Graduação no exterior entra no planejamento de famílias brasileiras

Mercado de educação internacional movimentou R$ 7 bilhões em 2025; candidatura a universidades estrangeiras começa cada vez mais cedo

A graduação no exterior vem ganhando espaço no planejamento acadêmico de famílias brasileiras, em sintonia com a expansão do mercado de educação internacional. Segundo a Pesquisa Nacional Selo Belta 2026, o setor alcançou R$ 7 bilhões em 2025, alta de 27,3% em relação ao ano anterior.

Entre os destinos mais procurados, os Estados Unidos se destacam entre os estudantes brasileiros. Em 2024/25, 17.277 estudantes do país estavam matriculados em instituições de ensino superior norte-americanas, segundo o relatório Open Doors 2025. O Brasil foi o décimo maior país de origem dos estudantes internacionais nos EUA.

Esse movimento também revela um perfil majoritariamente feminino entre os brasileiros interessados em estudar no exterior. Levantamento do Salão do Estudante, realizado entre outubro de 2023 e abril de 2025 com 82 mil estudantes, mostra que as mulheres correspondiam a 65% desse público.

“Por trás desses números está uma mudança na forma como as famílias encaram a formação internacional. A preparação para uma candidatura competitiva pode começar anos antes da application, com atenção ao desempenho acadêmico, domínio de idiomas, projetos, atividades extracurriculares, liderança e experiências de voluntariado”, explica Isabela Moraes, College Counselor do Positivo International School, em Curitiba (PR).

Preparação começa antes da application

A aprovação em instituições de destaque no exterior exige planejamento de longo prazo. Para o coordenador de Inglês do Santo Ivo International School, em São Paulo (SP), José Luís Braga Salgueiro, o ingresso internacional demanda uma “desconstrução” do modelo mental brasileiro. “Entre os principais pontos estão o acompanhamento do desempenho acadêmico, a participação em projetos relacionados aos interesses do aluno, o envolvimento em atividades de voluntariado e a preparação para exames de proficiência”, afirma.

“As notas devem ser acompanhadas ao longo dos anos, enquanto iniciativas de pesquisa, empreendedorismo, esporte, arte, tecnologia, liderança ou impacto social, podem contribuir para formar uma trajetória consistente”, acrescenta.

Experiências ajudam a construir a trajetória

Mais do que acumular certificados, o estudante deve buscar experiências alinhadas aos próprios interesses. “As universidades não estão procurando apenas alunos com boas notas ou uma lista extensa de certificados. É importante construir uma trajetória que mostre interesses genuínos, iniciativa e envolvimento com aquilo que faz sentido para cada estudante”, explica Isabela.

Feiras e eventos acadêmicos, além de iniciativas de universidades e instituições de pesquisa, permitem ampliar repertório, desenvolver trabalhos e demonstrar curiosidade intelectual.

O voluntariado também pode fazer parte desse percurso. No currículo IB (International Baccalaureate), programa educacional internacional voltado à formação acadêmica ampla, essa dimensão aparece no CAS (Creativity, Activity and Service), que inclui o serviço à comunidade como uma das três frentes de desenvolvimento do estudante, ao lado da criatividade e da atividade física.

“O voluntariado pode ser uma experiência muito relevante quando existe envolvimento real do aluno. Mais do que cumprir uma atividade, o importante é entender o impacto daquela experiência e refletir sobre o que ela trouxe para sua formação, fugindo do assistencialismo e buscando impacto real e continuo”, afirma Isabela.

Também faz parte desse planejamento a preparação para exames de proficiência. Dependendo da universidade e do país escolhido, pode ser necessário comprovar domínio do inglês ou de outro idioma. TOEFL, IELTS e Cambridge estão entre os exames utilizados por instituições de ensino superior, e a preparação antecipada permite identificar pontos de melhoria e cumprir os prazos exigidos.

Cada universidade tem uma lógica

O calendário e os critérios variam conforme o país e a universidade. Para muitos estudantes que pretendem iniciar a graduação no ano seguinte, o período de applications começa a ganhar força a partir de setembro.

Nessa etapa, podem ser solicitados documentos acadêmicos, resultados de exames, cartas de recomendação, redações, currículo e informações sobre atividades extracurriculares. Algumas instituições também realizam entrevistas, exigem portfólios ou adotam exames específicos.

