Bem-estar emocional como foco no ambiente de trabalho: mudanças na NR-1 colocam a saúde mental como pilar essencial nas estratégias corporativas

Modelo cooperativista se destaca pelo pioneirismo em ações voltadas ao bem-estar emocional dos colaboradores

O mercado de trabalho passa por uma transformação importante, impulsionada não apenas por mudanças nos modelos de gestão, mas também por avanços regulatórios. A recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que reforça a obrigatoriedade de as empresas considerarem os riscos psicossociais na gestão da saúde e segurança do trabalho, coloca a saúde mental dos colaboradores no centro das atenções das organizações. Nesse contexto, o bem-estar emocional deixa de ser apenas uma tendência e se consolida como fator essencial para o desempenho sustentável das empresas.

O cuidado com as pessoas como parte do cooperativismo

O cuidado com as pessoas está na própria essência do modelo cooperativista. Como sociedade de pessoas, seu foco não está apenas nos resultados da organização, mas também no desenvolvimento e no bem-estar de colaboradores, associados e comunidades.

No Sicredi, essa visão se traduz em uma política de benefícios que contempla diferentes dimensões da vida dos colaboradores e de seus familiares. Entre as iniciativas estão assistência médica e odontológica, previdência privada, auxílio-creche, auxílio para filhos com deficiência, apoio à atividade física, acompanhamento psicológico, telemedicina, apoio nutricional e subsídio para medicamentos. O pacote também inclui ferramentas como o Zenklub, direcionado ao cuidado com a saúde emocional.

A instituição financeira cooperativa acompanha ainda a percepção dos colaboradores por meio de pesquisas de clima e do E-NPS (ferramenta que mede o engajamento, a satisfação e a lealdade das equipes), avaliando diferentes momentos da jornada profissional, da admissão ao desligamento. Esse compromisso também se reflete nos reconhecimentos conquistados junto ao Great Place to Work (GPTW). Desde 2021, a instituição é certificada como uma das melhores empresas para trabalhar. Em 2024 e 2025, foi reconhecida como A Melhor Empresa para Trabalhar no Brasil. Além disso, esteve entre as 25 Melhores Empresas para Trabalhar da América Latina em 2025 e, em 2026, avançou para a 14ª posição no ranking latino-americano. Para o gerente de Pessoas e Cultura da Central Sicredi PR/SP/RJ, Marcos Antonio Primão, o cuidado com as pessoas está diretamente ligado à forma como a cooperativa estrutura sua atuação. “Está no nosso modelo de negócio, pois somos uma sociedade de pessoas, com foco nos colaboradores e associados”.

Quando o benefício faz diferença na vida real

Mais do que números, políticas e iniciativas, o impacto dessas práticas pode ser percebido na experiência de quem o vivencia no dia a dia. É o caso de Daniela Cristina Carneiro Pereira, analista de Serviços Compartilhados da Sicredi Norte Sul, que construiu sua trajetória profissional na instituição e encontrou na estrutura oferecida um apoio que vai além do ambiente de trabalho.

Mãe de um filho com deficiência, Daniela conhece de perto os desafios de conciliar carreira, família e cuidados com a saúde. Para ela, ter acesso a atendimento médico e psicológico de qualidade representa não apenas uma facilidade, mas uma fonte de tranquilidade em momentos em que a família precisa de suporte. “Ter acesso com tranquilidade a consultas on-line, terapeuta e plano de saúde é um diferencial imenso, especialmente para quem é pai e mãe.”

Na rotina de Daniela, o plano de saúde e o Zenklub estão entre os benefícios que mais fazem diferença. O acesso a consultas e profissionais de diferentes especialidades facilita a busca por atendimento e reduz uma preocupação comum a muitas famílias: contar com assistência de qualidade quando necessário. Essas condições também contribuem para que Daniela se sinta amparada no exercício do seu papel profissional, sem deixar de lado as necessidades da família. Na avaliação da profissional, olhar para o colaborador de forma integral vai além de oferecer benefícios corporativos. “Acredito que uma empresa que investe no bem-estar dos colaboradores recebe esse investimento de volta”, ressalta. 

A experiência dela mostra, na prática, uma questão que muitas vezes permanece no campo institucional: cuidar da saúde emocional não significa apenas disponibilizar ferramentas, mas criar condições para que as pessoas se sintam mais seguras ao lidar com os desafios da vida e do trabalho.

Os efeitos do cuidado

Com 23 anos de trajetória no Sicredi, Dayse Cristhiane Toledo de Abreu Gusmão, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Sicredi Norte Sul, aponta o cuidado genuíno com as pessoas como um dos aspectos que fortalecem sua relação com a instituição. Segundo ela, o bem-estar dos colaboradores está diretamente relacionado à qualidade das entregas. Quando está bem, o profissional consegue desenvolver melhor seu potencial, enquanto questões emocionais ou financeiras podem afetar seu desempenho. Por isso, Dayse considera que as vantagens oferecidas pelo Sicredi complementam a remuneração e podem ser um fator relevante para a permanência dos profissionais. “Eu não trocaria uma empresa por outra somente por dinheiro. Porque o dinheiro é bom, mas ele não compra muita coisa que é importante hoje na minha vida”, afirma.

Entre os benefícios que mais utiliza, destaca o Zenklub, especialmente pela possibilidade de escolher entre diferentes profissionais e abordagens terapêuticas, que considera relevantes tanto para momentos específicos quanto para processos contínuos de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Também cita o Vita, que disponibiliza psicólogos e médicos para atendimentos e necessidades do dia a dia.

Norma Regulamentadora nº 1: o que mudou?

A discussão sobre saúde emocional no trabalho também ganhou força com as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Em 26 de maio de 2026, entrou em vigor a nova redação do capítulo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que passou a prever expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. A medida reforça a responsabilidade das organizações na identificação, avaliação e prevenção desses riscos, considerando aspectos como sobrecarga, assédio e falta de suporte no ambiente profissional.

Para Dayse, a atualização representa um avanço importante, embora ainda exista um longo caminho para que o cuidado seja efetivamente incorporado pelas empresas. Na visão da gestora, a norma reforça um compromisso que deveria fazer parte da atuação das organizações: buscar o desempenho sem colocar o bem-estar das pessoas em segundo plano. “A NR-1 vem para fortalecer o compromisso ético que as empresas têm de gerar resultados, sim, mas não a qualquer custo. Precisamos gerar resultados de maneira sustentável.”

A gerente também chama atenção para a importância de ir além do simples cumprimento da legislação. Para ela, oferecer um benefício ou uma ação pontual não significa necessariamente promover a saúde emocional. O desafio está em identificar os problemas, compreender suas causas e atuar antes que eles se agravem.

Nesse sentido, histórias como a de Daniela mostram que o bem-estar no trabalho ganha verdadeiro significado quando as políticas corporativas se traduzem em apoio concreto às pessoas — especialmente nos momentos em que o colaborador mais precisa se sentir amparado.

Sobre o Sicredi 

O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa comprometida com o crescimento de seus associados e com o desenvolvimento das regiões onde atua. Possui um modelo de gestão que valoriza a participação dos mais de 10,5  milhões de associados, que exercem o papel de donos do negócio. Com mais de 3,1 mil agências, o Sicredi está presente fisicamente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, disponibilizando mais de 300 produtos e serviços financeiros.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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