Inovação e proteção de dados: o equilíbrio essencial na era digital

Em 2023, o Brasil enfrentou uma onda alarmante de ataques cibernéticos, com 75 empresas sendo alvo de ransomwares. Destas, 83% se viram forçadas a pagar o resgate para recuperar suas informações, segundo dados da Sophos, empresa britânica de segurança digital. Esse cenário não só expõe a vulnerabilidade das organizações, mas também destaca a necessidade urgente de equilibrar a busca por inovação tecnológica com estratégias robustas de proteção de dados.

Com a evolução do cibercrime na mesma velocidade da implantação de novas tecnologias, as empresas enfrentam o desafio de proteger seus dados enquanto buscam inovação. “Nesse contexto, a criação de uma cultura sólida de segurança torna-se imprescindível para garantir que as informações permaneçam protegidas, mesmo diante das ameaças mais sofisticadas”, afirma Adriana Saluceste, diretora de Tecnologia da Tecnobank.

Segundo ela, a implementação de uma arquitetura de segurança Zero Trust (Confiança Zero) é um passo crucial para alcançar esse objetivo. Trata-se de uma abordagem de segurança cibernética que elimina o conceito tradicional de confiar automaticamente em usuários ou dispositivos dentro de uma rede, adotando o princípio de “nunca confie, sempre verifique”. Em vez de presumir que tudo dentro da rede é seguro, a Confiança Zero pressupõe que cada solicitação de acesso pode ser uma ameaça, exigindo autenticação e autorização rigorosa para cada ação. 

Essa estratégia protege os dados mais críticos da organização, criando microperímetros de segurança que limitam o movimento lateral de potenciais invasores e aplicando controles de acesso detalhados e contínuos. Isso significa que, independentemente de onde estejam os usuários, dispositivos ou dados, a Confiança Zero busca garantir que apenas quem tem permissão realmente acesse os recursos necessários, reduzindo significativamente os riscos de violações de segurança.

“Proteger dados em um ambiente onde o cibercrime está cada vez mais sofisticado exige mais do que apenas uma boa tecnologia; é necessário criar uma cultura de segurança dentro da empresa”, afirma a especialista. Ela destaca que a criptografia, a autenticação multifatorial (MFA) e a constante atualização de firewalls também são práticas fundamentais. “Contudo, a tecnologia sozinha não basta; é imperativo que as empresas invistam em capacitação contínua para que os colaboradores saibam identificar ameaças e agir de maneira eficaz”, ressalta.

Conscientes da necessidade de equilibrar inovação e proteção de dados, algumas organizações já têm integrado a segurança digital desde o início do processo de desenvolvimento. Adriana aponta que metodologias como DevSecOps, juntamente com Avaliações de Impacto à Proteção de Dados (DPIA), são essenciais para identificar e mitigar riscos nas fases iniciais de novos projetos. “Além disso, a segurança na cadeia de suprimentos é fundamental para assegurar que todos os parceiros e fornecedores estejam alinhados com os mesmos padrões de proteção”, reforça.

Ela ressalta também os desafios enfrentados pelas empresas brasileiras, que incluem a adaptação dos processos internos e a necessidade de criar uma cultura para estar em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Além de ajustar sistemas e procedimentos, as organizações devem garantir que todos os colaboradores entendam a importância da privacidade e proteção de dados desde o início”, enfatiza. Para ela, essa abordagem deve ser contínua e integrada. Programas de treinamento atualizados regularmente, simulações de ataques cibernéticos e workshops interativos são algumas das estratégias eficazes para manter as equipes preparadas para enfrentar possíveis ameaças.

Por fim, é possível se beneficiar de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial (IA) e o blockchain, para fortalecer as estratégias de segurança cibernética. Adriana lembra  que a IA permite a análise em tempo real de grandes volumes de dados, identificando padrões que podem indicar ameaças. “Além disso, a automação e o uso de machine learning oferecem uma abordagem proativa na proteção contra ataques, preparando as empresas para enfrentar os  obstáculos de um ambiente digital em constante evolução”, finaliza.

Share:

Latest posts

DUPLADIPLOMACAO
Sem vestibular, nem Enem: conheça outra forma de ingresso em universidades brasileiras
WhatsApp-Image-2026-04-16-at-14.42
Sport Week movimenta City Center Outlet Premium com ativações esportivas e experiências interativas no mall
default
Projeto Sucuriú: Valmet segue cronograma e inicia montagem eletromecânica

Sign up for our newsletter

Acompanhe nossas redes

related articles

DUPLADIPLOMACAO
Sem vestibular, nem Enem: conheça outra forma de ingresso em universidades brasileiras
32 universidades brasileiras agora aceitam o certificado do International Baccalaureate (IB) como forma...
Saiba mais >
WhatsApp-Image-2026-04-16-at-14.42
Sport Week movimenta City Center Outlet Premium com ativações esportivas e experiências interativas no mall
Campanha acontece de 16 a 21 de abril e posiciona o único outlet premium do estado como destino ideal...
Saiba mais >
default
Projeto Sucuriú: Valmet segue cronograma e inicia montagem eletromecânica
Com cerca de 70% das obras civis concluídas, multinacional finlandesa projeta avanço significativo na...
Saiba mais >
Nenad Fotografia - City Center Outlet
Outlet de Campo Largo cria "melhor dia para comprar calçados" com descontos agressivos às terças de abril
Campanha traz marcas como Nike, Adidas, Puma, Fila, Usaflex, Jorge Bischoff e Lacoste com preços de outlet,...
Saiba mais >