Por Luise Takashina
Eu cresci na cidade. Mas sou escoteira — acampo, subo morro —, e tive a sorte de passar férias na fazenda do meu tio, catando ovos e andando a cavalo quando criança. Ainda assim, meu horizonte sempre teve mais prédios. E, para ser honesta, durante muito tempo o agro, para mim, era quase um conceito abstrato — algo que aparecia nos noticiários sobre exportações ou na previsão do tempo.
Até o dia em que pisei, pela primeira vez, em uma feira rural — o Show Rural Coopavel 2026 —, como atendimento da Central Sicredi PR/SP/RJ pela Central Press. O Sicredi, maior instituição financeira privada fomentadora do agronegócio, mantém presença intensa no evento, com estande, coletiva de imprensa e ações diárias com associados e visitantes.

O impacto logo na entrada
Não sei exatamente o que eu imaginava. Mas o que encontrei foi quase uma cidade paralela pulsando inovação, tecnologia, negócios e, principalmente, gente apaixonada pelo que faz.
Máquinas agrícolas gigantescas, que parecem saídas de um filme futurista. Lembrei dos Transformers, imaginando como cada uma delas poderia facilmente virar — ou ser — um robô. Drones monitorando plantações. Sistemas de irrigação inteligentes. Palestras sobre inteligência artificial. O campo que eu conhecia era quase bucólico; o que encontrei era estratégico, técnico e altamente profissional.
Ali tive a clara noção de que o agro não é apenas plantio e colheita. É gestão, planejamento, risco, investimento e visão de longo prazo.
O peso da responsabilidade
Outra coisa que me marcou foi compreender a dimensão da responsabilidade que recai sobre o produtor rural. Na feira, cada produto tem rosto, história, investimento, financiamento, expectativa e, muitas vezes, herança familiar envolvida.
Conversei com produtores que acordam antes do nascer do sol, planejam a safra com meses — às vezes, anos — de antecedência e lidam com variações de preço, câmbio, clima e crédito. Empreendedores que assumem riscos que muitos negócios urbanos jamais aceitariam. E, ainda assim, falam com orgulho. Com brilho no olhar.
Saí de lá com a sensação de que o campo está, em muitos aspectos, à frente da cidade quando o assunto é produtividade e inovação aplicada.

Mais do que negócios, uma rede
Uma feira rural não é apenas exposição. É ponto de encontro. É onde se fecham negócios, se renovam parcerias, se discutem políticas públicas, se alinham expectativas para o próximo ciclo. É também um evento social, que reúne famílias e grupos de senhoras.
Vi instituições financeiras, empresas de insumos, startups e universidades. Um ecossistema inteiro girando em torno de algo que, na cidade, a gente resume em uma palavra curta: “agro”.
Mas o agro é enorme.
Voltei para casa diferente, mais respeitosa com quem produz. Mais admirada com a complexidade que existe por trás de algo aparentemente simples, como um grão de soja ou uma xícara de café.
Se antes eu via o agro como um setor da economia, hoje, eu o vejo como uma força silenciosa que move e alimenta o país. A feira foi só a porta de entrada para um universo que tem tudo a ver com o Paraná, com o Sicredi, com o Brasil. Deu orgulho. Se você tiver a oportunidade de visitar um dia, não perca essa chance.


