Com inflação em alta, setor de papelaria ajusta operação para crescer em mercado mais seletivo

Empresas investem em eficiência, novos produtos e nichos para sustentar resultados

O mercado brasileiro de material escolar e papelaria tem ampliado o faturamento nos últimos anos, impulsionado pela inflação e pela diversificação de produtos. Em termos de volume, porém, o avanço é mais contido, refletindo mudanças no comportamento de consumo. Estimativas da GfK Retail and Technology indicam que o setor movimentou cerca de R$ 49,3 bilhões em 2025, com crescimento acumulado de 43,7% em quatro anos. A Associação Brasileira da Indústria de Artigos de Escritório e Escolar (ABFIA) projeta que os gastos com material escolar devem atingir aproximadamente R$ 53 bilhões em 2026, um avanço entre 3% e 6% em relação ao ano anterior.

Esse avanço, no entanto, não se traduz integralmente em aumento de consumo. Projeções da consultoria NielsenIQ indicam alta de cerca de 2,7% nas vendas em 2025, após retração de 8,2% em 2024. Para 2026, a consultoria projeta nova queda, próxima de 5,9% no número de itens comercializados.

O desempenho do mercado tem sido fortemente influenciado pela inflação. Estimativas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, e do Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1), da FGV, indicam que a inflação de material escolar acumulada entre 2023 e 2026 se aproxima de 30%.

O aumento de preços é explicado, em grande parte, pela elevação dos custos de matérias-primas, como papel e derivados de celulose, além da alta de insumos importados — sensíveis à variação cambial — e das despesas logísticas.

Na prática, o repasse ao consumidor tem comprimido o consumo. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE), mostra que, em algumas faixas de renda, o gasto com material escolar chegou a representar até 40% da renda mensal no início do ano letivo de 2025, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

Diante desse cenário, famílias têm adotado estratégias para reduzir despesas, como a reutilização de materiais, compras coletivas e a aquisição de itens essenciais, em detrimento de produtos considerados acessórios.

Mudança de consumo abre espaço para nichos

Apesar da pressão sobre o consumo básico, o setor tem identificado oportunidades em nichos específicos e produtos de maior valor agregado. Entre as tendências, ganha espaço a chamada “papelaria criativa”, com itens de apelo estético e personalização, que tendem a ter ticket médio mais elevado. Também cresce a oferta de produtos voltados à inclusão, como materiais adaptados para crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtorno do espectro autista (TEA).

No modelo de distribuição, o setor avança na integração entre canais físicos e digitais. Lojas de bairro, e-commerce e redes sociais passam a operar de forma complementar, com maior uso de estratégias digitais para divulgação e venda.

Empresas buscam eficiência e diversificação

Para lidar com o cenário de pressão de custos e consumo mais seletivo, empresas do setor têm investido em ganho de eficiência, gestão de estoques e ampliação de portfólio. A paranaense BRW Suprimentos registrou crescimento de 14% na receita líquida em 2025, mantendo a rentabilidade e a geração de caixa mesmo em um cenário econômico marcado por juros elevados, inflação persistente e aumento da inadimplência.

Segundo o fundador e CEO da empresa, Bruno Borgonovo, a adaptação ao novo contexto exige maior disciplina operacional. “O setor está passando por um momento de adaptação. As empresas que conseguem equilibrar eficiência operacional, portfólio e novas demandas do consumidor tendem a manter um crescimento mais consistente”, afirma.

A companhia enfrentou, no início do ano, estoques acima do nível considerado ideal, o que levou à criação de uma área de planejamento integrado de vendas e operações (Sales and Operations Planning, S&OP), com o objetivo de melhorar a previsibilidade da demanda e das compras.

Investimentos e novos produtos

Ao longo de 2025, a empresa lançou mais de 240 produtos e ampliou a atuação para novos segmentos, incluindo brinquedos educativos. Também avançou na digitalização de processos, com adoção de sistemas de gestão comercial e uso de inteligência artificial em áreas estratégicas.

A BRW também iniciou a construção de uma nova sede com mais de 16 mil metros quadrados, com previsão de mudança em 2026. No novo espaço, a empresa realizou investimentos em automação para a operação logistica, com a implementação da tecnologia de separação de pedidos por luz (“picking by light”), que poderá elevar a produtividade em até quatro vezes. A BRW projeta crescimento de cerca de 20% na receita das operações atuais, além de expansão adicional com novos negócios.

Perspectivas

Para os próximos anos, a tendência é a manutenção do crescimento em valor, sustentado por preços mais altos e pela diversificação de produtos, enquanto o volume de vendas deve continuar pressionado pelo orçamento das famílias. “O desempenho das empresas dependerá da capacidade de ajustar custos, inovar em portfólio e explorar nichos de maior margem, em um mercado que se torna mais competitivo e segmentado”, afirma o especialista em Comportamento do Consumidor e Planejamento Estratégico, Sérgio Czajkowski Júnior.

Sobre a BRW Suprimentos

Há 17 anos, a BRW Suprimentos tem se destacado ao oferecer soluções inovadoras e criativas para os segmentos educacional, corporativo e artístico, inspirando e despertando a criatividade nas pessoas. Com atuação no Brasil, na Bolívia, no Paraguai, na Argentina e no Uruguai, a marca paranaense é referência no mercado, oferecendo produtos que antecipam as tendências. O portfólio atual conta com mais de 2 mil itens disponíveis em mais de 20 mil pontos de venda.

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Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. 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