Por Mariana Ito
Quando eu era pequena, lembro de olhar pela janela do carro ou de andar pelas ruas vendo outdoors gigantes e pensar: “Nossa, quem será que criou essas milhões de artes que todo mundo vê todos os dias?”. A mesma coisa acontecia com grandes marcas, como Coca-Cola. Na minha cabeça, a pessoa que conseguia criar algo tão marcante — algo que todo mundo reconhecia e queria consumir — era quase um mágico.
Hoje, trabalhar criando marcas faz com que eu me lembre muito dessa sensação. Ainda é estranho pensar que uma ideia que começou em uma tela pode parar em um outdoor, em uma embalagem, em um comercial na TV ou circular no celular de milhares de pessoas.
Mas o que mais gosto nesse processo não é apenas o resultado final. É entender tudo o que existe antes dele.
Toda marca começa muito antes do primeiro layout. Existe uma etapa essencial: a construção do briefing. É nesse momento que a gente entende com quem aquela marca vai conversar, quais sentimentos ela quer transmitir, como deseja ser percebida e qual espaço quer ocupar no mercado.
Depois do briefing, vem a fase de pesquisa e direção criativa. A gente mergulha em referências, comportamento, tendências, linguagem visual e no universo daquela marca. É uma etapa importante porque ajuda a construir personalidade e a direcionar as escolhas criativas do projeto.
A partir daí, começam os estudos visuais. Definimos cores, tipografía, formas, ícones, texturas e estilos de imagem. E tudo isso tem uma função: as cores ajudam a transmitir sensações, as fontes ajudam a definir o tom da comunicação e os elementos gráficos ajudam a criar reconhecimento.
Muita gente pensa que identidade visual é apenas estética, mas ela vai muito além disso. Uma boa identidade precisa comunicar de forma clara, funcionar em diferentes aplicações e criar conexão com o público certo.
Depois de muitos testes e ajustes, a marca começa a ganhar consistência. É quando percebemos que todos os elementos finalmente conversam entre si e conseguem representar aquilo que a empresa quer transmitir.
E talvez essa seja a parte mais mágica do processo: ver uma ideia sair do papel e começar a ocupar espaços reais. Porque, antes de virar outdoor, campanha ou embalagem, toda marca começou em uma conversa, em um briefing ou um sonho.