Nos Estados Unidos, o processo costuma considerar diferentes dimensões do perfil do candidato. No Reino Unido, cada universidade e curso possui critérios próprios, o que exige atenção aos prazos e requisitos de cada instituição.

“Cada universidade tem uma lógica. Por isso, não existe uma receita única para montar uma application. O estudante precisa entender o perfil da instituição e, ao mesmo tempo, saber apresentar sua própria trajetória”, explica Isabela.

A busca por bolsas de estudos também pode fazer parte da candidatura. Elas podem ser oferecidas pelas próprias universidades, por governos, fundações e outras organizações. Há modalidades que consideram desempenho acadêmico, enquanto outras levam em conta necessidade financeira, liderança, esportes, pesquisa ou impacto social.

Ao pesquisar as instituições, o candidato precisa verificar não apenas o valor da mensalidade, mas também bolsas, auxílios financeiros e possibilidades de redução de custos para estudantes internacionais. Algumas oportunidades exigem candidatura específica e têm prazos diferentes dos processos de admissão.

O acompanhamento de um College Counselor pode ajudar a organizar essas etapas e tomar decisões de maneira mais estratégica. O profissional pode auxiliar na escolha de universidades compatíveis com o perfil do aluno, no planejamento de prazos, na organização de documentos, na preparação das redações e na construção da candidatura.

“O papel do counselor não é escolher pelo estudante, mas ajudá-lo a fazer as perguntas certas. Precisamos entender quais são seus interesses, valores e objetivos para encontrar universidades que façam sentido para aquela trajetória”, afirma Isabela.

IB amplia caminhos acadêmicos

Para estudantes que pretendem manter abertas as possibilidades de estudar no Brasil ou no exterior, o International Baccalaureate (IB) oferece uma formação que combina disciplinas acadêmicas com pesquisa, pensamento crítico, produção escrita, atividades práticas e projetos de serviço.

No Diploma Programme, realizado nos dois últimos anos do Ensino Médio, o estudante passa por avaliações internas e externas e desenvolve trabalhos de pesquisa, redação e apresentações. A formação inclui três componentes centrais: o Extended Essay, uma monografia de até 4 mil palavras; o Theory of Knowledge, voltado à reflexão sobre a natureza do conhecimento; e o CAS, que reúne experiências de criatividade, atividade e serviço.

A estrutura do programa pode contribuir para o desenvolvimento de competências valorizadas nos processos seletivos internacionais, como autonomia, capacidade de pesquisa, argumentação, pensamento crítico e organização. A pontuação máxima do Diploma Programme é de 45 pontos.

No Brasil, instituições como FGV e PUC-SP possuem modalidades de ingresso que aceitam o International Baccalaureate. Na FGV, candidatos que tenham realizado o IB podem concorrer a vagas de graduação pela modalidade de Exames Internacionais, conforme os critérios definidos para cada curso. Na PUC-SP, estudantes com o Diploma Programme podem participar de processo seletivo específico, de acordo com os editais da instituição.

“O IB prepara o estudante não apenas para uma prova, mas para um processo de aprendizagem que valoriza pensamento crítico, pesquisa e autonomia. Essas competências dialogam diretamente com o perfil buscado por muitas universidades internacionais”, destaca Isabela.

Positivo International School oferece trajetória IB

No Paraná, o Positivo International School oferece uma trajetória escolar alinhada ao modelo IB, com os programas PYP (Primary Years Programme), MYP (Middle Years Programme) e DP (Diploma Programme). A proposta permite que princípios e metodologias do programa internacional estejam presentes em diferentes etapas da formação, do Ensino Fundamental ao Ensino Médio.

Com essa continuidade, a preparação para estudar fora não precisa ser concentrada no último ano escolar. Quanto antes o estudante conhecer seus interesses, explorar possibilidades, desenvolver projetos e compreender os critérios das universidades que pretende disputar, maior será sua capacidade de construir uma candidatura consistente, inclusive para oportunidades de bolsas de estudo.

“O sucesso acadêmico internacional é o resultado natural de um ecossistema escolar estruturado para formar cidadãos globais”, afirma Isabela Moraes. Segundo a especialista, ao oferecer essa continuidade pedagógica, a escola não apenas prepara o aluno para exames, mas constrói um planejamento estratégico baseado em valores individuais.

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