Coração em perigo: uma a cada cinco brasileiras tem risco de sofrer um infarto

Enquanto cresce em 157% número de mulheres internadas por infartos, hospitais unem esforços para que pacientes se recuperem sem sequelas

Limpar, lavar e arrumar casas até transformá-las em lares acolhedores era a rotina da diarista Andreia Maria Rodrigues, de 45 anos. No entanto, essa vida ativa foi interrompida mais de uma vez por infartos agudos do miocárdio, desencadeados por uma hipertensão que a acompanha há 16 anos. A última delas, em março de 2023, fez Andreia travar uma batalha incansável enquanto passava por um procedimento cirúrgico e recebia cuidados especiais no Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). “O zelo dos profissionais com a minha saúde foi decisivo para a minha recuperação. Fiz uma cirurgia no coração de peito aberto e estou bem, graças a Deus e à equipe que comandou o procedimento”, conta a paciente, emocionada. 

“Depois de começar a sentir fortes dores no peito, cansaço e falta de ar, fui até uma farmácia e descobri que minha pressão estava acima de 18 por 12. Em seguida, fui diretamente a um hospital, onde recebi o diagnóstico de infarto”, lembra Andreia. A pressão alta é um dos fatores de risco para condições graves como o infarto, que é a morte das células de uma região do músculo do coração por conta da formação de um coágulo que interrompe o fluxo sanguíneo de forma súbita e intensa. O problema, que ocorre principalmente devido ao acúmulo de placas de gordura nas artérias responsáveis por irrigar o órgão, pode provocar danos ao músculo cardíaco ou levar à morte. No Brasil, o número de internações por infarto aumentou mais de 155% ao comparar os anos de 2008 e 2022. Segundo um levantamento do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), a média mensal passou de 5,2 mil para 13,6 mil para os homens e de 1,9 mil para 4,9 mil para as mulheres.

Aumento de 62% nos infartos em mulheres jovens

Andreia está entre milhares de mulheres que sofrem infarto a cada ano no Brasil. As doenças cardiovasculares figuram como a principal causa de morte entre as brasileiras e já matam sete vezes mais que o câncer de mama. A pesquisa da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo traz números preocupantes, com uma em cada cinco mulheres sujeita a sofrer um infarto. Segundo outro estudo da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o aumento de infartos nas mulheres de 15 a 49 anos foi de 62%, no comparativo entre 1990 e 2019. “Hipertensão é um fator de risco para a doença arterial coronariana, que causa o fornecimento inadequado de sangue ao músculo cardíaco e, quando está em estágio avançado, faz com que o paciente precise ser submetido a uma cirurgia”, explica a cirurgiã cardiovascular Daniele Colatusso. “No caso da Andreia, realizamos uma cirurgia de revascularização do miocárdio, a famosa ponte de safena, que consiste em pegar um pedaço da veia safena da perna para fazer uma ponte entre a artéria aorta e o local após a obstrução da artéria coronária”, complementa a cirurgiã responsável pelo procedimento da paciente.

Agora, Andreia retorna ao convívio de sua família, carregada de gratidão pela vida e esperança pela oportunidade de recomeçar. “Sinto que estou com um coração novo e pronta para dar um passo de cada vez, com a paciência que esse momento merece”, revela a paciente. Para Daniele Colatusso, que acompanha todos os dias casos semelhantes como o de Andreia, o sentimento de salvar vidas a impulsiona na missão de ser uma profissional melhor. “Como médicos, estudamos e nos dedicamos ao máximo para cuidar e prolongar a expectativa de vida dos pacientes. Então, é um sentimento de missão cumprida e uma enorme satisfação quando o paciente retorna ao consultório bem, sem sequelas e com a vida de volta ao normal”, afirma a médica que atua nos hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat.     

Cada minuto importa

As doenças cardiovasculares figuram como a principal causa de morte nas Américas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No caso de um ataque cardíaco, cada minuto importa: quanto menor o tempo para receber atendimento médico, menores os danos ao coração. Apesar da metade das vítimas morrerem antes de chegar ao hospital, estudos da Universidade de Harvard apontam que 90% dos pacientes hospitalizados sobrevivem. Para a cirurgiã cardiovascular Daniele Colatusso, o alto índice de sobrevida é resultado do trabalho de equipes multidisciplinares, com o apoio do avanço de conhecimento, tecnologia e ciência. “Uma vez diagnosticado algum problema, o acompanhamento e mudanças de hábitos, seguindo corretamente as orientações do cardiologista, já vai trazer ótimos resultados no tratamento e qualidade de vida”, completa.

A combinação dos recursos humanos, tecnológicos, infraestrutura e políticas de controle de risco hospitalar torna-se essencial para o sucesso de procedimentos complexos. No Hospital Universitário Cajuru, com atendimento 100% via SUS, várias equipes se unem para recuperar a saúde e a esperança dos pacientes. “Em momentos como esse, faltam palavras para expressar minha profunda gratidão pela vida e pelas pessoas que me cuidaram. Estou certa de que foram muitos os envolvidos para permitir que meu coração continue a bater”, encerra a paciente Andreia.

Share:

Latest posts

Ganhador-poupanca-cianorte - -Jhon-Marlon-Feltrin-Prodentes - -eletricista-industrial (1)
Sicredi já distribuiu mais de R$ 3 milhões em prêmios para estimular o hábito de poupar
LORD-KRONY
Hard Rock Cafe Curitiba recebe espetáculo em homenagem a Freddie Mercury e o Queen
Bem-estar (1)
Bem-estar emocional como foco no ambiente de trabalho: mudanças na NR-1 colocam a saúde mental como pilar essencial nas estratégias corporativas

Sign up for our newsletter

Acompanhe nossas redes

related articles

Ganhador-poupanca-cianorte - -Jhon-Marlon-Feltrin-Prodentes - -eletricista-industrial (1)
Sicredi já distribuiu mais de R$ 3 milhões em prêmios para estimular o hábito de poupar
Mais de 400 associados já foram contemplados em 2026 na campanha Poupança Premiada, que segue até dezembro...
Saiba mais >
LORD-KRONY
Hard Rock Cafe Curitiba recebe espetáculo em homenagem a Freddie Mercury e o Queen
Freddie-Verso, apresentado por Lord Krony, reúne clássicos da banda em noite dedicada ao legado do cantor O...
Saiba mais >
Bem-estar (1)
Bem-estar emocional como foco no ambiente de trabalho: mudanças na NR-1 colocam a saúde mental como pilar essencial nas estratégias corporativas
Modelo cooperativista se destaca pelo pioneirismo em ações voltadas ao bem-estar emocional dos colaboradores O...
Saiba mais >
*por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em transformação, e as habilidades necessárias para atuar em um mundo permeado por IA ainda estão sendo construídas — muitas delas nem sequer possuem nome ou classificação formal em códigos ocupacionais. Apesar da velocidade de adoção, existe uma contradição: o volume de investimento em IA nas empresas é desproporcional aos resultados efetivamente colhidos. Parte do problema está em tentar aplicar IA a processos que já não fazem mais sentido, em vez de repensar os fluxos de trabalho antes de automatizá-los. 88% das organizações usam IA em ao menos uma função, mas apenas 39% reportam qualquer impacto no EBIT — e a McKinsey estima que ~75% dos cargos precisam de reformulação fundamental. A adoção aconteceu; o redesenho do trabalho, não. (dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
ARTIGO: Mentalidade AI First: cinco skills fundamentais para os gestores de RH desenvolverem ainda este ano
*por Juliana Maria – head de Produtos HCM na Senior Sistemas Existe uma força de trabalho em...
Saiba mais >