Sete projetos criados por estudantes que estão transformando a sustentabilidade nas escolas

Iniciativas desenvolvidas por estudantes mostram como a educação ambiental pode nascer da sala de aula e gerar impacto no dia a dia escolar

A preocupação com sustentabilidade já faz parte da rotina das novas gerações, e, cada vez mais, deixa de aparecer apenas em debates teóricos para ganhar espaço em projetos criados pelos próprios estudantes. Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) mostram que a educação ambiental tem papel central na formação de cidadãos mais preparados para lidar com desafios climáticos e sociais, especialmente quando conecta aprendizagem e experiência prática. No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) também prevê a sustentabilidade como tema transversal, incentivando escolas a trabalharem o assunto de forma interdisciplinar.

Na prática, isso já acontece em diferentes instituições de ensino, onde crianças e adolescentes vêm propondo soluções relacionadas ao desperdício, reaproveitamento de recursos, descarte de resíduos e preservação ambiental. “A partir da observação do cotidiano escolar, os estudantes transformam a escola em um espaço de investigação, criatividade e participação ativa”, afirma a engenheira ambiental e supervisora de Sustentabilidade Corporativa do Grupo Positivo, Thaís Milena de Araujo.

 1. Composteiras inteligentes transformam resíduos em aprendizado prático

Inspirados pelas aulas de Maker e Ciências, cerca de 70 estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental do Colégio Positivo – Água Verde, em Curitiba, pesquisaram, testaram e prototiparam diferentes modelos de composteiras, incorporando sensores de umidade e sistemas de adubação automatizada. A proposta deu um novo destino aos resíduos orgânicos do refeitório e aproximou os estudantes de conceitos como decomposição, reaproveitamento de materiais e ciclos naturais.

Hoje, toda a comunidade escolar participa da coleta de resíduos orgânicos, e o adubo produzido é utilizado nas hortas cultivadas por outras turmas. O projeto mostra como ciência e tecnologia podem sair do campo teórico e se transformar em soluções concretas para o ambiente escolar.

2. Materiais descartados viram ferramenta de inovação nas aulas de robótica

Durante as aulas de Maker e Robótica, mais de 200 estudantes do Ensino Fundamental – Anos Finais do Passo Certo Bilingual School, em Cascavel, foram desafiados a inovar sem desperdiçar. Com orientação dos professores, os alunos desenvolveram o projeto Sustainable Creativity in Action, usando exclusivamente materiais reutilizáveis ou recicláveis, como papelão, tampinhas, garrafas PET e sucata eletrônica, para criar os robôs.

A proposta estimula criatividade, pensamento crítico e consciência ambiental, ao mesmo tempo que coloca em prática a lógica da economia circular. Ao transformar descarte em recurso pedagógico, o projeto reforça a ideia de que sustentabilidade e tecnologia podem caminhar juntas dentro da escola.

3. Jornal e sustentabilidade aproximam alunos da realidade da cidade

Desenvolvido com estudantes do 3º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Secretário Olinda de Andrada, de Alterosa (MG), o projeto “Jornal Inteligente: minha, sua, nossa cidade” começou com leituras e debates sobre problemas urbanos, especialmente o descarte inadequado de lixo e seus impactos.

Em seguida, os alunos participaram de um passeio pelos bairros próximos à escola, produziram notícias e entrevistas jornalísticas e ainda participaram de uma oficina criativa de reaproveitamento de materiais. “Nossa ideia é valorizar práticas criativas e sustentáveis de reaproveitamento de materiais recicláveis, utilizando recursos tecnológicos na produção e divulgação do jornal e fortalecendo o protagonismo, a cooperação e a responsabilidade social dos alunos”, afirma a diretora da escola, Fabiene Aparecida de Oliveira.

Depois de arrebatar os estudantes e familiares, a iniciativa ganhou o Brasil e conquistou o primeiro lugar na categoria Educação para a Sustentabilidade do concurso nacional Aprende Brasil Criativo. Segundo a professora responsável, Nayra Gonçalves Oliveira, “os alunos vivenciaram o protagonismo e a cidadania de forma lúdica e significativa, compreendendo seu papel como agentes de transformação na comunidade e ampliando sua consciência ambiental”.

