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Contrariando pesquisas, aluno nota 10 quer ser professor

Postado no dia: 7 de dezembro de 2020
Contrariando pesquisas, aluno nota 10 quer ser professor
  1. Gustavo Beirão Vinagre da Nóbrega Santos, 14 anos

Carreira cada vez menos desejada pelos jovens brasileiros, magistério ainda atrai o interesse de estudantes que acreditam na Educação para mudar o país

Em pesquisa recente, realizada pelo Instituto Península, 72% dos professores afirmam que um dos legados deixados pela pandemia será a valorização da carreira docente pela sociedade. A percepção de aumento dessa valorização vem do fato de que, com a pandemia e a suspensão das aulas presenciais, muitos pais puderam perceber o quão difícil é ensinar. A pergunta que fica no ar é se isso será suficiente para mudar o fato de que o Brasil é um dos países que menos valorizam o trabalho do professor. Em um estudo coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2018, o país ficou em último lugar entre as 35 nações avaliadas nesse quesito.

O Brasil possui mais de 2,2 milhões de professores de Educação Básica, segundo o  Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). E de acordo com o MEC, Pedagogia é um dos cursos com maior número de vagas ofertadas pelo Sisu – Sistema de Seleção Unificada. Ainda assim, um estudo elaborado pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) mostra que a carreira docente não atrai os alunos de melhor desempenho. Alguns números chamam a atenção: tomando como base os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), os estudantes brasileiros que disseram que pretendem ser professores obtiveram 18,6 pontos a menos da média do país em matemática, 20,1 pontos a menos em ciências e 18,5 a menos em leitura.  O interesse dos jovens pela carreira do magistério já foi de 7,5% e  atualmente está em 2,4%, segundo dados do relatório Políticas Eficientes para Professores, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Seguindo na contramão do desinteresse pela profissão está o carioca Gustavo Beirão Vinagre da Nóbrega Santos. “Sempre que um país está em crise ou passando por sérias dificuldades, a Educação é uma das formas mais eficazes de se corrigir o rumo da nação”, diz o menino de 14 anos. A visão de que não há progresso sem Educação fez o aluno da 7a série do Ensino Fundamental morador do bairro de Irajá, no Rio de Janeiro, decidir que quer ser professor. “Com essa profissão, posso fazer a minha parte para ajudar a mudar o meu país”, afirma o jovem. Professores e gestores do Centro Educacional Vasconcelos Dantas, onde Gustavo estuda desde 2014, o descrevem como um aluno disciplinado e muito participativo. Com 100% de bolsa para conseguir continuar estudando em uma escola privada, nem mesmo as dificuldades impostas pela pandemia para muitos estudantes conseguiram impedir o jovem de se dedicar aos estudos com a vontade de quem já estabeleceu metas e corre atrás de alcançar o sonho.

Gustavo ficou em primeiro lugar na Maratona de Matemática da Conquista, evento nacional para estudantes de escolas conveniadas à Conquista Solução Educacional. Apesar do bom desempenho em Matemática, o principal interesse do jovem é a Física. “Quero ser professor de Física, mostrar para as pessoas que essa unidade curricular é muito mais interessante do que imaginam e que o segredo é buscar entendê-la não por meio de cálculos ou fórmulas e sim imaginando e tentando enxergar como seus conceitos funcionam na prática”, destaca Gustavo. 

A vontade de mudar a vida de outras pessoas por meio da Educação faz Gustavo querer ir longe para realizar sua meta. O sonho do estudante é ir para a Finlândia, país reconhecido como modelo bem sucedido de educação pública. Considerado com um dos melhores sistemas de Educação do mundo, desde 2000, o país figura entre os primeiros lugares no ranking do Pisa. “Na Finlândia, o método de ensino é diferente, os alunos passam menos tempo na escola,  mas um tempo de qualidade. A forma de avaliar os alunos também é diferente e o professor lá é muito mais valorizado e possui mais autonomia”, descreve o aluno. 

Gustavo sabe que para ser professor na Finlândia é preciso uma trajetória muito diferente da brasileira. “Exatamente por ser considerada uma das mais importantes profissões para eles, se tornar professor naquele país não é fácil. É preciso ter, pelo menos, um mestrado, e os programas de capacitação para docentes lá são obrigatórios”, explica Gustavo. É exatamente por isso que o jovem sonha em realizar a formação profissional como professor naquele país, para depois voltar e dar aulas na sua terras natal. Mas o que falta ao Brasil para atrair para o magistério mais jovens com a mesma convicção e interesse de Gustavo e também conseguir oferecer uma formação diferenciada para estes profissionais, que permita, assim como na Finlândia, que o professor tenha a maior qualificação possível para desempenhar o trabalho de educar? “São muitos os desafios para se alcançar uma circunstância mais favorável, a começar por resolver questões como baixos salários, pouca valorização social e más condições de trabalho”, afirma Ivo Erthal, coordenador pedagógico da Conquista. Gustavo está ciente de tudo isso, mas acredita que com uma boa formação e a vontade de promover mudanças, pode ajudar a melhorar esse cenário.

Sobre a Conquista Solução Educacional

A Conquista é uma solução educacional que oferece aos alunos da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio uma proposta de educação e futuro que integra a família, a escola e a comunidade. Com diversos recursos, material didático completo e livros de Empreendedorismo e Educação Financeira, o objetivo da solução é ajudar, de forma consistente, os alunos no processo de aprendizagem e estimular o desenvolvimento de suas capacidades. Atualmente, mais de 1700 escolas de todo o Brasil utilizam a solução.

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