Vídeo sobre exposição excessiva de crianças e nas redes reacende debate sobre responsabilidade digital

Educação digital e o diálogo ajudam na proteção das infâncias e adolescências no uso das tecnologias

O influenciador Felipe Bressanim (Felca) viralizou um tema sensível que afeta milhares de famílias: a exposição excessiva de crianças e adolescentes na internet. No vídeo intitulado “Adultização”, Felca apontou casos em que imagens e vídeos de meninas e meninos são divulgados em redes sociais, seja em perfis das próprias crianças ou em perfis dos pais e familiares, sem considerar os impactos para a privacidade, a segurança e o bem-estar emocional.

Fotos de rotina, situações engraçadas, conquistas escolares e até momentos íntimos acabam publicados em perfis públicos ou pouco restritos, gerando uma exposição digital que a própria criança não escolheu ter, que pode colocá-la em risco e acompanhá-la pela vida adulta. “A exposição online é permanente e as crianças têm direito à privacidade desde cedo. Proteger também significa refletir sobre o que nós, como adultos, estamos colocando na internet”, afirma a analista do Centro Marista de Defesa da Infância (CMDI), Cecília Landarin.

Estado, famílias, empresas e sociedade: a responsabilidade é compartilhada

Em muitos casos, quando algo grave acontece no ambiente digital, os pais são os primeiros responsabilizados. Mas a obrigação de proteger, alerta Cecília, não pode ser individualizada: famílias, governos, escolas, empresas de tecnologia e sociedade civil precisam atuar juntos para criar ambientes on-line mais seguros.

Na última quarta-feira, 20 de agosto, o texto do Projeto de Lei n° 2628/2022, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB/SE) foi aprovado na Câmara dos Deputados. O documento determina que plataformas como redes sociais, jogos e aplicativos devem priorizar a proteção de crianças e adolescentes com medidas como a obrigatoriedade de sistemas seguros por padrão, com configurações de privacidade ativadas automaticamente, e a proibição do uso de dados pessoais de crianças e adolescentes para fins comerciais. O PL é apoiado por organizações da sociedade civil e especialistas que se mobilizam há anos pela proteção de meninas e meninos no ambiente digital.

Nesse sentido, a Campanha Defenda-se, criada em 2014, oferece vídeos e materiais educativos voltados a crianças, famílias e educadores. Os conteúdos promovem o enfrentamento às violências, principalmente a sexual, e abordam temas como segurança online e construção de vínculos de confiança, incentivando o diálogo sobre o uso consciente da internet. “Autonomia não é deixar a criança sozinha na internet, mas permitir que ela ganhe espaço à medida que desenvolve maturidade. Isso exige tempo, diálogo, vínculo e exemplo”, reforça a analista.

Como tornar o ambiente online mais seguro para todos

Tanto adultos quanto crianças e adolescentes precisam de educação para as mídias, compreendendo comportamentos de risco e estratégias para um uso mais seguro das redes sociais. Algumas dicas práticas para pais e responsáveis podem contribuir para a proteção de meninas e meninos online:

  • Não compartilhe imagens de momentos íntimos ou de vulnerabilidade. Avalie, também, se o conteúdo pode gerar constrangimento para a criança.
  • Restrinja o público que tem acesso às postagens usando configurações de privacidade das redes.
  • Estabeleça combinados claros com as crianças e os adolescentes sobre o tempo de tela, os conteúdos acessados e o uso de redes sociais, respeitando a indicação de faixa etária para jogos, filmes, séries e redes sociais.
  • Converse de forma aberta e acolhedora sobre o que eles veem, sentem e vivenciam on-line. Construa uma relação de confiança para que a criança se sinta confortável para falar.
  • Respeite a privacidade, mas esteja presente – Aplicativos de controle parental são uma boa opção para inibir conteúdos inapropriados, restringir tempo de tela e monitorar acessos, mas o diálogo contribui para o desenvolvimento de senso crítico. 
  • Ensine o básico sobre segurança digital: não compartilhar fotos, não deixar imagens públicas, não falar com desconhecidos e não divulgar informações pessoais. Use o próprio exemplo para ensinar responsabilidade digital. 
  • Oriente que a criança ou adolescente peça ajuda sempre que se sentir em dúvida sobre como agir, com medo ou desconfortável em situações dentro ou fora da internet.  
  • Priorize momentos off-line, com atividades fora das telas, brincadeiras e convivência familiar.
  • Avalie adiar o momento da criança ou do adolescente ter seu próprio celular.
  • Busque materiais educativos, como os vídeos da campanha Defenda-se, para dialogar sobre esses temas em casa ou na escola.

Campanha Defenda-seCriada em 2014 pelo Centro Marista de Defesa da Infância, a Campanha Defenda-se tem o objetivo de promover a autodefesa de crianças contra a violência sexual, de qualificar o trabalho de educadores e sensibilizar a sociedade para relações respeitosas. 

Para isso, oferece vídeos educativos, em linguagem amigável para meninas e meninos de 4 a 12 anos, com versões em português, inglês, espanhol, audiodescrição e Libras. Para adultos, também disponibiliza e-books, guia de atividades e conteúdos sobre a acolhida de relatos de violência. As produções estão disponíveis para toda a sociedade no site defenda-se.com.

Sobre o Centro Marista de Defesa da Infância    
O Centro Marista de Defesa da Infância, do Grupo Marista, atua desde 2010 na proteção e defesa de crianças e adolescentes. Ao trabalhar com a sociedade, conectamos vidas e organizações para que os direitos da infância não sejam apenas reconhecidos, mas ativamente respeitados e promovidos. Com uma abordagem multidisciplinar, o Centro de Defesa se dedica a duas temáticas principais: prevenção e enfretamento às violências contra crianças e adolescentes e políticas públicas informadas por evidências. Saiba mais em centrodedefesa.org.br.

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