão no pulmão). Para recuperar os movimentos, força e coordenação muscular, Guilherme realiza de duas a três sessões diárias de fisioterapia, além do acompanhamento com fonoaudióloga. “O processo de reabilitação é longo, cansativo e doloroso. Mas ele está em casa e vivo. Temos muitos motivos para agradecer”, frisa Jaqueline Lima, esposa do advogado. 

Sobre o Hospital Marcelino Champagnat

O Hospital Marcelino Champagnat faz parte do Grupo Marista e nasceu com o compromisso de atender seus pacientes de forma completa e com princípios médicos de qualidade e segurança. É referência em procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade. Nas especialidades destacam-se: cardiologia, neurocirurgia, ortopedia e cirurgia geral e bariátrica, além de serviços diferenciados de Check-up. Planejado para atender a todos os quesitos internacionais de qualidade assistencial, é o único do Paraná certificado pela Joint Commission International (JCI).

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*por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em transformação, e as habilidades necessárias para atuar em um mundo permeado por IA ainda estão sendo construídas — muitas delas nem sequer possuem nome ou classificação formal em códigos ocupacionais. Apesar da velocidade de adoção, existe uma contradição: o volume de investimento em IA nas empresas é desproporcional aos resultados efetivamente colhidos. Parte do problema está em tentar aplicar IA a processos que já não fazem mais sentido, em vez de repensar os fluxos de trabalho antes de automatizá-los. 88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas apenas 39% reportam qualquer impacto no EBIT — e a McKinsey estima que ~75% dos cargos precisam de reformulação fundamental. A adoção aconteceu; o redesenho do trabalho, não. (dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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