Artigo: Fator humano na aviação

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Por Fábio Augusto Jacob, Oficial-Aviador da reserva da Força Aérea Brasileira, coordenador e professor da Academia de Ciências Aeronáuticas Positivo (ACAP) da Universidade Positivo (UP)

Os recentes casos de acidentes na aviação levantam especulações sobre suas possíveis causas. Diversas opiniões aparecem sobre fatores externos, problemas com os pilotos e mesmo conspirações que possam ter causado o acidente. Quem vive no ambiente da aviação, no meu caso desde 1984 como piloto, tende a buscar explicações técnicas plausíveis, uma vez que elas normalmente se aplicam a totalidade dos acidentes.

A inteligência humana é capaz de desenvolver equipamentos maravilhosos e depois operá-los, mas este envolvimento direto desde a concepção até seu uso, traz a possibilidade de que o mesmo elemento criativo e racional seja o causador de erros e indutor de eventos não desejados, os acidentes. Isto ocorre porque as características individuais das pessoas envolvidas são diferentes, assim como o são o treinamento e a capacidade de julgamento de cada uma delas.
Quem trabalha na aviação sabe que devido a natureza extremamente técnica da atividade e ao envolvimento direto das pessoas, que são diferentes, o fator humano é sempre um aspecto decisivo quando se busca a explicação de eventos aeronáuticos. O fator humano pode ser por parte do controlador de voo, quando autoriza um voo e o controla, pode ser do especialista em manutenção, ao realizar ou conferir um procedimento de manutenção na aeronave, ou por parte dos tripulantes, em especial, dos pilotos.
Quanto ao pessoal envolvido na atividade aérea, incluindo os pilotos, uma vez que se encontrem com as condições físicas e mentais adequadas, os fatores decisisvos são o treinamento e sua capacidade de julgamento. O treinamento é muito importante, e com a expansão da atividade aérea muitas novas escolas de aviação aparecem, e com elas a chance de que a formação do piloto e seu treinamento não sejam o adequado. Neste ponto é fundamental a eficiente fiscalização por parte da agência oficial, no caso a ANAC, que precisa ter pessoal em número e especialização mais do que suficientes.
Em relação à capacidade de julgamento, é importante que o treinamento obtido tenha sido de boa qualidade, pois o conhecimento formal e as experiências na atividade aérea são fundamentais. A boa formação, o adequado treinamento e a repetição de boas práticas levam, com a experiência, às boas decisões. Os exemplos da Força Aérea Brasileira e das grandes empresas regulares de aviação atestam estas práticas e seus resultados.
Devido a estas experiências e práticas, quando ocorre um acidente na aviação, é fácil de entender o porque se pergunta imediatamente qual era a situação meteorológica no local do acidente. Não porque a meteorologia possa ter causado o acidente, o que até poderia excepcionalmente ocorrer, mas porque na maior parte das vezes a situação meteorológica adversa leva o piloto a ter que tomar decisões, fazer opções, e nesta hora, pressões diversas, má formação ou deficiente treinamento podem fazer com que ele ultrapasse os limites da pilotagem segura, daquilo que foi treinado ou deveria ter sido treinado, e isto sim leva a acidentes.
Sem querer desprezar outras possibilidades, nós que estamos na aviação aprendemos que na maior parte dos casos foi um deficiente planejamento do voo, uma falsa compreensão de uma situação, ou um erro de julgamento, feito em preciosos segundos durante um voo, que podem colocar toda uma situação a perder. Se olharmos com atenção podemos perceber estas situações fragilizadoras da segurança em todos os últimos acidentes aeronáuticos.
Nesta hora é importante ressaltar a necessidade de buscarmos a excelência na formação, no treinamento, na fiscalização, e nas práticas, para capacitarmos nossas tripulações a tomarem a melhor decisão sempre. Deixando a investigação de aspectos conspiratórios, caso existam, para a esfera policial.
 

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