 4. Retirar lixeiras da sala muda hábitos e reduz desperdício

Com o objetivo de estimular a reflexão sobre desperdício de papel e promover hábitos mais sustentáveis, o Colégio Positivo – Joinville retirou as lixeiras das salas de aula. O projeto, chamado Consciência sem Lixeiras: Educando para o Consumo e Descarte Responsável, envolveu cerca de 220 estudantes do Ensino Fundamental – Anos Iniciais e provocou mudanças visíveis na rotina escolar: os espaços ficaram mais limpos e organizados, e os alunos passaram a utilizar com mais frequência os pontos de coleta seletiva, distinguindo corretamente resíduos orgânicos de recicláveis.

Em apenas cinco meses, a economia de papel superou 38 mil metros, resultado que reforça o potencial de pequenas mudanças comportamentais quando acompanhadas de orientação e propósito pedagógico.

 5. Projeto valoriza ancestralidade e fortalece vínculos com a comunidade

Quando se fala em sustentabilidade, o mais comum é abordar temas relacionados ao meio ambiente, reciclagem, reuso e outras práticas que afetam diretamente a natureza. No entanto, o “S”, na sigla ESG, significa “social”. Ou seja, também é sustentabilidade toda ação relacionada a questões humanas e sociais, como inclusão e valorização de comunidades tradicionais.

Com reflexões sobre as culturas indígena e africana e sua influência na formação da identidade brasileiras, o projeto “Raízes que nos formam” foi desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Profª Cléia Caçapava Silva, de Paraguaçu Paulista (SP). A iniciativa envolveu estudantes, famílias e comunidade em nove oficinas interdisciplinares, cada uma conduzida por uma área do conhecimento. Como resultado, a escola realizou uma exposição aberta ao público que recebeu mais de 1,5 mil visitantes, ampliando o debate sobre diversidade, ancestralidade e relações étnico-raciais para além do ambiente escolar. 

“A proposta se baseou na premissa de que o conhecimento cultural é essencial para compreender que as diferenças são positivas e contribuem para o desenvolvimento pleno do ser humano. Reconhecer e respeitar as diferentes origens, tradições e saberes é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e empática”, afirma a coordenadora responsável pelo projeto, Vanessa de Souza Cunha.

 6. Curiosidade infantil leva escola a instalar cisterna

A observação de uma antiga caixa d’água no pátio do Colégio Positivo – Júnior, em Curitiba, foi o ponto de partida para um projeto que nasceu da escuta das crianças. Estudantes da Educação Infantil começaram a questionar o funcionamento da estrutura e a investigar formas de reaproveitar a água da chuva. O movimento resultou em uma carta coletiva enviada à direção pedindo que a água não fosse desperdiçada.

A partir dessa mobilização, o projeto Consciência que Transforma, a partir da curiosidade das crianças possibilitou a instalação de uma cisterna. A estrutura passou a permitir o reaproveitamento da água coletada na limpeza dos ambientes escolares, na irrigação das áreas verdes e em atividades pedagógicas. A iniciativa evidencia o protagonismo infantil e mostra como a curiosidade das crianças pode gerar transformações concretas no espaço onde estudam.

 7. Estudantes criam solução para a despoluição de lagos urbanos

Dois estudantes da 1ª Série do Ensino Médio desenvolveram uma proposta sustentável para enfrentar um dos principais desafios ambientais de Londrina. Gustavo Campos e Sofia Gastaldim criaram o Garden EcoFlut, projeto que propõe a instalação de jardins flutuantes para melhorar a qualidade da água do Lago Igapó, cartão-postal da cidade.

Desenvolvida na Pré-incubadora do Colégio Positivo – Londrina, a iniciativa aposta em módulos flutuantes de um metro quadrado, produzidos com materiais de baixo custo, como madeira ou garrafas plásticas reutilizadas. Sobre essa base, os estudantes projetaram um sistema de biofiltração em camadas, com argila expandida, areia, carvão ativado e plantas aquáticas, como aguapé, caniço e junco.

Além da estrutura física, o projeto prevê a instalação de sensores para monitorar pH, temperatura e oxigenação da água, ampliando o potencial científico da proposta e permitindo acompanhamento dos resultados em tempo real. “Nosso objetivo é propor algo que possa ser aplicado ali e replicado em outros locais”, explica Sofia. O projeto já participou de uma competição nacional e venceu dois campeonatos regionais.

As iniciativas mostram como a educação ambiental pode ganhar mais força quando deixa de ser apenas conteúdo e passa a fazer parte da experiência cotidiana dos estudantes. Entre sensores, hortas, cisternas, jardins flutuantes e mudanças de hábito, os projetos revelam uma geração que aprende sustentabilidade não apenas ouvindo sobre o tema, mas participando diretamente da construção de soluções.

