Cultura antirracista: debate precisa ser levado para dentro das escolas

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Embora muitos ainda tentem ignorar, a desigualdade racial e o racismo ainda estão enraizados na sociedade e também nas escolas brasileiras. A proximidade do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, convida à reflexão do tema, embora seja importante deixar claro que o racismo no Brasil não se restringe apenas à população negra. Apesar de inúmeros esforços no sentido de fazer da Educação um caminho para eliminar essa desigualdade entre brancos e negros (ou pessoas de qualquer outra etnia), a realidade mostra que isso ainda está longe de ser alcançado. “A Educação é um pilar essencial na formação de crianças e jovens que não discriminam pessoas pela cor da pele e, por isso, as escolas precisam entrar nesse debate e trabalhar para criar em seus ambientes uma cultura antirracista”, afirma a assessora de História do Sistema Positivo de Ensino, Marcella Albaine Farias da Costa. 

De acordo com ela, para avaliar o papel das escolas nesse debate e como elas estão desempenhando esse papel, é preciso, antes de mais nada, entender que o currículo escolar é um espaço de disputa e seleção. “Os livros didáticos, incluindo os de História, respondem às demandas de um tempo e, portanto, apresentam mudanças e transformações que são gradativas, parte de um processo. Falar da luta antirracista hoje demanda de nós fazermos uma crítica à perspectiva eurocêntrica, a valorização da Europa no centro dos processos de ensino e aprendizagem em História. E é preciso trabalhar outras narrativas, outras histórias que, por muito tempo, estiveram silenciadas”, explica Marcella. 

Para a especialista, existem inúmeras formas de se trabalhar o combate ao racismo. Entre elas, discutir a inserção do negro na sociedade e como essa mesma sociedade o acolhe. Para isso, podem ser analisados e trabalhados diversos dados como, por exemplo, a relação entre raça e indicadores socioeconômicos, e também sobre violência. Os números  mostram que, no Brasil, a população negra é a principal vítima de homicídio, com os negros tendo 2,7 mais chances de serem mortos do que os brancos, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Podemos também trabalhar com abordagens que ofereçam pontos positivos a esse processo educativo, como, por exemplo, a valorização da música, da produção científica, dos negros e negras que contribuíram – e muito – para a História do nosso país. É importante por exemplo, destacar a literatura infanto juvenil como uma valiosa ferramenta, por meio de contos africanos, que vão nos ajudando a dar sentido à produção desse conhecimento”, descreve.

Estudiosos do assunto defendem que as crianças precisam aprender História por meio de lentes antirracistas. Não basta apresentar a elas o papel da supremacia branca ou a simples existência do racismo. É preciso que esse conhecimento seja abordado e trabalhado de forma a desenvolver nos alunos o senso crítico, a capacidade de reflexão e o ímpeto de buscar a justiça social. O aprendizado socioemocional, que oferece às crianças as ferramentas para gerenciar e expressar seus sentimentos, é fundamental nesse trabalho. Psicólogos que estudam o desenvolvimento infantil alertam para o fato de que crianças entre dois e quatro anos já podem começar a apresentar preconceitos raciais. “Ainda na Educação Infantil é possível identificar comportamentos que repetem algumas das mesmas atitudes racistas dos adultos”, revela Marcella. 

E esse aprendizado deve ser iniciado o quanto antes. A educadora explica que, com crianças pequenas, é preciso apenas tomar o cuidado de não utilizar literaturas que apresentem situações de racismo, mesmo que de forma subliminar. Diferente da abordagem no Ensino Fundamental e Ensino Médio, onde tais obras com conteúdos racistas podem incentivar o senso crítico. “É na infância que temos uma introdução ao universo dos conceitos. A luta antirracista precisa ser ensinada de forma correta para que as crianças aprendam desde cedo”, reforça. 

Nos Estados Unidos, a morte de George Floyd por um policial branco em Minneapolis, no final de maio, deu início ao que pode ser o maior movimento social da história americana. Não faltam exemplos de casos brasileiros que, assim como o episódio americano, suscitam indignação e mobilização da sociedade, ocupando as primeiras páginas dos noticiários e viralizando na internet. Em 2013, o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza desapareceu após ser detido por policiais militares na porta de sua casa, em uma favela no Rio de Janeiro. De acordo com a Justiça, ele foi torturado e morto por policiais e seu corpo nunca foi encontrado. Em julho deste ano, um policial pisou no pescoço de uma mulher negra de 51 anos, durante uma confusão de rua, em São Paulo. Também neste ano, um motoboy foi vítima de racismo, ao tentar realizar uma entrega num condomínio de luxo. 

“Episódios tristes e trágicos de nosso cotidiano costumam dar voz para a indignação de uma parcela da população. E essas vozes precisam ser ouvidas e compreendidas nas suas demandas e amplificadas. As faculdades têm realizado eventos para o desenvolvimento profissional de educadores; vários professores nas escolas Brasil afora têm feito trabalhos que apontam no sentido de permitir esse tipo de reflexão. Precisamos somar esforços que demonstrem que esse debate é presente, é contemporâneo e diz respeito a todos nós”, completa.

A educadora reforça que somente por meio da Educação será possível ajudar crianças e jovens a desenvolverem a consciência de si mesmos e se somarem aos esforços da luta antirracista. “Para ajudar professores nessa tarefa, podemos nos apropriar também das mídias digitais. Existem hoje aplicativos, como por exemplo Passados Presentes, que são excelentes recursos que podem e devem atuar a favor do trabalho realizado em sala de aula. E esse é um esforço para os professores de todas a áreas de conhecimento, não apenas do professor de História. É algo que deve ser trabalhado em todas as áreas de conhecimento”, finaliza. 

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Sobre o Sistema Positivo de Ensino

É o maior sistema voltado ao ensino particular no Brasil. Com um projeto sempre atual e inovador, ele oferece às escolas particulares diversos recursos que abrangem alunos, professores, gestores e também a família do aluno com conteúdo diferenciado. Para os estudantes, são ofertadas atividades integradas entre o livro didático e plataformas educacionais que o auxiliam na aprendizagem. Os professores recebem propostas de trabalho pedagógico focadas em diversos componentes, enquanto os gestores recebem recursos de apoio para a administração escolar, incluindo cursos e ferramentas que abordam temas voltados às áreas de pedagogia, marketing, finanças e questões jurídicas. A família participa do processo de aprendizagem do aluno recebendo conteúdo específico, que contempla revistas e webconferências voltados à educação.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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