Resistência a antibióticos pode matar mais que câncer até 2050, alertam pesquisadores

Fórum internacional promovido pelo Biopark alerta para o aumento de casos de contaminações por patógenos resistentes e o perigo de novos contaminantes emergentes

Projeções epidemiológicas globais indicam que, se as práticas atuais de controle sanitário e uso de antibióticos não forem revistas, as superbactérias vão provocar mais mortes do que o câncer até os anos 2040/2050. O alerta fundamenta-se no Relatório O’Neill (2016), estudo que prevê até 10 milhões de óbitos anuais por resistência antimicrobiana (RAM) nas próximas décadas e um impacto econômico global de US$ 100 trilhões.

O desafio da Salmonella

Nesse cenário de urgência, a Salmonella é apontada como uma das ameaças mais críticas devido à sua alta capacidade de adaptação e persistência na cadeia alimentar. Dados de 2024 publicados por órgãos de vigilância do Reino Unido (GOV.UK) e dos Estados Unidos (CDC) revelam um aumento atípico nos casos de Salmonella não tifoide (principalmente Enteritidis e Typhimurium). Diferente de intoxicações comuns, linhagens multirresistentes podem invadir a corrente sanguínea e atingir órgãos vitais, elevando drasticamente o risco de septicemia principalmente em crianças, idosos e gestantes.

“A Salmonella é um microrganismo altamente adaptado. Ela contamina água e alimentos, impactando a saúde pública de forma massiva”, explica Alberto Gonçalves Evangelista, pesquisador do Biopark e coordenador técnico do evento Alimentos do Futuro. Segundo o especialista, o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Alimentos Saudáveis, uma parceria estratégica entre o Biopark Educação, a Fundação Araucária e o Governo do Paraná, trabalha no desenvolvimento de estratégias para mitigar a circulação desses genes de resistência entre o campo e a mesa do consumidor.

O tema foi detalhado pela professora Valentina Trinetta, da Kansas State University (EUA), especialista em ecologia e controle de patógenos em toda a cadeia de suprimentos, durante a terceira edição do evento Alimentos do Futuro, promovido pelo Biopark, em Toledo, no Paraná. O fórum técnico reuniu academia, indústria e órgãos de regulação para discutir soluções contra patógenos que já demonstram resistência a antibióticos de última linha.

Microplásticos e a “Plastisfera”

Além do perigo bacteriano, a segurança alimentar enfrenta o desafio dos contaminantes emergentes que funcionam como “carreadores” de doenças. Durante o evento, o professor Andreja Rajkovic, da Ghent University (Bélgica), apresentou alertas sobre como micro e nanoplásticos estão redefinindo os riscos sanitários por meio da chamada “Plastisfera”.

Segundo o pesquisador, essas partículas não são apenas resíduos inertes; elas servem como suporte para que microrganismos patogênicos — como Staphylococcus aureus e Listeria monocytogenes — formem biofilmes. Ao colonizar superfícies plásticas, as bactérias podem se tornar mais virulentas, introduzindo riscos infecciosos inéditos que podem afetar da água potável aos produtos pesqueiros. A exposição humana a esses materiais pode, ainda, potencializar quadros de asma, alergias e patologias cardíacas.

Micotoxinas: o inimigo invisível nos grãos

Outro ponto crítico para a saúde pública são as micotoxinas, tema abordado pela professora Marthe de Boevre, também da Ghent University. Geradas por fungos em grãos armazenados, essas substâncias são extremamente estáveis e resistentes ao calor, figurando entre os agentes mais carcinogênicos conhecidos pela ciência. O consumo de alimentos contaminados está diretamente ligado a danos crônicos ao fígado e aos rins.

O evento contou ainda com debates sobre investimentos governamentais, biotecnologia na produção de frangos de corte e inovações como a carne cultivada. O “Alimentos do Futuro” é uma realização conjunta do Biopark Educação, NAPI Alimentos Saudáveis e Universidade Federal do Paraná (UFPR), com apoio da Fundação Araucária.

Sobre o Biopark

Nomeado pela Anprotec como o melhor hub de inovação do Brasil, o Biopark está localizado em Toledo, região Oeste do Paraná, em uma área de mais 5 milhões de m². Com o foco no desenvolvimento regional por meio da educação, da pesquisa e da geração de negócios, o Biopark já conta com mais de três mil pessoas circulando diariamente em seu território. Atualmente, mais de 130 empresas já atuam no local, gerando empregos e progresso. Três instituições federais de ensino estão instaladas no Biopark (UFPR, UTFPR e IFPR, além da Faculdade e do Colégio Donaduzzi. Em 30 anos, o Biopark deve receber mais de 500 empresas, ofertar 30 mil postos de trabalho e ter população de 75 mil moradores.

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Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. 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