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(dessa forma fica mais preciso) Em um cenário de transformações intensas, as skills humanas valem cada vez mais e abre-se uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de times. De acordo com o World Economic Forum, 170 milhões de empregos serão criados até 2030, e 39% das habilidades essenciais exigidas mudarão até 2039. Cinco habilidades essenciais Mas quais, de fato, devem ser desenvolvidas? A partir de um grande debate com IAs e ouvindo a realidade de centenas de gestores de RHs, mapeei cinco que considero mais importantes para qualquer função que envolva o uso de inteligência artificial — não apenas para times técnicos: Pensamento crítico e julgamento analítico A IA é forte em análise, mas o julgamento continua sendo humano. Por exemplo, um agente de workforce pode gerar uma lista fria de colaboradores com mais faltas em determinado período. Sem uma camada de julgamento humano, essa lista pode levar a decisões equivocadas — como o desligamento de alguém que, na verdade, enfrenta uma situação pessoal delicada, mas continua entregando resultados. Por isso, a recomendação é que áreas de RH construam camadas de governança e diretrizes para orientar o uso responsável dessas ferramentas. Literacia em IA e Engenharia de Contexto Poucas pessoas hoje sabem responder com precisão o que a IA é capaz — ou não — de fazer, já que as capacidades mudam constantemente. Acompanhar essa evolução é tarefa árdua, porém essencial. Mais do que a engenharia de prompt, é a engenharia de contexto: a habilidade de estruturar informações em camadas, criar arquivos de contexto reutilizáveis e desenvolver "skills" específicas para que os agentes não precisem repetir instruções a cada interação. Como exemplo, temos agentes recrutadores que recebem o contexto e o repassam a agentes de ATS, responsáveis por processá-lo e estruturar as competências técnicas e as responsabilidades das vagas com muito mais detalhe. Isso cria uma camada adicional que permite diferenciar candidatos de forma mais precisa. O resultado são descrições de vagas mais ricas, construídas a partir do contexto sobre o ambiente de trabalho e o perfil do time — e não apenas uma lista de requisitos técnicos —, combinando a precisão da IA com o tom de voz da marca empregadora. Adaptabilidade e visão sistêmica Enquanto a gestão tradicional segue listas fragmentadas de tarefas, profissionais com essa competência — independentemente do cargo ou nível hierárquico — questionam se um processo pode ser automatizado ou simplificado, avaliam as interdependências entre áreas e como a automação pode trazer ganhos em produtividade, em vez de simplesmente executá-lo como sempre foi feito. O Gestor AI First foca na visão sistêmica, o engajamento e desenvolvimento do time. Empatia e inteligência emocional Apesar de não ser um conceito novo, essa competência ganha nova relevância no contexto da IA. Ferramentas podem gerar planos de desenvolvimento individual (PDI) com base em dados históricos, mas cabe à liderança humana avaliar se aquele plano realmente conversa com as expectativas e o momento de vida de cada colaborador. Num mundo cada vez mais inundado de dados e estatísticas, e mais do que isso, super acelerado, é essencial saber ouvir, estar próximo, essas habilidades essencialmente humanas ganham força. Dentro desse cenário, é importante fortalecer os vínculos de mentorias, comitês, guildas e grupos que possam apoiar o RH no trabalho de redesenhar a estrutura organizacional, rever processos, reavaliar políticas e como vamos falar a seguir: construir a governança Governança, ética e responsabilidade A tecnologia tem moral, e cabe ao profissional de RH atuar como o curador ético dos algoritmos, garantindo que decisões automatizadas promovam equidade e não perpetuem vieses históricos. Com isso, a criação de áreas dedicadas a mapear o uso de IA dentro das empresas — quais ferramentas, modelos abertos ou fechados, e para quais finalidades estão sendo usados, torna-se fundamental. Mais do que tratar o tema como risco, é necessário transformá-lo em cultura organizacional, com curadoria de boas práticas, compartilhamento de conhecimento entre áreas e revisão contínua de segurança de dados. Líderes e gestores de RH não serão mais avaliados apenas por resultados entregues, mas também pela sua capacidade de preparar os times para o que vem a seguir. Essa sempre foi uma expectativa da liderança — o que muda agora é que existem métricas e ferramentas concretas para acompanhar esse preparo, e isto precisa entrar definitivamente na rotina de desenvolvimento das equipes. *por Juliana Maria - head de Produtos HCM na Senior Sistemas
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