Opinião – Urbanismo que abre caminhos: como tornar uma cidade inteligente

*Fabrício Ormeneze Zanini

Dentro da área de Arquitetura e Urbanismo, quando falamos em projeto, é comum pensar no começo de algo, em um início do zero. Mas, quando isso entra no âmbito das cidades e do planejamento público, a reformulação e adaptação podem ser a chave que abrirá portas para a mobilidade e o bem-estar da população, critérios essenciais em uma smart city.

A Frost and Sullivan, uma empresa de pesquisa de mercado, prevê que, até 2025, o mundo terá, pelo menos, 26 grandes cidades inteligentes. E o impacto desses posicionamentos deve se refletir em outras metrópoles, que também precisarão se adaptar para melhorar o padrão e a qualidade de vida de suas populações. Para isso, o segredo é básico e único, mas, muitas vezes, foge da pauta de quem pensa em iniciar esse projeto: humanização. 

Estratégias que transformem o espaço público e comum, por exemplo, são uma maneira de envolver todos os públicos da cidade com uma só ação. Uma das iniciativas interessantes para ajudar os gestores públicos nessa tarefa é a ferramenta gratuita Parques para Todas e Todos, do Instituto Semeia e do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). A proposta reúne informações e sugestões para promover a inclusão no espaço público. 

Outros aspectos do Urbanismo que transformam uma metrópole são a locomoção e a mobilidade urbana. Ainda tabu e muito controversa, a dinâmica de organização entre pedestres, ciclistas e motoristas é uma questão que, se analisada de forma inteligente, pode solucionar problemas em diversas áreas. Em Seul, por exemplo, a cidade optou por demolir sua auto estrada, que ficava sobre o rio Cheonggyecheon, por onde transitavam, aproximadamente, 160 mil veículos, e construir um parque no lugar. A mudança reduziu a poluição sonora e a temperatura ao redor do local e ainda proporcionou um novo espaço de lazer para os cidadãos. 

Com uma ideia menos futurista, distante daquela que imagina cidades com carros voadores, máquinas por todo lado e robôs exercendo todas as funções, o contato com a população e o conhecimento sobre os pontos de melhoria de cada lugar são critérios diretamente envolvidos com o desenvolvimento de uma cidade inteligente. O real segredo de como o Urbanismo e a gestão pública podem transformar uma cidade é a participação de quem irá desfrutar das melhorias. Para isso, a tecnologia é o melhor caminho, mas sempre aliada à mente pensante do ser humano. 

*Fabrício Ormeneze Zanini é diretor-presidente do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI)

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